Lisboa vai assegurar a realização do Festival Eurovisão da Canção. A RTP confirmou esta terça-feira (25) o que alguns órgãos de comunicação social já anunciavam nas últimas horas, pondo fim ao suspense que persistia desde maio.

A escolha demorou pouco mais de dois meses e foi hoje oficialmente divulgada, em conjunto, pelos responsáveis europeus do certame e pela administração da RTP. De acordo com a revista Blitz, a MEO Arena é a única infraestrutura em Portugal que é capaz de suportar uma montagem na ordem das 800 toneladas, estimativa feita para a necessidade do evento.

“Receber a Eurovisão 2018 é uma grande oportunidade para Portugal, Lisboa, a indústria do entretenimento e a RTP. Vamos procurar organizar um evento que mostre as nossas capacidades criativas”, garantiu Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração.

Jon Ola Sand, supervisor executivo do Festival Eurovisão, sublinhou a “proposta exemplar” apresentada pela cidade de Lisboa e destacou a determinação de fazer a “primeira Eurovisão em Portugal a mais excitante até agora”.

O responsável aproveitou ainda a ocasião para felicitar a emissora pública pelo cumprimento profissional e detalhado de todos os requisitos exigidos pela organização.

O custo estimado para o evento, que decorre a 8, 10 e 12 de maio de 2018, é de 28 milhões de euros, avança o Observador. São valores em linha com os que têm sido habituais nos últimos anos.

Há mar e mar

A linha gráfica adotada este ano pela RTP é dominada pelo tom azul e por motivos oceânicos, naquela que é uma referência à tradição marítima portuguesa. O mar é, de resto, um dos temas mais comuns em todas as canções que o nosso país levou ao certame europeu.

“Portugal é um país num dos mais longínquos cantos da Europa, mas também um daqueles que mais está ligado ao Continente, apesar de sempre aberto ao mar”, realça a Eurovisão em comunicado oficial.

“Os oceanos podem dar-nos uma pista sobre esta interligação. Todas as coisas fluem. E através delas estamos todos ligados. Esta é a chave central da História portuguesa, ligar-se não só ao resto da Europa, mas também com África, as Américas, a Ásia e a Oceania. Pelo mar. Há 500 anos, Lisboa foi o sítio de onde estas rotas partiram e aonde voltaram”, referem os responsáveis em alusão ao tema central do espetáculo.

A organização realça ainda que Lisboa é “a cidade da diversidade, do respeito e da tolerância”. Em comunicado destaca-se “uma sociedade com todas as cores e credos, que partilha os valores pelos quais a Eurovisão se rege”.

Uma surpresa… há muito anunciada

A organização, liderada pela União Europeia de Radiodifusão (UER) já tinha dado sinais que preferia a MEO Arena, que chegou a ser anunciada por alguns dos responsáveis da estação pública como o melhor espaço para o evento. No entanto, a contestação não tardou e a emissora estatal chegou a avaliar outros recintos nacionais. Apreciados todos os cenários, Lisboa acabou mesmo por se mostrar o mais exequível.

Ficaram para trás Braga, Gondomar, Guimarães e Santa Maria da Feira. No entanto, a qualidade das propostas levou a RTP a optar por realizar este ano o Festival RTP da Canção na cidade de Guimarães.

A competir pela sucessão de Salvador Sobral estarão 20 canções, distribuídas por duas semifinais. Na final, que escolherá a nova canção portuguesa, ficarão as cinco melhores de cada eliminatória.

Portugal venceu o Festival Eurovisão da Canção pela primeira vez este ano, após mais de 50 anos de participações e sem nunca ter alcançado, anteriormente, o top5. Amar Pelos Dois registou a maior pontuação de sempre no evento: 758 pontos.

Espreita as imagens da conferência de imprensa: