O Espalha-Factos está a marcar presença nesta 11.ª edição do MOTELX e traz-te os filmes de maior destaque. Os dias 8 e 9 foram dois dias em que a comédia reinou, mas também houve espaço para narrativas mais pesadas.

LÊ MAIS: MOTELX’17 – A apoteose chega no fim do 3º dia

Berlin Syndrome – 9/10

(Secção Serviço de Quarto)

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Berlin Syndrome chega ao MOTELX já com o peso de Hounds of Love ter sido exibido na noite anterior. Não ficando a dever muito à obra-prima de Ben Young, o novo filme de Cate Shortland também é um thriller australiano sobre uma jovem raptada.

Está presente a óbvia frustração da protagonista se encontrar enclausurada e sem saída possível, mas a fita de Shortland versa sobre a obsessão física e amorosa e não sobre a violência.

Teresa Palmer tem o melhor papel da sua carreira, numa performance contida, mas destemida. Max Riemelt está lá sempre para a atormentar, num misto de entrega e apatia deveras perturbador.

Uma viagem desafiadora à chamada Síndrome de Estocolmo, num prédio desabitado na capital alemã, Berlin Syndrome é sem dúvida um dos pontos altos desta edição do festival.

La Noche del Virgen / The Night of the Virgin – 8/10

(Secção Prémio Melhor Longa de Terror Europeia)

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Hilariantemente chocante. É só assim que se pode descrever a obra de Roberto San Sebastián. La Noche del Virgen é um grande filme, não por toda a depravação e fantasia absurda que apresenta (ainda que tal ajude), mas sim pela eficácia do seu timing cómico.

O representante de Espanha na competição de longas-metragens europeias é uma pérola verdadeiramente original, daquelas que tão depressa nos tem a rir como a tapar a vista. Onde San Sebastián foi buscar a verdadeira inspiração para a mais chocante cena de maternidade que já vimos é uma incógnita, mas deixou a Sala 3 do Cinema São Jorge a aplaudir e a rir até às lágrimas.

Um verdadeiro clássico do MOTELX.

Busanhaeng / Train to Busan – 7/10

(Secção Serviço de Quarto)

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O grande sucesso de bilheteira sul-coreano do verão de 2016 chegou em pura adrenalina ao MOTELX. Busanhaeng não engana: veio da Ásia, mas é um bom blockbuster, um verdadeiro crowd pleaser que enfia num chinelo a esmagadora maioria dos filmes americanos de grande orçamento que nos inundam as salas semanalmente.

O surto zombie começa e é fácil apontar quem vai morrer, mas o caminho até chegar lá é uma diversão sem travões. Mas, mais que um bom filme de ação e ficção científica, Busanhaeng é um sentido drama familiar. Por vezes, parece demasiado genérico nos confrontos que apresenta, mas chega o desenlace e as emoções apoderam-se da audiência.

É um espetáculo de zombies, mas a fita de Sang-ho Yeon venceu-nos pelas lágrimas.

Game of Death – 2/10

(Secção Serviço de Quarto)

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Último filme da sessão dupla de sexta-feira à noite, de Game of Death não se podia esperar muito mais que as risadas e os facepalms. Infelizmente, as risadas aqui são curtas.

Game of Death é uma fita péssima, uma mescla de géneros e estilos que nunca bate certo e que nos faz questionar se a intenção era mesmo essa. Existem imensas oportunidades no filme para puxar o hilariante, mas é incrível como falham a maioria.

Não há muito a dizer da obra de Sebastien Landry e Laurence Morais-Lagace, senão que nunca tem sucesso na maioria das suas pretensões atípicas. Queríamos ter rido mais…

M.F.A. – 6/10

(Secção Serviço de Quarto)

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Protagonizado pela filha de Clint Eastwood, Francesca Eastwood, M.F.A. é um drama que podia ter muito a dizer sobre a visão que as instituições de ensino e autoridade têm face ao abuso sexual. Infelizmente, nuns curtos 95 minutos, apenas tem tempo para mostrar a vingança sangrenta através da qual a estudante de arte Noelle floresce a inspiração para as suas telas.

Ainda assim, o filme de Natalia Leite é uma obra competente, com uma narrativa interessante, mas podia ser bem melhor, um estudo de personagem mais aprofundado.

De verdadeira nota é Eastwood, que dá uma performance sentida. Ficamos com curiosidade em ver o que fará daqui para a frente.

Cult of Chucky – 4/10

(Secção Serviço de Quarto)

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O boneco diabólico está de volta, em mais uma sequela direta para vídeo. Felizmente o MOTELX dá-nos o privilégio de poder assistir à nova chacina de Chucky no grande ecrã.

Cult of Chucky, cinematograficamente falando, está longe de ser um portento, qualquer que seja o fator que queiramos considerar. No entanto, é sempre um prazer rever o boneco mais icónico do cinema de terror (sai, Annabelle, és irrelevante), testemunhá-lo a matar com tanta felicidade e a proferir os maiores impropérios com a clássica voz de Brad Dourif.

Este é daqueles raros casos em que o filme é mau, mas nem nos importamos: o que vale é rir com as diabruras de Chucky. Venha a próxima sequela, que deste nunca nos cansamos.

Kodoku: Mîtobôru Mashin / Meatball Machine Kodoku – ?/10

(Secção Serviço de Quarto)

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Não existem verdadeiras palavras para descrever o japonês Kodoku: Mîtobôru Mashin, portanto achámos por bem nem dar uma nota ao filme de Yoshihiro Nishimura.

O melhor que podemos dizer de toda a loucura sci-fi que começou a passar no ecrã da sala Manoel de Oliveira, por volta da 1h45 já de domingo, é que este filme é o pináculo do que o segundo filme de uma sessão dupla do MOTELX deve ser. Tantos houve que abandonaram a sala por não conseguirem encontrar a diversão numa fita tão peculiarmente alienada dos valores culturais do ocidente, mas muitos mais ficaram até ao fim, para rir, aplaudir e celebrar a obra mais estupidamente camp a passar na 11.ª edição do festival.

Foi magnífico de se ver e já nos deixou a salivar pelas ricas pérolas do ano que vem.