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Foto: divulgação

25.ª Quinzena de Dança de Almada: a Videodança em mostra e debate constante

Sob o tema Ritos e Rituais, a Mostra de Videodança integrada na 25.ª Quinzena de Dança de Almada levou um público diverso ao LX Factory. E porque a videodança está em constante mutação, houve espaço para a debater.

Presença tradicional no festival, a videodança regressa à edição de 2017 em vários dias, reforçando a importância desta crescente forma de experienciar a dança. No passado dia 3, a livraria Ler Devagar acolheu um público diversificado para explorar o conceito da videodança, com peças de artistas internacionais e ainda com apresentação dos professores Daniel Tércio e Leonel Blum.

O Espalha Factos assistiu a seis peças de videodança que, enquadradas no tema do ritual, mostram como práticas urbanas e rituais litúrgicos, através de regras, fazem o ser humano elevar-se a um outro estágio.

Espetáculo Yabás, com criação de Márcio Dantas do Brasil, mostra as fadas de religiões africanas e rainhas da Natureza, as Yabás. Na sua interacção, a Natureza vive e transformar-se, evolui e modifica-se. O efeito de arrasto, comum a vários frames, transmite precisamente o movimento de cada elemento natural.

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Foto: Espetáculo Yabás (Brasil)

Da Hungria chega Mourning (Gyászfilm), coreografado e realizado por Réka Szabó. A componente musical guia a narrativa do ritual de luto, que ora canta sobre a vida imortal como cala a voz quando o corpo morre, ficando o silêncio e um som de arrasto. Um corpo que se contorce no betão, frio, onde o negro e o branco contrastam, mas se associam ambos à morte e à forma de lidar com a perda.

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Foto: Mourning (Gyászfilm) (Hungria)

Francesca Perruci e Gustavo Monteiro assinam a coreografia do vídeo português Unsettling Green, numa peça em que o néon verde assume o lugar dos corpos. Num ritual de transformação, os bailarinos não são mais eles mesmos, transformaram-se num corpo de luz.

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Foto: Unsettling Green (Portugal)

A purificação é o rito central em Dogmado. Coreografado por Vinicius Francês, o vídeo do Brasil exibe um corpo entre a luz e a escuridão, onde as velas assumem o papel de elemento purificador para o ser humano. A cera cai sobre o corpo, num ritual em busca da purificação.

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Foto: Dogmado (Brasil)

Num jogo técnico com o fora-de-campo cinematográfico, Time of a Breath coloca um corpo feminino na água. Numa dança entre o interior e exterior da água, assinada por Manuela Carreto de Itália, vemos um corpo por vezes incompleto e em luta, sem ver toda a acção. A imaginação do espetador é aguçada com este jogo, enquanto a bailarina parece usar a água como forma de limpar a alma.

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Foto: Time of a Breath (Itália)

De Portugal, o Fado é a banda sonora para Freedom. Numa coreografia de Sílvia Nevjinsky, a bailarina move-se no ar sem nunca tocar o chão. As argolas são a ferramenta que lhe possibilita expressar-se através da dança, quando os pés não lho permitem. É a dança como ritual de libertação e de felicidade.

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Foto: Freedom (Portugal)

Jessica Samara e Kathyn Carvalho coreografaram D(eu)s. A peça brasileira põe na tela duas bailarinas, que dançam num ritual de imitação e confronto, onde os gestos se repetem quase maquinalmente. Como o ritual de reza, elas tentam chegar a um Deus através da oração.

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Foto: D(eu)s (Brasil)

Coreografado por Brian Castillo, Charisma Glasper e Elliot Storey, The Lovers retrata uma relação amorosa. A peça dos EUA mostra o amor em diversos estágios, como algo que cega e faz perder o norte, que nos leva numa busca incessante e nos traz um encontro derradeiro.

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Foto: The Lovers (EUA)

Videodança: um conceito sempre em mutação

As infinitas possibilidades da videodança, surgida nos anos 70, permitem contar uma história de forma singular. Daniel Tércio destaca ainda como o próprio trabalho de filmagem e edição é um desafio, dado a videodança pressupor desde logo um tratamento específico da imagem a partir da experiência da dança.

Mais que um vídeo com dança ou uma filmagem da dança, a videodança é uma nova linguagem e tipo de arte. Como referiu Leonel Brum, a própria câmara não é estática, também ela dança e se alia à construção de uma peça onde, destaca o professor, a componente auditiva é importante.

Cada vídeo tem uma linha narrativa muito própria, que não deixa a dança subordinar-se aos restantes elementos. A videodança é uma arte singular e em constante exploração, tornando difícil definir as fronteiras entre o que pode ou não ser considerado como tal.

Até 21 de outubro, a dança é destacada em diversos formatos pela Quinzena de Dança de Almada. A edição deste ano comemora os 25 anos do festival, com espectáculos, workshops e mostras diversas entre Almada e Lisboa. Descobre tudo no site oficial do evento.

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Foto: divulgação
LÊ TAMBÉM: 25.ª QUINZENA DE DANÇA DE ALMADA: A VIDEODANÇA EM MOSTRA E DEBATE CONSTANTE

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