Em 2013, os criadores Graeme Manson e John Fawcett deram à luz Orphan Black, uma produção feita em conjunto entre a BBC America e a Temple Street Productions, que se estendeu ao longo de cinco temporadas, de dez episódios cada, tendo terminado no passado dia 12 de agosto.

Tatiana Maslany é a grande estrela da série, que segue um conjunto de mulheres fisicamente idênticas, fruto de uma experiência científica ilegal de clonagem humana. Para além de revelar todos os motivos que se escondem por trás deste fenómeno, a série joga com o próprio conceito de identidade – se há pessoas idênticas a nós, seremos apenas mais um neste mundo? O que é que nos distingue?

O Espalha-Factos traz-te cinco razões pelas quais vale a pena assistires a esta série.Orphan Black

1. O início bombástico

Orphan Black começa de uma maneira radical e sem rodeios: Sarah, interpretada por Maslany, é uma jovem adulta em apuros, metida no mundo das drogas e esquemas ilegais, que apenas quer reunir dinheiro para voltar a ver a filha e lhe dar uma vida melhor. Na estação de comboios, assiste ao suicídio de uma mulher, que é perfeitamente idêntica a si.

O sangue frio de Sarah dá-lhe uma ideia genial: roubar a mala da mulher e tomar a sua identidade. Pelos vistos, a mulher chamava-se Elizabeth e era detetive, tendo uma casa maravilhosa e um namorado ainda mais maravilhoso.

O que ao início foi uma aventura engraçada, em que Sarah tentava fingir ser a mulher morta e estava claramente confusa com o que dizer e fazer, rapidamente se torna numa armadilha. Aparentemente, Elizabeth andava a ser perseguida, o que significa que a própria Sarah está em perigo. Mais sobre isto adiante.Orphan Black

2. A protagonista

Após chamadas suspeitas e ficheiros escondidos, Sarah descobre que Elizabeth não era sua gémea: na verdade, ambas faziam parte de um grupo de clones, fruto de uma experiência científica ilegal levada a cabo há décadas atrás.

Vários dos clones, de origens norte-americana e europeia, já foram caçados e assassinados no momento em que a série começa. No entanto, Sarah consegue localizar Alison e Cosima, uma esposa dos subúrbios e uma bióloga brilhante, que a ajudam a compreender tudo o que se está a passar.

No decorrer das cinco temporadas, Tatiana Maslany interpreta mais de dez clones, uns mais importantes para o enredo do que outros. O que é fascinante é que a atriz interpreta as diferentes mulheres com tamanha mestria que acreditamos de que se tratam de diferentes atrizes. Bravo!Orphan Black

3. O confronto ciência vs. religião

Durante a primeira temporada, Sarah descobre que existem duas grandes forças atrás de si e das suas “irmãs”. Em primeiro lugar, um conjunto de fanáticos religiosos conhecidos por Proletheans, que manipularam outro clone, de nome Helena, de forma a que ela acreditasse que era a “original” e que a sua missão seria eliminar todas as outras cópias.

Em segundo lugar estão os cientistas do Instituto Dyad e responsáveis pelo chamado Projeto Leda, que deu origem a este conjunto de clones. Rachel, também uma das cobaias, é uma das chefes do projeto e tem como missão manter os clones sua propriedade, de modo a que nenhuma delas se revolte e para impedir que os restantes humanos se apercebam da sua existência.

Ambas estas entidades carregam consigo histórias fascinantes, colocando em confronto duas partes que querem ter controlo sobre a vida humana mas de maneiras diferentes. Não é difícil perceber que a moral da história nos diz que ninguém tem tal direito e que Sarah (e as restantes) são colocadas num dilema: lutar ou morrer.Orphan Black

4. A diversidade

Com tantos clones à solta, seria de esperar uma diversidade interessante de personagens, iguais por fora e tão diferentes por dentro. Sarah é a típica problemática, de sotaque britânico, que coloca o amor pela filha acima de tudo e não tem medo de correr riscos.

Alison é uma esposa e mãe dos subúrbios, que tem claros problemas de auto-controlo e nos dá momentos hilariantes cada vez que afoga as mágoas no vinho. Cosima, por seu turno, é uma cientista homossexual com os pés tão assentes na terra que cada palavra saída da sua boca parece ficar escrita em pedra.

Helena, criada na Ucrânia, luta uma guerra constante entre aquilo que lhe foi incutido pela religião e o que ela acredita estar certo. Por trás de uma assassina impiedosa, esconde-se um coração de ouro. Rachel é uma mulher de negócios implacável, cuja história de família está mais ligada ao Projeto Leda do que pensamos.

Como se não bastassem, temos todo um grupo de restantes personagens que são tão interessantes quanto as protagonistas. Felix (Jordan Gavaris), o melhor amigo homossexual de Sarah que tem sempre palavras de comédia e de apoio na ponta da língua. Mrs. S (Maria Doyle Kennedy), a mãe adotiva de Sarah que não é, de todo, quem diz ser.

Até existe um conjunto de clones masculinos, fruto do chamado Projeto Castor e interpretados por Ari Millen, que são introduzidos na segunda temporada e ganham a luz da ribalta, como se já não estivéssemos suficientemente confusos.Orphan Black

5. O conjunto de géneros com um ritmo frenético

Orphan Black é uma série que não perde tempo com pormenores desnecessários. No primeiro episódio, num total de 43 minutos, somos introduzidos a Sarah e Beth, ao fenómeno que se esconde por trás de ambas e à perseguição que isso acarreta.

Embora cada temporada tenha apenas dez episódios, todos têm um ritmo alucinante, de tal modo que chegamos ao final de cada um quase sem respirar. Cada segundo nesta série conta e, se fecharmos os olhos por muito tempo, certamente perdemos algo importante.

A série consegue misturar na perfeição géneros tão distintos: a evidente vertente de ficção científica, os momentos de comédia proporcionados sobretudo por Felix e Alison, a carga dramática por trás das crises de identidade de cada um dos clones, entre outros. Se isto não te deixou curioso para ver a série, convidamos-te então a espreitar o trailer:

 [youtube https://www.youtube.com/watch?v=do_BCA-vR9E]