Estação Aberta‘ foi o lema escolhido para lançar as novas grelhas dos canais da RTP. A estação pública “aposta na diversidade” para a rentrée e o motivo é simples. Daniel Deusdado, diretor do primeiro canal, acredita que “é mais enriquecedor para os telespectadores, ajuda as pessoas a perceber que na RTP podem ser surpreendidas”

Os outros canais, e eu compreendo a lógica deles, têm lá sempre o mesmo produto à hora certa. Aqui, na RTP, vale a pena espreitar… porque há uma surpresa. Uma ficção de que se gosta, um documentário novo, um filme diferente, uma ficção histórica diferente, um formato internacional que chegou. A aposta passa pela surpresa e pela inovação”, continua o responsável.

Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP1

Quatro novas séries nacionais

As séries portuguesas já não são surpresa. Desde janeiro de 2016, já foram 17 as séries em que a RTP foi emissora, produtora ou co-produtora, descreve o administrador do grupo público para a área dos conteúdos. “Foi a primeira aposta que fizemos. Havia uma lacuna em Portugal: a não-existência regular de séries. Cabia à RTP, até do ponto de vista cultural, fazer alguma coisa”, assume Nuno Artur Silva.

Desta vez, são quatro as novas produções. Três avançam no Canal 1A Criação, que estreia a 19 de setembro e se passa num mundo alternativo em que os criativos de publicidade são animais e os clientes são pessoas, País Irmão, em que o governo se propõe a abafar um problema criando uma telenovela, gerando algum caos humorístico, e ainda 1986, uma viagem nostálgica aos anos 80, da autoria de Ana e Nuno Markl. Esta última só para ver a partir de novembro.

A quarta série vai ter um local pouco habitual: a RTP2. O segundo canal da emissora estatal volta à produção de séries próprias lançando 4Play. Teresa Paixão, diretora da 2, descreve-a como “uma série sobre gente boémia, que gosta de copos, que se deita e acorda tarde, que não sabe a morada do quarto onde dormiu, mas que tem boas intenções”.

E deixa um aviso: “Estreia dia 28 de setembro à meia-noite e meia, mas eu não aconselho ninguém a convidar a mãe ou os filhos para ver a estreia em conjunto”.

Daniel Deusdado desvaloriza que as audiências das apostas dos canais estatais possam ser mais baixas. “Eu acho que estamos a acrescentar valor às coisas. Se as grelhas pudessem ser pesadas ao quilo e não à audiência, e se o quilo pudesse representar os valores, a qualidade, o conceito se calhar era outro.

O responsável confia que a programação do primeiro canal está a tentar “incorporar experiência, emoção que reflete pensamento, e isso deixa-nos com a sensação de que estamos a usar um bem preciosíssimo, que é o dinheiro público, o dinheiro das pessoas. E queremos evitar defraudar e que ele seja mais gasto. Queremos acrescentar qualquer coisa que fique para o património do país.

A ‘pesca à linha’ para encontrar a melhor ficção do mundo

Nuno Artur Silva refere que também faz parte da missão de serviço público a transmissão das melhores séries internacionais, nomeadamente europeias. “Estamos a exibir na RTP2 o padrão de séries que gostaríamos um dia de produzir na RTP1”.

“Se a oferta no cabo está, sobretudo, saturada de séries americanas, a RTP2 vai à procura, à pesca à linha, das melhores séries europeias. E algumas também na RTP1”. Exemplo desta escolha é a nova aposta do segundo canal: Gerente da Noite.

A série, emitida em 2016 pela BBC, foi aclamada pela crítica, tendo conquistado um Emmy e três Globos de Ouro. Marca o regresso de Hugh Laurie à ficção, numa história em que dá vida a Richard Roper, “o homem mais odiado do mundo” e um poderoso traficante de armas, com ligações aos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos.

No entanto, a aposta não ficará por aqui. Teresa Paixão promete, ainda para o mês de setembro, a segunda temporada da história iniciada com 1992. Chama-se 1993 e leva-nos até aos bastidores da política italiana num ano decisivo: o da entrada em cena de Silvio Berlusconi.

Na RTP1, as séries estrangeiras continuam em cena ao final da noite. Vem aí a segunda temporada de Vitória, série histórica que tem estado no ar aos sábados, e ainda Happy Valley. Esta produção, de 2014, foca-se na vida dramática de Catherine Cawood (Sarah Lancashire), uma sargento da polícia de West Yorkshire que, além de lidar diariamente com o crime, perdeu a filha, divorciou-se do marido e tem de criar o neto.

Desporto, desporto, desporto

Hugo Gilberto, diretor-adjunto de informação da RTP, e responsável pelo setor desportivo na programação dos vários canais, destaca a forte presença do desporto nas grelhas. São mais de 750 horas de desporto no próximo ano, o que, segundo o próprio, corresponde a “duas horas de desporto por dia (…) mais do que qualquer médico aconselharia”.

A Liga dos Campeões e a Seleção Nacional continuam a ter a emissora estatal como casa, mas a nova temporada traz boa companhia. A Liga Portuguesa de Basquetebol volta a ter um jogo por jornada a passar nas tardes do Desporto 2, os Europeus de Atletismo 2018 também terão transmissão no segundo canal e haverá ainda a presença dos campeonatos mundiais de hóquei em patins, canoagem e judo.

Continuarão também em antena as grandes provas do ciclismo, como o Tour de França ou a Volta a Portugal e ainda a etapa portuguesa dos mundiais de surf. A campanha da seleção feminina de futebol, a lutar por uma vaga no mundial, terá transmissão televisiva na RTP1.

volta à frança

Este diretor destaca que as modalidades continuarão a ter como casa habitual a RTP2,mas quando combinam o interesse informativo com a transmissão desportiva podem jogar na RTP3 e quando são grandes acontecimentos apresentam-se na RTP1”.

Em atualização, 19h25.