Celebrando-se este ano o segundo centenário da morte da escritora inglesa inglesa Jane Austen, a editora Guerra e Paz publica, este mês, uma nova edição da obra-prima da autora, Orgulho e Preconceito. A editora assinala ainda ‘sem preconceitos’ seis escritores que o odiaram.

Autores como Charlotte Brontë, Virginia Woolf, Mark Twain, e Ralph Waldo Emerson, ou até mesmo Winston Churchill, odiaram o livro. Ainda assim, é hoje em dia um dos romances mais lidos de sempre e tantas vezes adaptado para cinema e televisão, chegando mesmo a ser popularmente eleito como “o melhor romance de todos os tempos”, afirma a editora.

Harold Bloom, professor e crítico literário norte-americano e considerado uma das maiores autoridades mundiais da grande literatura, afirmou, tal como Italo Calvino em Porquê Ler os Clássicos?, que o verdadeiro valor do romance está no facto de já o ter relido e de ter descoberto nele as alegrias da primeira leitura.

Por isso mesmo, com orgulho e sem preconceito, e assinalando o bicentenário da morte de Jane Austen, a editora publica uma das mais aclamadas obras da literatura mundial, com uma nova tradução, de Diogo Ourique. A nova edição conta ainda com nota introdutória, lista de personagens e considerações dos escritores T. S. Eliot e Ernest Hemingway.

A nova edição chega às livrarias no próximo dia 6 e reflete o tempo em que as filhas não herdavam as posses dos pais, abordando os costumes da sociedade burguesa e aristocrática inglesa dos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX.

A autora

Orgulho e Preconceito foi escrito sob anonimato por uma jovem com 19 anos, em 1796, mas foi só publicado em 1813, depois de ter sido recusado por um primeiro editor.

Editado em três volumes, a história da família Bennett e das suas cinco filhas solteiras esgotou em poucos meses. Apesar disso, recebeu apenas um único elogio durante a vida da autora, por parte de Walter Scott.

nova edição

Foto: Flickr

A escrita de Jane Austen acabou por influenciar Walter Scott, da mesma forma que influenciou George Eliot, na verdade Mary Ann Evans, uma escritora da era vitoriana (que usou um pseudónimo masculino para que os seus trabalhos fossem aceites e levados a sério).

A produção da autora inglesa compreende Sensibilidade e Bom Senso, de 1811, Orgulho e Preconceito, de 1813, Mansfield Park, de 1814, Emma, de 1816 e, publicadas postumamente, Persuasão, de 1818, e A Abadia de Northanger, de 1818.

A escritora morreu a 18 de julho de 1817, em Winchester, vítima de tuberculose. E duzentos anos depois, a sua obra, inscrita no período do romantismo, ultrapassa qualquer corrente literária, mantendo-se pela sua intemporalidade, universalidade e inesquecíveis personagens.

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