Annabelle 2: A Criação do Mal – Esta boneca não morre, não

O cinema mainstream há muito que não via um hit de terror criar admiração geral junto das audiências mundiais quando The Conjuring – A Evocação estreou em 2013. Aclamado pela crítica e pelo público, arrecadaram-se mais de 300 milhões de dólares e ficou para a iconografia do cinema fantástico a curta aparição da boneca de porcelana Annabelle.

A demanda por uma história de origem para Annabelle era considerável, mas o spin-off homónimo que chegou em 2014 ficou longe de convencer os fãs de terror. Um ano depois da bem conseguida sequela de The Conjuring, chega agora às salas a prequela da prequela de Annabelle, Annabelle 2: A Criação do Mal. É desta que a porcelana amaldiçoada vai conseguir aterrorizar a solo?

Anos depois da morte da sua filha ainda criança (Samara Lee), Samuel Mullins (Anthony LaPaglia), um criador de bonecas, e a sua esposa acamada, Esther (Miranda Otto), acolhem uma freira (Stephanie Sigman) e seis raparigas órfãs na sua casa de campo, a fim de trazerem algum propósito ao quotidiano despedaçado. Não passa muito tempo até Janice (Talitha Bateman) e Linda (Lulu Wilson) entrarem num quarto que lhes era interdito. Depressa o casal e as órfãs vão ver-se a braços com a amaldiçoada Annabelle, há tantos anos guardada e finalmente à solta.

Annabelle 2

Estreado na realização de longas-metragens com Lights Out – Terror na Escuridão ainda no ano passado, o sueco David F. Sandberg regressa ao mundo do terror. Lights Out era uma fita simplista em intenções narrativas, que primava pela inventividade na sua tensão e sustos. Olhar para trás e pensar nessa curta obra, de 84 minutos somente, é lembrar um terceiro ato sem tréguas, em que a imaginação em levar avante com a sua básica premissa de terror floresce até ao clímax; não é portanto de estranhar que Annabelle 2 recaia no mesmo princípio.

O facto é que o novo filme de Sandberg não tem lá muito para contar. As personagens são modeladas q.b. – com ninguém que se destaque verdadeiramente para além de Otto e da pequena Wilson -, e o cenário da casa isolada no campo oferece a ansiedade em que a história quer tanto assentar; só que fora a construção do universo cinematográfico de The Conjuring, não há aqui nada que particularmente fique connosco. Nenhum twist, nenhuma revelação incrível, nada de mais.

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Annabelle 2 está é para os sustos, e as “brincadeiras” da boneca são de uma eficácia tremenda. São tantas as ocasiões aflitivas que às tantas poderíamos dar por nós a perguntar se não são de um grande despropósito, mas o esforço em levar avante com este terror dito fácil é tão bem executado que vamos na cantiga. E as sequências tensas, essas, parecem inacabáveis. A narrativa de Annabelle 2 pode não ter grandes reviravoltas, mas consegue deixar-nos assoberbados com a fluidez com que prolonga os seus momentos mais negros. Quando parece que finalmente a ansiedade vai acabar, a situação só piora; o terceiro ato, tal como o de Lights Out, é um festim qual jogo das escondidas, e os jump scares impõem-se, sempre precisos e potentes.

Annabelle 2

A (nova) história de origem da nova coqueluche do terror não é nada subtil na força aterrorizante que pretende demonstrar, mas só nesse âmbito bem sucedido a película de Sandberg já é um pequeno triunfo. O terror comercial anda pelas ruas da amargura, e, se ignorarmos o facto de que este filme chega às salas só com a função de fazer mais um check-in neste novo universo cinematográfico, ficamos ainda com algo que raramente estamos acostumados a ter nos tempos que correm: um filme de terror que nos faz rir de nervoso quando o susto acaba, em vez de rir de troça ainda antes de este chegar.

Parece bem básico, mas lá tem o seu mérito.

6/10

Título original: Annabelle: Creation
Realização: David F. Sandberg
Argumento: Gary Dauberman
Elenco: Talitha Bateman, Stephanie Sigman, Lulu Wilson, Miranda Otto, Anthony LaPaglia
Género: Terror, Mistério, Thriller
Duração: 109 minutos

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