A Warner Bros. vai iniciar uma grande campanha de promoção de Mulher-Maravilha para a época de prémios deste inverno. O objetivo é chegar aos Óscares com Mulher-Maravilha nomeado para Melhor Filme e Patty Jenkins nomeada para Melhor Realizador.

Segundo a Variety, a “formidável campanha” está prestes a entrar em marcha, não obstante os elevados custos de publicidade, de eventos com os participantes do filme e do envio de cópias marcadas do filme para votantes das associações e academias de prémios. O estúdio quer também reintroduzir o filme nas salas americanas no outono.

A acontecer, as nomeações para Melhor Filme e Melhor Realizador seriam as primeiras atribuídas a um filme baseado em banda-desenhada na história dos Óscares. Caso Jenkins seja nomeada, será a primeira mulher nomeada ao Óscar de Melhor Realizador desde 2010, ano em que Kathryn Bigelow foi nomeada – e vencedora – por Estado de Guerra. Bigelow permanece, até hoje, a única mulher a vencer o galardão.

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O prospeto destas eventuais nomeações é o mais recente passo de uma produção que tem quebrado recordes. Mulher-Maravilha foi o filme realizado por uma mulher com maior orçamento de sempre (cerca de 150 milhões de dólares) e a aposta teve sucesso: até à data, é já o 4.º filme mais lucrativo de 2017, com mais de 780 milhões de dólares arrecadados internacionalmente, e também o filme mais lucrativo de sempre realizado por uma mulher.

A aversão da Academia à banda-desenhada

Em 2009, Heath Ledger venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário, o que representou o primeiro prémio de uma das principais categorias dos Óscars a ser ganho por um filme baseado em BD. Apesar deste sucesso, foram muitas as vozes que se levantaram contra os Óscares quando, no mesmo ano, o filme em que Ledger entrou – o aclamado O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan – falhou a nomeação para Melhor Filme.

A revolta é tida como o motivo para o alargamento do leque de nomeados ao Óscar de Melhor Filme de 5 para 10, efetuado em 2010. Entretanto, as regras foram alteradas: desde 2012, conforme a quantidade de votos nas nomeações para Melhor Filme, o número de filmes pode estar entre 5 e 10.

O alargamento surtiu o seu efeito: desde 2010 que blockbusters, como A Origem (em 2011), Gravidade (em 2014), Mad Max: Estrada da Fúria e Perdido em Marte (ambos em 2016), encontraram o seu lugar nas nomeações ao grande Óscar.

Ainda está para chegar, no entanto, uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme para uma obra baseada em banda-desenhada. Desde 2010, Deadpool foi, discutivelmente, o filme que esteve mais perto deste feito que Mulher-Maravilha procura agora alcançar.