Após seis temporadas (umas melhores que outras), repletas de sustos, sangue e sexo, eis que chega a sétima temporada de American Horror Story, desta vez com o título Cult. O primeiro episódio, intitulado Election Night, estreou no canal FX no dia 5 de setembro, oferecendo um começo que, na verdade, não aqueceu nem arrefeceu…

Como já havia sido divulgado, a ação começa na fatídica noite de eleição de novembro passado, com uma montagem das campanhas de Donald Trump e Hillary Clinton. Não se preocupem, não vão ser 11 episódios baseados em política. Mas há que começar por algum lado.

A veterana Sarah Paulson, favorita do criador Ryan Murphy, regressa no papel de Ally, casada com Ivy (Alison Pill) e com quem tem um filho, Oz (Cooper Dodson). Juntamente com os seus vizinhos, os Chang, a família assiste em direto aos resultados da eleição.American Horror Story

Do outro lado da pequena cidade americana, Kai (Evan Peters), uma personagem desde cedo peculiar e com um cabelo azul tão fascinante quanto nojento, está também em frente à televisão. Quando Trump é anunciado presidente, Kai entra em euforia e celebração, à medida que Ally, na sua casa, se desfaz em lágrimas e desespero.

Na cena seguinte, um casal está, em plena luz do dia, prestes a fazer sexo no meio da floresta, até que o famoso palhaço Twisty (John Caroll Lynch) aparece para os matar – primeiro a ele e depois a ela. Twisty, como sabemos, foi um dos antagonistas da quarta temporada da série, e parece estar de regresso pelo simples motivo de que AHS quer interligar as temporadas anteriores mas ainda não sabe bem como.

No entanto, os palhaços parecem ser um tema recorrente nesta sétima corrida. Após os resultados da eleição, Ally volta a ser dominada pelas suas antigas paranóias, nomeadamente extrema ansiedade, tripofobia (medo de buracos) e coulrofobia (medo de palhaços).American Horror Story

As suas fobias atacam-na em momentos críticos: por exemplo, durante um jantar romântico com a sua esposa ou numa ida solitária à mercearia local. Nesta última, Ally acredita estar a ser perseguida por palhaços assassinos e a sua solução é fugir com uma garrafa de vinho na mão. Exatamente o que todos faríamos, creio eu.

Enquanto isso, Kai apresenta um discurso, proclamando de que o ser humano vive à base do medo e de que a solução para a verdadeira liberdade é a diminuição de proteção – menos polícia, menos leis, menos tudo. Ele chega até a provocar um grupo de hispânicos com um preservativo cheio de urina, até que o grupo riposta com murros e pontapés.

Nova na série e com uma entrada em grande é Billie Lourd, que representa Winter, irmã de Kai. Apoiante de Clinton, a jovem acaba por conseguir emprego como babysitter de Oz. Inocente ao início, Winter rapidamente apresenta a criança a cenas de palhaços e cadáveres, com o pretexto de que o tornará mais forte.American Horror Story

Ally e Ivy possuem um restaurante e as coisas parecem estar a correr bem por lá mas não tão bem no seu casamento. Ally fica gradualmente louca com as suas fobias e Ivy não encontra quaisquer provas das suas acusações. A típica história de “onde está a rapariga pela qual me apaixonei e com quem casei?”

Sozinhos em casa, Winter e Oz assistem ao aparecimento de palhaços (desta vez verdadeiros), que assaltam a casa dos Changs e matam o casal. Ally e Ivy chegam a tempo de confrontar a polícia, que acredita que tal se trata de um caso de assassínio-suicídio. O episódio termina com Ally a acordar a meio da noite, dando de caras com um palhaço ao seu lado na cama.

Não restam dúvidas de que esta temporada de American Horror Story pretende explorar a cultura do medo – o que é que nos assusta e de que forma é que isso altera as nossas vidas? Numa época política em que se toda a gente acreditava que o verdadeiro monstro vive na casa branca, a série pretende mostrar que os grandes demónios vivem dentro de nós.American Horror Story

Por muito bonita que seja esta ideia, tudo o resto ficou-se pela metade. Ally é a típica Paulson choramingona e aos gritos, Kai é um lunático que promete causar problemas e Ivy revelou-se um autêntico pão sem sal. O destaque vai para Winter, tão misteriosa quanto fascinante e interpretada de forma interessante por Lourd.

American Horror Story padece de um problema há já largos anos: a falta de direção. As temporadas parecem apalpar terreno do início ao fim, sem uma narrativa definida, e este episódio não foi exceção. Palhaços assassinos, personagens dúbias e uma boa dose de sangue não foram suficientes para um bom começo.

NOTA: 5/10