Lisboa ganhou ontem uma luz diferente do habitual. Foi pelas 16 horas que se iniciou mais uma edição da Lisboa Fashion Week, desta vez intitulada de ModaLisboa Luz,  um dos eventos mais importantes da indústria a nível nacional. Até domingo vão passar pela passerelle do Pavilhão Carlos Lopes nomes de destaque da moda nacional que apresentarão as suas propostas para a próxima estação quente.

No primeiro dia do evento foi a vez de Patrick de Pádua, Duarte, Kolovrat, Valentim Quaresma e Ricardo Preto fazerem a exposição das suas coleções. No entanto, o destaque do dia vai para o concurso Sangue Novo, no qual David Pereira foi o grande vencedor.

Coleções Viajadas

A ModaLisboa foi, desde o primeiro momento, uma viagem. A mais recente edição da Lisboa Fashion Week iniciou-se com Patrick de Pádua, que exaltou a cultura das regiões mais recônditas lusas. Tendo o canto alentejano como pano de fundo, Patrick apresentou uma coleção que levou os espetadores numa viagem pelo Alentejo, mais precisamente por Vila Nova de São Bento, local que remete para as suas recordações de infância.

Um dos coordenados de destaque do desfile foi o escolhido pelo designer para abrir a passerelle, localizada no jardim do Pavilhão. Numa eximia conjugação do tradicional com o moderno, a modelo exibiu um modelo castanho claro inspirado no capote alentejano finalizado com apontamentos no fecho e gola que relembravam o perfeto, casaco de eleição de motards.

9490 foi uma coleção de equilibrio entre streetwear e técnicas tradicionais, na qual se destacaram os pormenores militares e os acessórios de inspiração alentejana.

Se o orgulho nacional é importante, também a diversidade cultural o é. Numa abordagem diferente daquela que apresentou na última edição do evento, DUARTE surpreendeu o público com uma viagem pela cultura oriental.

A paleta de cores onde se destacaram o rosa, o violeta e o azul marinho, conjugada com o algodão e a ceda esvoaçante levaram o conceito de Voyage ao seu extremo. Em coordenados onde o oversized e o fitted marcaram presença, a designer apresentou uma coleção que comprovou que o sportswear pode sim ter requinte.

Sangue Novo, os vencedores do dia

O concurso Sangue Novo tem sido, ano após ano, o destaque do primeiro dia de desfiles do evento. Este que é definido como o segmento da “Luz que se renova em todas as edições da ModaLisboa” esgotou e estreou a passerelle localizada no interior do renovado pavilhão Carlos Lopes.

Entre as dez coleções apresentadas, quatro foram premiadas. David Pereira foi o grande vencedor do dia, arrecadando o prémio ModaLisboa que lhe dará acesso a uma bolsa de 5000 euros atribuída pela ModaLisboa e um curso oferecido pela Domus Academy em Milão.

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Atravês de uma coleção onde o luxo e o streetwear se confudem , e onde à inspiração primitiva se conjuga a evolução do mundo, Pereira conseguiu conquistar o jurí composto por Eduarda Abbondanza, presidente da ModaLisboa, Cláudia Barros, editora de moda da Vogue, Filipe Faísca, designer de moda, e Alberto Caselli, diretor de moda da revista Sport&Street.

Em destaque esteve ainda Rita Afonso. Apesar de não ser a sua primeira presença no concurso, a jovem designer parece continuar a surpreender o júri que lhe atribuiu uma menção honrosa, prémio especial criado pelos próprios jurados e atribuído a três dos participantes garantindo a sua participação na próxima edição do concurso.

Com uma coleção intitulada de O Dependurado, Rita Afonso venceu ainda o prémio The Feeting Room, atribuido por Edgar Ferreira e Guilherme Oliveira, representantes da marca. Com este prémio a designer ganha agora a oportunidade de ver as suas peças produzidas e comercializadas nas lojas TFR no Porto e em Lisboa.

O último grande prémio da tarde foi atribuído a Filipe Augusto. Com uma coleção onde as sete saias nazarenas foram o mote de inspiraçao Augusto conseguiu conquistar o prémio FashionClash, que lhe garante entrada na próxima edição do Festival de Moda Holandês, que vai decorrer em junho de 2018 na cidade de Maastrich, onde terá oportunidade de representar Portugal e apresentar a sua coleção.

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Filipe Augusto foi ainda um dos escolhidos para receber uma menção honrosa sendo que a ele se juntou Rita Sá.

Diversidade e cor encerram o primeiro dia da ModaLisboa Luz

A cor, as assimetrias e o oversized marcaram o desfile de Kolovrat, o inicio do fim do primeiro dia da ModaLisboa Luz. A diversidade e a multiculturalidade que marcou os coordenados deve ser encarada como “um reality show que abrange vários tipos de pessoas, com um espírito absurdo e surrealista.” afirmou a designer no comunicado da coleção. Numa celebração do diferente, Kolovrat junta numa só coleção cortes, cores e volumes representantes de uma enorme variedade de estilos e personalidades.

Os desfiles prosseguiram, já de noite, com Valentim Quaresma. Carnal foi o nome dado pelo designer a uma coleção que chocou e surpreendeu a audiência. Luxuria, atração, romantismo e força foram palavras de ordem no penúltimo desfile do dia. Aos acessórios arrojados a que já habituou o publico juntou o clássico preto, dourado e apontamentos vermelhos.

Perto das 23 horas a passerelle do ModaLisboa Luz reacendeu-se para receber os coordenados de Ricardo Preto. Numa total oposição ao desfile anterior, o designer encheu o pavilhão Carlos Lopes de cor com a coleção Whole Lotta LoveFoi ao som do clássico dos Led Zeppelin que os modelos apresentaram as peças ecléticas de tecidos flúidos e silhuetas trapézio que viriam a encerrar o primeiro dia da ModaLisboa Luz.