Na edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Toronto, estreou Gaga: Five Foot Two, um documentário realizado por Chris Moukarbel que pretende ser uma viagem pela vida privada da premiada Lady Gaga, num olhar livre de constrangimentos. O documentário foi mais tarde lançado na plataforma Netflix.

Com pouco mais de hora e meia de duração, a longa metragem acompanha sobretudo a criação do último álbum de Gaga, intitulado Joanne, explorando também as suas aventuras nos bastidores de American Horror Story e a sua prepração para a tão aclamada atuação no intervalo do Super Bowl, em fevereiro deste ano.

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O documentário é iniciado com imagens de Gaga, em fato e botas repletas de cristais, a ser levitada pelos ares, naquele que é um dos ensaios finais para o Super Bowl. Antes que o grande espetáculo possa tomar lugar, contudo, cortamos para a artista, de roupas simples e cabelo apanhado, em gravações no estúdio.

A escolha de focar o documentário na fase Joanne não é ocasional. O último álbum representa uma transição para Gaga, não só em termos profissionais como também pessoais. Deixando o pop teatral que sempre a caracterizou de lado, a norte-americana decidiu enveredar por um estilo mais country e minimalista, num álbum que se foca na história da sua família e nas suas lutas pessoais ao longo dos últimos anos.

Joanne, a faixa musical que dá nome ao álbum, foi criada em honra da sua tia, que morreu de lúpus há largas décadas atrás. Um dos melhores momentos do documentário vem, por ocasião, quando Gaga decide apresentar pela primeira vez a música ao seu pai e à sua avó, revelando que até para ela própria é perigoso aventurar-se em temáticas tão profundas.

Joanne é hoje uma criação aclamada, contando com êxitos como Perfect Illusion, Million Reasons, John Wayne e A-Yo, bem como uma participação especial de Florence Welch. Contudo, as músicas maravilhosas que os fãs guardam nos telemóveis têm muita história por trás.Gaga: Five Foot Two

O documentário conta-nos de que forma Gaga, sempre de cigarro na mão, se deixa destruir pela fama e pelo “barulho do mundo lá fora”. Como ela própria diz, “durante o dia, tenho a companhia de mil pessoas e amor de milhões de fãs; à noite, contudo, fico sozinha com os meus pensamentos e isso é mais difícil do que parece”.

A pior das suas lutas, contudo, é contra a fibromialgia, uma doença que a artista descobriu há pouco tempo e que a assalta com pesadas ondas de dores musculares, as quais muitas vezes a impedem de avançar com certos espetáculos. Durante o documentário, acompanhamos várias crises de Gaga e as suas visitas ao médico, nas quais a artista se vê impedida de fazer o que mais ama: criar música.

Lady Gaga apostou toda a sua força na divulgação de Joanne, cantando em inúmeros bares e estando presente em tantas entrevistas quanto necessárias. O investimento foi recíproco: os seus fãs viram o ser humano por trás da artista e apaixonaram-se ainda mais por este que é considerado um dos maiores símbolos influenciadores do século XXI – sobretudo no que diz respeito à comunidade LGBTI.Gaga: Five Foot Two

De volta ao início, o documentário termina com as preparações para o Super Bowl – que merecem uma visita especial por parte da estilista e amiga, Donatella Versace -, nas quais Gaga admite que tal atuação representa um dos maiores sonhos de toda a sua vida. Como sabemos, a atuação foi um autêntico sucesso que deixou milhares de queixo no chão.

E é essa a mensagem que o documentário nos deixa: as dificuldades podem ser muitas e as dores cada vez piores, mas Gaga promete surpreender a cada passo que dá na sua carreira.

NOTA: 9/10