teatro estático
Teatro estático. Fernando Pessoa

‘Teatro Estático. Fernando Pessoa’ reúne toda a dramaturgia do poeta

Na próxima sexta-feira, dia 25, será publicado o livro Teatro Estático. Fernando Pessoa, numa edição de Filipa de Freitas e Patricio Ferrari, sob a chancela da editora Tinta-da-China, que reúne toda a criação teatral do poeta.

Teatro Estático. Fernando Pessoa reúne 14 peças e muitos materiais inéditos de um dos maiores poetas do século XX, mostrando uma das suas facetas criativas, segundo comunicado da editora.

Pela primeira vez, é reunida num só volume toda a dramaturgia de Fernando Pessoa.

O Marinheiro, peça publicada no primeiro número da revista Orpheu, é das mais conhecidas da sua bibliografia. Mas esta não foi a única criação teatral do poeta.

A dramaturgia ocupou um lugar de destaque na obra pessoana, pela sua diversidade e pela experiência essencial para o desenvolvimento da heteronímia.

O teatro estático teve dois períodos distintos: o primeiro, mais significativo, que engloba a maior parte das peças, entre 1913/1914 e 1918; e o segundo, entre 1932 e 1934, altura em que Pessoa retomou o teatro estático, escrevendo alguns textos onde se revelam as almas e os temas fundamentais pessoanos.

Neste volume, os leitores têm a possibilidade de conhecer algumas peças ou fragmentos desta vertente literária do poeta: O Marinheiro, Dialogo no Jardim do Palácio, A Morte do Príncipe, As Cousas, Dialogo na Sombra, Os Emigrantes, Inércia, Os Estrangeiros, A Cadella, Sakyamuni, Salomé, A Casa dos Mortos, Calvário e Intervenção Cirúrgica.

São textos, que se diferenciam do teatro dinâmico, pela apresentação de almas ou inércias que não agem, como caracterizou o próprio Fernando Pessoa.

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Foto: divulgação

Sobre o poeta…

Nasceu em Lisboa em 1888 e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto.

Aí, fez os estudos secundários, obtendo excelentes resultados.

Em fins de 1903, fez o exame de admissão à Universidade do Cabo. Por esta altura, é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas.

Em 1905, regressou definitivamente a Portugal; no ano seguinte, matriculou-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandonou-o em 1907.

Trabalhou como ‘correspondente estrangeiro’.

Em 1912, estreou-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística.

O ano de 1914 ficou marcado com a criação dos seus 3 conhecidos heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Criou, ainda, o semi-heterónimo Bernardo Soares.

Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros e outros, lança Orpheu, a revista que dá origem ao Modernismo.

Dividiu a sua vida entre o convívio discreto com os amigos e a escrita.

É ainda hoje considerado um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura e um dos poucos escritores portugueses internacionalmente conhecidos, pelo sensacionismo, pela vanguarda e misticismo presentes na sua obra.

Teve um papel fundamental no desenvolvimento de toda a produção poética portuguesa do século XX.

A sua obra deu-nos a conhecer um olhar simultaneamente múltiplo e unitário da vida.

Faleceu em 1935, tendo deixado apenas um livro publicado em português – Mensagem.

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