Uma reportagem do jornal britânico The Guardian denunciou a situação precária de alguns trabalhadores dos refeitórios da empresa Facebook, na zona da Califórnia.

O artigo abre precisamente com a seguinte frase: “Enquanto o CEO do Facebook viaja pelos EUA para ‘conhecer os sonhos e desafios das pessoas’, os trabalhadores do refeitório da sua companhia lutam para pagar as suas despesas”. O texto dá conta de como a inflação de preços na Califórnia forçou a família entrevistada pelo The Guardian a viver com os seus três filhos numa garagem.

Com o seu trabalho anterior, e a receber 12 dólares por hora, o casal conseguia arrendar um apartamento, contudo, ainda que agora Nicole receba 19.85 dólares e Victor 17.85 dólares, confessam que a mudança do Facebook para a região veio tornar tudo insustentavelmente mais caro. “Antigamente, este salário seria um grande número, mas com o Facebook a mudar-se para cá tudo ficou tão caro. Às vezes tenho de pedir pequenos empréstimos. Mal conseguimos sobreviver”, disse Victor.

Para além disto, o casal revelou que dentro da empresa sente um contraste social tremendo em relação aos restantes trabalhadores de outras classes: “Eles olham para nós como se fossemos inferiores, como se não importássemos”, revelou Nicole. Numa alusão ao nome das cafetarias onde agora trabalha – Epic e Living the Dream -, acrescentou: Nós não vivemos o sonho. Os techies vivem o sonho. É para eles.”

Uma representante do Facebook disse que trabalhadores como Nicole ou Victor não beneficiam de acesso a espaços como clínicas, ginásios ou de dias para trazer as crianças para o local de trabalho, mas que outras políticas são implementadas para eles: “Estamos empenhados em fornecer um local de trabalho seguro e justo para todos os que ajudam o Facebook a criar um mundo mais unido”, afirmou a representante.

Na passada sexta-feira o casal integrou um conjunto de 500 outros trabalhadores de refeitório do Facebook selecionados para se juntar à Unite Here Local 19, o sindicato de trabalhadores que irá lutar pelos seus direitos e melhoramento de condições de trabalho.

Nicole garantiu que a intenção não é atacar qualquer empresa que seja, mas sim lutar pelas famílias dos trabalhadores: “Porque temos de viver assim se a empresa para a qual trabalhamos tem os recursos para melhorar a situação?”