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Vodafone Paredes de Coura: a música é para sempre (II)

O segundo dia do Vodafone Paredes de Coura ficará para a história do festival como o dia em que duas gerações se encontraram para receber pela primeira vez em Portugal os At the Drive-In. Mas também o momento de reforço do amor com Car Seat Headrest, King Krule e Nick Murphy.

O arranque deste segundo dia do Vodafone Paredes de Coura faz-se em português solarengo. As temperaturas a isso ajudam e os sons delicodoces de You Can’t Win Charlie Brown sugerem isso mesmo. O sexteto continua a deliciar o público e a mostrar como Marrow, o disco lançado no ano passado, é uma excelente pérola.

Cimentando as relações encetadas com os portugueses no NOS Primavera Sound, o ano passado, os Car Seat Headrest vieram deliciar o muito público que ao fim da tarde já se encontrava no anfiteatro de Coura.

Canções juvenis com virtuosismo a piscar o olho a um futuro brilhante, Will Toledo e C.ª chegaram, viram e venceram, com temas como (Joe Gets Kicked Out of School for Using) Drugs With Friends (But Says This Isn’t a Problem) ou Drunk Drivers/Killer Whales.

No fim, ainda distorcendo War Is Coming (If You Want It), puseram-se rapidamente a arrumar os seus materiais (quem se lembra dos Arcade Fire a fazer o mesmo, em 2005?) e abandonaram o palco debaixo de uma sentida ovação. Sabemos que esta é a próxima grande banda. Têm a genialidade, a jovialidade e a identidade que ajudam a prever o bonito futuro que aí vem.

Quem também padece destes maravilhosos males é King Krule. Menos de 23 anos no bilhete de identidade, corpo de franguinho tenro e voz de homem durão, chegou com mais cinco músicos para, com o melhor som de palco que experimentamos até ao momento, deixar pequenos e graúdos de queixo caído.

Archy Marchall (que já foi Zoo Kid) que se estreou em 2013 com 6 Feet Beneath the Moon, pode não ter a idade mas tem a alma dos grandes músicos e sabe como poucos nesta idade misturar os diversos géneros musicais. Num momento estamos a rockar, de seguida há muito jazz e o saxofone a dar o tom certo, para depois a eletrónica e o rap ocuparem o palco.

Easy Easy é entoada em coro, Basquiat é invocado, os novos temas são recebidos com respeito e admiração. Krule, no seu dente de oiro que faz antever uma infância à “Little England”, atua tão tímido como absorto no seu mundo, deixando aqui e ali escapar um sorriso de surpresa. Tem também um excelente futuro, sabemos.

No Palco Vodafone.Fm os Ho99or (lê-se Horror) espalhavam o caos provocando mosh do pit até à régie. O hip hop experimental regado pela agressividade do punk hardcore fizeram explodir a tenda também por culpa dos incendiário theOGM e Eaddy, os verdadeiros mestres deste massacre servido a todo o gás.

Foi, portanto, excelente o aquecimento para aqueles que na frente do palco principal deram tudo no crowdsurf, assim que Cedric Bixler-Zavala e os At The Drive-In entraram em palco. O regresso da banda ao mundo da música foi muito aplaudido e, mesmo que Interalia, recentemente editado, não seja um disco de cair para o lado, ao vivo os novos temas resultaram quase sempre tão bem como os clássicos Arcarsenal, Pattern Against User, Sleepwalk Capsules ou a muito aguardada One Armed Scissor, todas tiradas do icónico Relationship of Command lançado em 2000. A viagem também se fez mais atrás para Napolean Solo.

Em todos estes momentos a energia entre público e palco foi contagiante. Se Omar continua a parecer um puto imberbe e Cedric pinta a manta como uma fera enjaulada (o micro foi mandado ao fosso, trepou colunas e saltou delas, esfregou-se no chão como um animal em sofrimento e até foi esmagado por uma coluna) na frente de palco os mais velhos cantavam cada letra, cada refrão, suportados pelos mais novos que, mesmo desconhecedores de tal fúria, não se escusaram a um dos mais bonitos moshes que vimos em Coura.

Cedric não se escusou ainda a comentar os acontecimentos internacionais que marcaram o dia lembrando que “Só podemos fazer isto se nos amarmos e aceitarmos uns aos outros”. É a música a unir as pessoas e a ser veículo de intervenção hoje, como desde o início.

E se alguns abandonaram a frente de palco, outros tantos se concentraram para outro dos concertos mais aguardados da noite. Nick Murphy chegava tranquilo, cheio de amor, com os temas que sempre lhe conhecemos enquanto Chet Faker, mostrando que a mudança de nome mais não é do que um pormenor.

Atento ao pormenor foi sim o concerto, de uma perfeição inabalável, em que cada palavra dita, cada luz emitida (também pelo público especialmente durante Stop Me (Stop You)), cada tema de Built on Glass escolhido para o momento certo. O ambiente, fabuloso, foi de amor profundo. Porque já sabemos, a música é para sempre.

O Vodafone Paredes de Coura recebe hoje Bruno Pernadas, Moon Duo, Japandroids e Beach House, entre outros.

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