O segundo de onze episódios desta sétima temporada de American Horror Story continua com a premissa de que uma América xenófoba e dominada pela ansiedade é o pior sítio para se viver… contudo, com uma história bastante linear e previsível. Don’t Be Afraid of the Dark estreou no canal FX no dia 12 de setembro.

Pegando onde ficámos na semana passada, Ally (Sarah Paulson) abre o episódio aos berros com o palhaço ao seu lado na cama, embora a sua esposa, mais uma vez, descubra que é tudo fruto da sua imaginação. Também o pequeno Oz (Cooper Dodson) é assaltado por dois palhaços macabros, incluindo o famoso Twisty (John Carroll Lynch), mas tudo não passa de um desagradável pesadelo.

Na televisão, é noticiado o ataque de um grupo de hispânicos a Kai (Evan Peters) e este aproveita a ocasião para anunciar que se vai candidatar ao lugar deixado vago no concelho de Michigan – após a morte de Chang no primeiro episódio. Quanto aos ditos hispânicos, correm risco de deportação imediata.

Também em virtude dessa mesma morte, os novos vizinhos são o curioso casal Harrison (Billy Eichner) e Meadow (Leslie Grossman). Basicamente, o homem é gay mas ambos sempre tiveram uma amizade profunda e fizeram o típico pacto de casar se ambos estivessem solteiros aos 35. Nunca pensei que as pessoas levassem esses pactos avante.

 

O casal é fascinante: fãs de Nicole Kidman, da respetiva série Big Little Lies e ativistas contra o aquecimento global. Para além disso, Harrison é criador de abelhas, o que rapidamente repele Ally, visto que ela tem medo dos buracos das colmeias. De que é que não tem medo, afinal?

Durante a noite, o alarme do restaurante das protagonistas dispara e Ally decide investigar o local. O que acaba por encontrar é o corpo de um dos seus gerentes, que curiosamente havia tido uma discussão fervorosa com um empregado latino há poucas horas atrás – por razão nenhuma senão dar ênfase ao ódio que os imigrantes sofrem hoje em dia.

Ally entra em pânico e decide imediatamente instalar grades em todas as portas e janelas da casa. Contudo, tem direito a uma visita de Kai, que está a divulgar a sua campanha. Embora a mulher se sinta assustada e o homem seja claramente louco, este foi provavelmente o melhor momento do episódio. A química entre Paulson e Peters é inegável.American Horror Story

Winter (Billie Lourd) decide preparar um banho de espuma para Ally, de modo a ajudá-la a relaxar, até que as coisas aceleram surpreendentemente e as duas quase se beijam. Contudo, uma falha de luz na cidade inteira interrompe o momento, deixando Ally sozinha em casa com o filho e às escuras.

Claro que esta é a ocasião perfeita para o aparecimento de mais palhaços, mais gritos, mais sustos, mais tudo. Até que Ally decide recorrer à arma que tem guardada na gaveta. Mal ela sabia que o empregado latino do restaurante surgiria para a ajudar e, apanhada desprevenida, Ally acaba por abater o homem a tiro.

Esta temporada de AHS está a jogar com as cartas certas mas de forma errada. Os tópicos de xenofobia e opressão são bem trabalhados mas explorados à superfície – pelo menos até agora. Enquanto isso, são momentos de susto clichês com palhaços e gritos a cada cinco minutos que tomam a luz da ribalta, num género de terror que já está mais que reciclado. A estrela da noite vai para o confronto entre Paulson e Peters (o verdadeiro medo e a autêntica liberdade, respetivamente), que certamente ainda terão muito para dar juntos.

NOTA: 5/10