Sapatos rubi e um arco-íris: 78 anos de ‘O Feiticeiro de Oz’

O dia 25 de agosto marca a data de estreia de um dos mais famosos musicais do século XX e do cinema mundial, O Feiticeiro de Oz. Baseado no romance infantil de L. Frank Baum, a narrativa conta a história de Dorothy, uma jovem rapariga que é acidentalmente arrastada por um tornado desde a sua quinta no Kansas até à mágica terra de Oz. Dorothy deverá então procurar o feiticeiro de Oz, a única pessoa que a pode ajudar a regressar a casa.

A viagem da heroína desde o Kansas, pela estrada de tijolos amarelos até à cidade Esmeralda é uma descoberta pessoal. Dorothy depara-se com um espantalho sem inteligência, um homem de lata sem coração, um leão sem coragem e um feiticeiro sem magia. Aqui todos se sentem incompletos, servos do fantástico e do sonho, na concretização dos seus mais desesperados pedidos. Quando a cortina cai tudo é um recomeço, a ilusão infantil é deixada para trás.

O espantalho (Ray Boldger), o homem de lata (Jack Haley), Dorothy (July Garland) e o leão cobarde (Bert Lahr)
O espantalho (Ray Boldger), o homem de lata (Jack Haley), Dorothy (July Garland) e o leão cobarde (Bert Lahr)

A adaptação é imortalizada pela prestação da jovem Judy Garland, com apenas 16 anos no período de gravação, e pelo petrificante desempenho de Margaret Hamilton enquanto Bruxa Má do Oeste. É responsável ainda pelo lançamento de Garland para o estrelato, tornando-a numa das grandes estrelas cinematográficas da “Época de Ouro” do cinema norte-americano. A película é também exponente máximo desta era fílmica. Considerado uma obra-prima de design de cenários, vestuário, coreografias, músicas, letras, narrativa e de imaginação. Vencedor de dois Oscars ( melhor banda sonora original e melhor música original, com Over the Rainbow) é um dos maiores símbolos da cultura popular contemporânea.

Margaret Hamilton enquanto Bruxa Má do Oeste
Margaret Hamilton enquanto Bruxa Má do Oeste

Foram necessários 14 argumentistas diferentes e 5 realizadores para trazer a história de Baum para o grande ecrã, sendo que a sua construção técnica constituiu uma marca na forma de fazer cinema. A música e os imponentes cenários, aliados a uma caracterização extremamente desenvolvida para a época contribuem para a composição imagética. Ao mesmo tempo que estabelecem uma poderosa ligação com um universo característico. Universo esse que nunca poderá ser substituído ou recriado por CGI ou qualquer outra aplicação moderna. A historicidade presente na música ou nas cores de Oz são revitalizadores do elo que este mantém com a época de produção, captando a atmosfera de um mundo mágico dos anos 30.

Cenário de "O Feiticeiro de Oz"
Cenário de “O Feiticeiro de Oz”

“There’s no place like home!”

O Feiticeiro de Oz é um conto sobre sonhos, sobre crescimento e, principalmente, sobre a sociedade americana. É uma típica rapariga americana que tem de encontrar o caminho de volta para casa desde a “terra do nunca”. Aqui o inesperado e a descoberta são os seus maiores obstáculos. Todos os elementos que a rodeiam simbolizam algo que rompe com o campo fictício de Oz. A ruralidade do espantalho, a opacidade industrial do homem de lata , o politicismo de um leão bem falante e a disfarçada tecnologia do “falso profeta”(feiticeiro) são claras evidencias da transposição social no seio do conto. A América dos anos 30 revê-se em Dorothy, um jovem perdida numa terra de sonhos despromovida de magia.

July Garland enquanto Dorothy
July Garland enquanto Dorothy

Oz é um lugar de ilusão, que esconde, no seu aparente encanto, uma decepção juvenil que não pode durar. Existe um claro apelo à procura de algo que se perdeu. A famosa sequência de “Over the Rainbow” reflete esta mesma ideia, Dorothy canta sobre o lugar onde os sonhos se tornam realidade. No início somos facilmente levados a acreditar que será em Oz que voaremos sobre uma estrela. No entanto, Dorothy é assertiva ao proclamar o seu amor pelo seu lar no final do filme. “O desejo do meu coração está no meu próprio quintal” é aqui possível vislumbrar que os papeis sempre estiveram invertidos. Oz é o mundo lá fora, aquele que Dorothy terá que enfrentar e será  no arco-íris e no toque dos seus sapatos que o refugio da sua esperança é avistado. Dorothy não canta por Oz, canta afinal pelo Kansas.

 

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