A série Conta-me como Foi vai regressar à antena com uma nova transmissão na RTP Memória. Gonçalo Madaíl, subdiretor da RTP, confirmou ao Espalha-Factos a “boa notícia“.

À margem da apresentação das novas grelhas do canal público, que não incluiu as novas apostas do canal de arquivo, o responsável da estação pública adianta que “as surpresas e regressos” da Memória só chegam, em força, a partir de outubro.

Em primeira mão ao EF, foi anunciado que Conta-me Como Foi vai voltar para ser dada oportunidade “ao público da Televisão Digital Terrestre (TDT), que ainda não pôde revê-la e que o poderá fazer agora“.

A série portuguesa, transmitida pela RTP1 entre 2007 e 2011, é a versão adaptada de Cuéntame cómo pasó e retrata, pelo olhar de Carlitos (Luís Ganito), o final da década de 60 num Portugal ainda a viver em ditadura, uma sociedade fechada sobre si, em que era difícil a descoberta dos papéis e ambições sociais do homem e da mulher, a vivência entre jovens e idosos e o ultrapassar dos tabus de uma época.

RTP Memória quadriplicou na TDT

Visivelmente satisfeito com os resultados do canal, que aumentou em 300% a sua audiência depois da passagem à TDT, Gonçalo Madaíl dá conta de um público participativo. O novo público da estação “exige a transmissão de alguns programas“, numa busca incessante por novos conteúdos, principalmente da memória televisiva “dos anos 80 e 90, que representam a infância do público com idade entre os 20 e os 30 anos“.

A redescoberta de conteúdos a partir dos anos 80 e 90 é alucinante. É quase agressiva a forma como os mais novos nos contactam, porque têm outra destreza na exploração das ferramentas sociais. A juventude dentro da equipa, que é visível no Júlio Isidro, e a nova juventude que contacta connosco, que se vê no nosso Facebook explosivo, e que mantém a marca viva fora da emissão“, descreve o subdiretor da emissora estatal.

Júlio Isidro, a principal cara da estação, voltará agora com novas temporadas de Inesquecível e Traz prá Frente. Relata que, com a chegada da estação à Televisão Digital Terrestre, sente “uma nova popularidade e notoriedade” para um canal “que deixou de ser a memória de alguns e passou a ser a memória de todos, até daqueles que não têm memória“, adiantando que as audiências demonstram uma adesão cada vez maior dos jovens.

De acordo com a GfK, a RTP Memória passou de um share médio de 0,26% nos primeiros oito meses de 2016 para 1,03% nos primeiros oito meses de 2017. Nas faixas etárias mais jovens (4 aos 14, 15 aos 24 e 25 aos 34 anos), o aumento foi ainda mais significativo. As audiências alcançaram valores seis ou sete vezes superiores aos registados anteriormente.