Esta semana foi marcada pelo regresso dos Allah-Las a Portugal. Depois de uma apresentação ao público luso na 23.ª edição do Vodafone Paredes de Coura, os californianos estrearam-se em Lisboa, no palco do Musicbox.

A história dos Allah-Las remonta ao ano de 2008, num cenário bastante digno de filme. Matthew Correia (baterista), Spencer Dunham (baixista) e Pedrum Siadatian (guitarrista) trabalhavam na Amoeba, em Los Angeles, a reconhecida loja de música americana.

Na altura, aproveitavam algum tempo do seu expediente para conhecerem um pouco melhor a música que lhes agradava e viria a influenciar a sonoridade garagista e psicadélica da banda. Mais tarde, ao trio juntou-se Miles Michaud (vocalista e guitarrista) e, até ao momento, já lançaram três álbuns.

O concerto da passada quarta-feira (26) foi o primeiro da tour europeia da banda, que veio com o intuito de apresentar o mais recente trabalho, Calico Review (2016). O evento anunciado há alguns meses esgotou na última semana e a necessidade de garantir a presença na sala de música do Cais do Sodré espelhou-se na reação do público a cada tema tocado.

As portas do número 24 da Rua Nova do Carvalho aka Rua Cor-de-Rosa abriram-se às 22h para receber a audiência. Lentamente, a sala foi enchendo e as pessoas iam acomodando-se. Alguns saltaram diretamente para a frontline, enquanto outros ficavam à conversa junto ao balcão. Durante cinquenta minutos, o burburinho foi alimentado pelos instrumentais escolhidos pelo DJ, com direito a Pet Sounds, dos Beach Boys.

Os quatro Allah de LA

Faltavam 10 minutos para as 23 horas, quando os Allah-Las subiram ao palco do Musicbox com casa bem cheia para os receber. Entraram os quatro com camisola branca e com um teclista de apoio. Michaud, envergando um chapéu à cavaleiro, saudou o público e afirmou como era bom estar de volta. Deu-se início às hostes com Ferus Gallery, faixa do segundo álbum da banda, Worship the Sun (2014).

Ao longo de uma hora e meia, tivemos a oportunidade de ouvir temas como Sacred Hands, Tell Me (What’s On Your Mind), No Voodoo, Catalina Terra Ignota. Chegando a Could Be You, ao final de mais de uma hora de concerto, os Allah-Las ameaçavam o seu abandono e despediam-se do público. Uma ligeira pausa no backstage – enquanto o público gritava euforicamente pelo seu regresso – e estavam de volta para o encore. Desta vez com Miles e Matthew a trocarem de posições para o cover de Calm Me Down, originalmente dos The Human Expression.

Para terminar em grande e levar o público à loucura, não podia ser outra se não Catamaran. O primeiro single da banda californiana, que é, igualmente, o mais famoso, combina várias influências e, para além de ser um espelho da sonoridade do quarteto, é um dos pontos altos do indie rock a la Los Angeles.

Os Allah-Las despediram mais uma vez do público português, num espetáculo que não poderia ter sido albergado num espaço melhor. O Musicbox revelou-se a sala adequada para esta banda que tão bem o soube dominar, articulando a áurea intimista com a grandeza musical. No final, ainda ficámos com a setlist redigida à mão.

Todas as imagens utilizadas neste artigo são da autoria de Ana Viotti.