O grupo Impresa, que inclui a SIC, o Expresso e várias outras publicações, tenciona diminuir a sua presença na imprensa e encerrar ou vender todas as revistas, entre as quais a Visão.

O jornal Público avança que, numa reunião entre a administração da holding e os diretores das revistas, a única garantia é que não há intenção de fechar ou vender o Expresso, primeira publicação do grupo e semanário há mais tempo em operação.

Na propriedade da Impresa estão 13 títulos, tão diversos como Courrier Internacional, Telenovelas, Caras, Caras Decoração, Activa, Exame, Exame Informática, TV Mais, Visão, Visão História, Visão Júnior, Blitz e Jornal de Letras.

13 revistas, todas vendidas ou encerradas

Todas as revistas referidas vão ser vendidas ou encerradas, confirma o Dinheiro Vivo. De acordo com o económico, a decisão surge como consequência de uma reorientação estratégica com enfoque principal no digital e no audiovisual.

O objetivo é abandonar todo o investimento relacionado com revistas e publicações em papel, com exceção do Expresso. O cenário, que não se colocava há um mês, terá surgido por pressão dos bancos credores da Impresa, avança o Dinheiro Vivo.

A mesma publicação refere que o grupo está em conversações com, pelo menos, três potenciais compradores de influência nacional. As revistas estão avaliadas em cerca de 32 milhões de euros atualmente, mas as imparidades relativas ao segmento poderão superar os 50 milhões.

IMPRESA Publishing

O segmento de ‘Publishing’ da Impresa ficará extinto até ao fim do ano

 

Os resultados do segundo trimestre de 2017 apontam uma quebra de 7,6% nas receitas do segmento de publishing, quando comparado com igual período do ano passado. A quebra das receitas publicitárias, de 11,9%, contribuiu para o cenário negro, apesar da circulação ter tido um reduzido crescimento, de 0,3%. A venda de produtos alternativos também esteve em queda, representando menos 29,3% que no ano passado.

A Visão, com uma circulação de 63.627 exemplares de acordo com a última vaga do Bareme Imprensa, tem sido a revista mais vendida do grupo. No entanto, este valores correspondentes a março e abril de 2017, representam uma redução de 8.157 exemplares em relação ao período homólogo. A newsmagazine mais lida em Portugal conta com cerca de 50 colaboradores diretos, além de outros indiretos e prestadores de serviços.

O jornal Dinheiro Vivo adianta que não há um timing definitivo para a execução da venda, mas que a pressão dos credores é para que esta aconteça até ao final de 2017.

Conselho de Redação solidário com direção editorial

O Conselho de Redação (CR) da revista Visão lamentou a “profunda alteração estratégica” que a Impresa irá levar a cabo, sublinhando a “recuperação assinalável” da revista, cuja performance financeira e de vendas foi elogiada pela administração na última apresentação de resultados.

As projeções indicam que este ano será a primeira vez desde 2013 que a publicação terminará com um EBITDA (resultado antes de impostos) positivo. Os jornalistas mostraram-se solidários com a direção editorial da revista para que procurem “soluções que viabilizem o futuro da publicação“, há 24 anos em atividade e líder no seu segmento.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) também reagiu, tendo mostrado “preocupação com a agitação no grupo Impresa”. A direção do SJ solicitou uma reunião urgente com Francisco Pinto Balsemão para que este possa prestar esclarecimentos.

Os representantes sindicais lamentam ainda que, “neste quadro, o Conselho de Administração não tenha em conta a situação laboral de cerca de duas centenas de trabalhadores”.

Falha na emissão obrigacionista leva a redefinição estratégica

A 21 de julho, a Impresa anunciou a interrupção do processo de emissão de obrigações para investidores qualificados que tinha sido anunciada 18 dias antes. A decisão, justificada pelas “alterações recentes no setor dos media” e pelo impacto causado pelas mesmas no “sentimento da comunidade de investidores“, foi vista como um passo atrás por parte da administração da empresa depois da aquisição da Media Capital pela MEO.

Na mesma altura, a holding garantia continuar “a acompanhar com atenção e dinamismo a evolução do mercado, de modo a detectar e antecipar o surgimento de condições que favoreçam a estratégia do grupo“.

balsemao

Hoje, em comunicado, a Impresa adianta que “procederá a um reposicionamento estratégico da sua atividade, que implicará uma redução da sua exposição ao setor das revistas e um enfoque primordialmente nas componentes do audiovisual e do digital“.

A prioridade é, de acordo com os responsáveis, “continuar a melhorar a situação financeira do grupo, assegurando a sua sustentabilidade económica e, consequentemente, a sua independência editorial“.

O grupo empresarial pertencente a Francisco Pinto Balsemão tem como presidente executivo o filho, Francisco Pedro Balsemão, de 36 anos, desde o início do ano passado. Esta mudança na estrutura de liderança da empresa foi mais um passo numa sequência de movimentos para a reorganização do funcionamento da Impresa ao nível da gestão de topo.

 

Atualizado às 20h37, 23/08 – Declarações do Sindicato dos Jornalistas e Conselho de Redação