Se há coisa que temos de celebrar neste Dia Mundial da Música é mesmo a capacidade que a música tem de nos fazer sentir alguma coisa. Seja felicidade, melancolia, tristeza ou até alguma raiva, não há como ficar indiferente a este tipo de expressão artística.

f.o.r.e.v.e.r. – James Blake
Recentemente, voltei a pegar integralmente no último disco do James Blake, mais precisamente no tema f.o.r.e.v.e.r. que anda perdido lá no meio. Apaixonante até à última gota e com a frágil voz de Blake a tomar de assalto o nosso coração. São três minutos de sentimento, de dia cinzento com direito a chuva e uma chávena de chá. CR

All My Friends – LCD Soundsystem
O típico hino de reflexão e nostalgia que nunca vai sair de moda (pelo menos com millennials). Não é balada nem emoção de chapa, mas os LCD Soundsystem já nos patrocinam diariamente com esta dose esmagadora de All My Friends. É a história da nossa vida descrita com todos os pormenores e, em momentos mais delicados, faz-nos acabar com aquela lágrima teimosa ao canto do olho. Serei a única com esta alergia terrível nos olhos? CR

The Universal – Blur
É uma das músicas mais especiais da minha vida e será sempre o remate de um dia que correu menos bem. Talvez é a melodia, talvez é a letra sentida de Damon Albarn. Uma coisa é certa: dá aquele shot de esperança que muitas vezes precisamos e só a música nos pode dar. Apesar das metáforas traiçoeiras em cada letra dos britânicos, gosto de as ver num sentido mais pragmático. São os Blur de sempre e para sempre. CR

Première Gymnopédie – Erik Satie
Descobri isto ao acaso numa playlist de estudo (nada classy, eu sei) e a genialidade da composição de Satie arrebatou-me. Apesar de não ser um nome tão sonante como Debussy ou Stravinsky, Erik Satie colocou a alma nas eloquentes Gymnopédies, as três composições mais célebres do músico francês. Não precisam de apreciar a dita “música clássica” para perceber o contributo deste senhor para a música. CR

Fake Plastic Trees – Radiohead
Embora o amor pelos Radiohead esteja sempre bem aceso, gosto sempre de dar uma pausa nas minhas músicas favoritas para poder revisitá-las e ser confrontada com novas experiências. Radiohead é o que todos sabemos, mas Fake Plastic Trees será sempre o pináculo da melancolia. A simplicidade pode, de facto, criar obras de arte únicas e esta é uma delas. Sempre que a música começa, mesmo que pela 87.ª vez, torno-me a impressionar com esta banda. CR

Motion Picture Soundtrack – Radiohead
Motion Picture Soundtrack é, a meu ver, das mais belas canções de Radiohead. Apesar de já ser fã de longa data da banda, a primeira vez que senti de facto esta criação foi quando vi o filme I Origins. Para quem já o viu, sabe bem que é a música perfeita para a cena perfeita. Thom Yorke consegue, na perfeição, pôr uma lírica depressiva e, até digo, suicida e uma sonoridade maravilhosa de mãos dadas. É, realmente, dos melhores artistas da atualidade. FS

 
Without Me – Mac Demarco
Numa lista de músicas marcantes, é imperial que uma seja do grande Mac. Entre muitas outras opções, escolhi Without Me pelo seu tema. Quem nunca gostou tanto de alguém ao ponto de querer ver essa pessoa feliz, mesmo que não esteja connosco? É esse sentimento que leva o canadiano a criar esta canção.
Aliás, pode-se dizer que esse é o resumo perfeito da letra. O mais impressionante no músico é a sua capacidade de escrever frases tão simples, que não só tornam as suas canções formidáveis, mas que ficam igualmente na cabeça durante dias. FS

Social Sites – Cosmo Pyke
Se tivesse de apostar quem seria das grandes promessas da música dos próximos anos, escolhia sem dúvida o londrino Cosmo Pyke. Com influência no jazz e hip-hop, assemelha-se a um King Krule com um ritmo mais mexido. Entre as várias obras, Social Sites é a que mais se destacou, pessoalmente. Em suma, o músico de 18 anos descreve como as redes sociais podem provocar um mau relacionamento e exprime a sua mágoa após o fim desse namoro. FS

Sozinho no Róque – B Fachada
A música ideal para estar deitado numa cama de rede, a olhar para o vazio de um céu estrelado. Ao menos, é assim que vejo. A melancolia de B Fachada é deliciosa e não se entende mesmo como é que nunca se conseguiu afirmar no mundo musical português. Não se consegue explicar a beleza desta canção. Basta ouvi-la para perceber do que falo. No fundo, toda a gente deveria querer fumar com o B Fachada. FS

