O escritor Mário Cláudio e o seu romance Astronomia vão ser agraciados no próximo sábado com o Prémio D. Diniz, entregue por Marcelo Rebelo de Sousa.

O prémio foi atribuído por unanimidade do júri, o qual era constituído pelos escritores Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia.

A cerimónia vai decorrer no sábado, dia 30 de setembro, pelas 18h30, na Fundação Casa de Mateus (centro de Cultura no Norte do País), em Vila Real. Esta vai ser conduzida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, responsável pela entrega do prémio. Também o ministro da cultura, Luís Filipe Castro Mendes, vai marcar a sua presença.

Originalmente, a sessão estava prevista para o dia 18 de junho, contudo acabou por ser adiada, por decisão da fundação, devido à época conturbada que se vivia causada pelos calamitosos incêndios que assolaram Pedrógão Grande.
Após a cerimónia de entrega vai atuar Katia Guerreiro, fadista portuguesa, acompanhada por Pedro Castro na guitarra portuguesa, André Ramos na viola e Francisco Gaspar na viola-baixo.
O Prémio D. Diniz, instituído em 1980, foi criado com o propósito de distinguir anualmente uma obra de poesia, ensaio ou ficção, publicada de preferência no ano anterior ao da atribuição do prémio.

O autor

Mário Cláudio, pseudónimo do escritor português, Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nasceu a 6 de novembro de 1941, no Porto.
É licenciado em direito pela Universidade de Coimbra, onde se diplomou também como bibliotecário-arquivista, e master of Arts em biblioteconomia e Ciências Documentais pelo University College de Londres.
É autor de diversas obras, de ficção, poesia, teatro e ensaios e já foi agraciado com diversos prémios, tais como o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores por Amadeo (1984). Em 2001 já havia recebido o Prémio Novela da mesma associação pelo livro A Cidade no Bolso (2000) e, em dezembro de 2004, foi distinguido com o Prémio Pessoa.

A obra

O romance Astronomia, publicado o ano passado pela editora Publicações Dom Quixote e também vencedor do Grande Prémio de Literatura, relata, num registo autobiográfico, as diferentes fases da vida do autor – infância, maturidade e velhice -, refletindo uma visão fantasiosa de Mário Cláudio sobre o seu percurso.

Em outubro do ano passado, quando apresentou a obra em Penafiel, no Festival Literário Escritaria, que lhe foi dedicado, Mário Cláudio disse que Astronomia é “uma espécie de recetáculo de várias confissões e muitas mentira. É um misto de temores e coragens”, afirmou. Mas esclareceu ainda não saber “de onde é que este livro saiu dentro de mim”.

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Fonte: Wook

Dividido em três partes – Nebulosa, Galáxia, Cosmos -, este romance aborda três fases da vida de um homem que, sem ser por acaso, é o próprio escritor.

No início surge o velho que recorda a infância e a vida de um filho único, com os seus temores e fantasmas. Termina com um menino “que é muitas vezes aquilo que os velhos voltam a ser”, pode ler-se na sinopse.

A meio da obra conta-se a parte fulcral da vida desse homem, de jovem a maduro. Faz-se referência à sua passagem pela guerra colonial, à universidade, ao trabalho, à escrita e ao reconhecimento, e até a factos polémicos e pessoais relacionados com o amor, a sexualidade e “a forma como a cultura, com o passar do tempo, se tornou pouco mais do que um espectáculo”.

O escritor deixa, assim, um belo convite à leitura desde livro, prometendo com certeza que “haverá muita gente (…) que se reconhecerá nestas páginas”.

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