Sofar Sounds Lisbon

Sofar Sounds Lisbon por uma boa causa

Quarta-feira, 20 de setembro, mais um encontro no Sofar Sounds Lisbon. Desta vez, a edição foi ainda mais especial. Em parceria com a Amnistia Internacional, os concertos foram dados com o mote Give a Home. No mesmo dia, decorreram 300 concertos espalhados por 200 cidades em todo o mundo, num total de 1000 artistas. O objetivo: quando parece que há uma maior resistência em acolher os que mais precisam, mostrar que as portas das nossas casas estão abertas para os refugiados que procuram uma vida melhor.

No caso de Lisboa, não foi a porta de uma casa que foi aberta, mas a do pátio da Universidade Autónoma de Lisboa. O espaço maior não perturbou em nada o ambiente intimista que se vive no Sofar Sounds e até ofereceu a vantagem de acomodar barraquinhas de comida para os mais esfomeados. Cachorros-quentes, algodão doce e pipocas juntaram-se à presença já assídua da Jameson Ginger & Lime. Quem entrava no espaço, já ao espreitar da noite, era recebido pela música ambiente de Sleep Patterns.

Edição especial significa também cartaz especial. Se, por todo o mundo, atuaram nomes como Ed Sheeran, The National, Hozier, Moby ou Daughter, o alinhamento lisboeta também teve direito a três surpresas de luxo.

Tatanka deu o arranque apenas acompanhado pela sua guitarra. A presença do vocalista dos The Black Mamba no Sofar Sounds Lisbon já estava prometida há algum tempo, só se tendo conciliado nesta ocasião especial. O músico apresentou algumas músicas do seu novo projecto a solo num set acústico que iniciou o serão com um gostinho especial. Tatanka ficou impressionado com o respeito e o silêncio do público, tendo também apelado à sua participação. O público aderiu, primeiro a medo até aquecer e encontrar a sua voz.

Antes do segundo nome subir ao palco, o público teve a oportunidade de conhecer a história de Ahmad. Iniciou num português ainda tímido, até continuar mais à vontade em inglês. Refugiado originário da Síria, Ahmad passou pela Turquia e pela Grécia, até instalar em Portugal. Apesar de ter tido algumas aulas, tem aprendido português com as pessoas que tem conhecido. Explicou o quanto gosta de Portugal e a vontade que tem de construir vida cá. Falou do seu gosto por fado, como gosta de ouvir as melodias calmas à noite e de traduzir as letras por ainda não perceber muito bem o que significam. Estava muito feliz por estar no Sofar Sounds e que ali, no meio da música portuguesa, se sentia em casa.

A música continuou de seguida com os Trêsporcento, também estreantes no Sofar Sounds. A banda trouxe o indie rock ao pátio da UAL, entre batidas e acordes descontraídos que deixaram os presentes a bater o pé. Na setlist, estavam algumas canções do novo álbum, Território Desconhecido, lançado este ano. Entre ritmos mais rápidos e lentos, os músicos variavam os instrumentos passando até por vários nas mesmas músicas. Num pequeno deslize, o vocalista Tiago Esteves acabou por revelar acidentalmente o último nome da noite, o que arrancou alguns risos por parte do público.

A última surpresa, que já não foi bem surpresa, foi Noiserv. David Santos, autêntico one man show, criou no momento, habilmente alternando os lados na mesa de instrumentos que o rodeava. O músico deliciou todos com os seus sons delicados que tão perfeitamente se enquadravam no espaço. David também aproveitou para deixar um apelo ao público para ajudar os outros. Explicou que não nos podemos resumir a escrever posts de Facebook.

Findo o trio de atuações, o calor musical deu lugar ao frio da noite. A edição Give a Home tinha chegado ao fim, mas o apelo de abrir as portas aos refugiados continua. Podes conferir algum do trabalho humanitário da Amnistia Internacional aqui. Se estiveres interessado em desvendar os segredos das próximas edições do Sofar Sounds Lisbon, podes-te inscrever aqui.

Fotografias: João Marcelino

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