Alvalade Chama Por Mim – Capitão Fausto
Na minha opinião, das melhores obras dos Capitão Fausto. É a que mais define a mensagem que o recente álbum pretende exprimir. Vemos presente na letra a consciência da transição de um mero adolescente para um adulto. Todas as responsabilidades que se ganham e a inocência que se perde. Não só a música, mas o disco todo está muito bem feito e é dos melhores que foram feitos ultimamente em Portugal. FS

 
Ainda Não Acabei – Manel Cruz
Este é um dos temas que marca o regresso do ex-Ornato. A verdade é que é mesmo isso que Manel Cruz pretende dizer na letra desta música. Está de volta, porque ainda não acabou. Fala de perseverança e coragem para nos erguermos e resistir aos obstáculos da vida. BP

Illest Motherfucker Alive – Jay-Z e Kanye West
Ainda que já tenha alguns anos, este tema proveniente da parceria The Throne, que junta dois dos grandes nomes do rap e hip hop da atualidade, tem vindo a alcançar um lugar especial nas minhas playlists. É muito difícil ficar indiferente à energia transmitida por esta música, para além de que possui uma das melhores mensagens sobre autoconfiança. Os dois rappers chegam a comparar-se aos Beatles. BP
Condolence – Benjamin Clementine
Clementine é uma das melhores vozes da atualidade e este tema é, na minha opinião, aquele que demonstra as capacidades do artista – tanto líricas como vocais – em todo o seu esplendor. De facto, quando ouvida ao vivo é uma experiência ainda melhor e capaz de levar qualquer um às lágrimas. BP

PPP – Beach House
PPP podia ser só mais um só mágico dos Beach House. Porém, é muito mais do que isso. Este tema vai muito mais além de toda a natureza celestial e etérea típica da banda. Fala-nos sobre duvidar das nossas decisões, principalmente, duvidar do amor. E que outro assunto poderia sintetizar melhor o mundo contemporâneo? BP

Trying Your Luck – The Strokes
Sinceramente, esta é uma das minhas músicas favoritas de sempre, o que por si só já vale um lugar nestas escolhas. Para além disso, foi produzida numa das melhores fases da banda norte-americana The Strokes. Junta o revival do indie rock com a brilhante voz de Julian Casablancas, que é perfeita na sua rouquidão. BP

Perfect Places – Lorde
Tropecei no Melodrama e, sem estar à espera, fiquei obcecada. O destaque para mim foi a Perfect Places. Ao primeiro segundo, entra uma vontade de fechar os olhos, cantar a letra até perder a voz e dançar como se não houvesse amanhã, quase como se a própria Lorde nos possuísse por aqueles minutos. Pede mesmo para deixarmos as nossas inibições de fora e soltarmo-nos totalmente. Pun intended, mas perfeita para qualquer sítio. AR

Somewhere Only We Know – Keane
Somewhere Only We Know foi uma das canções que marcou muito a minha pré-adolescência, apesar de ser um bocado mais antiga. Este verão, foi arrancada das gavetinhas mais escondidas da minha memória, tudo graças ao concerto do Tom Chaplin no Marés Vivas.
Ter oportunidade de a cantar em plenos pulmões juntamente com dezenas de milhares de pessoas foi um throwback bem bonito, daqueles que deixa uma pessoa quentinha por dentro. AR

P’ra Frente é que é Lisboa – Quatro e Meia
Tem uma mensagem tão simples e bonita como a de aproveitar sempre o melhor da vida, mesmo quando esta nos parece mais rotineira. A melodia faz sentir essas boas vibrações e o conjunto de instrumentos que a compõe dá-lhe um espírito tão português. Já dei por mim a cantarolá-la várias vezes no meu dia-a-dia e a não conseguir tirá-la da minha cabeça pelas melhores razões. AR

Deliverance – Rationale
Sabem aquela emoção de encontrar um artista novo muito bom? Bem, foi o que me aconteceu com este músico. Deliverance foi a primeira que me apareceu sugerida algures na internet e foi amor à primeira audição. Uma produção instrumental simples, mas que se encaixa tão bem com a poderosa voz de Rationale. A seguir, foi procurar e devorar tudo o que encontrei do cantor (o que, infelizmente, ainda é pouco). AR

Glory – Bastille
Se fizesse uma lista das canções que me conseguem por de bom humor em qualquer situação, esta estaria sem dúvida no topo. Bastille e o envolvimento de um conjunto de cordas são suficientes para me conquistar, mas, mesmo assim, esta canção mexeu comigo de uma forma muito especial.
A parte apenas com a voz de Dan Smith, primeiro acompanhado por cordas e de seguida por piano, que depois explode no refrão final é capaz de ser dos meus momentos musicais preferidos e que me deixa sempre com um sorriso dos lábios. AR

Escolhas de Carlota Real, Francisco Serra, Bárbara Pereira, Ana Rosário