Dunkirk: A queda do disfarce de Nolan

Christopher Nolan sempre se fascinou em diferenciar-se dos restantes realizadores: em Memento (2000), O Terceiro Passo (2006) e A Origem (2010) optou por, de uma forma ou outra, estabelecer uma narrativa de forma mais ou menos fragmentada; na trilogia Batman (2005-2012), utilizou um universo mais frio e “realista” em comparação com anteriores filmes de super-heróis; e, mais recentemente, afastou Interstellar (2014) do plano racional da ciência, que lhe seria intrínseco, para o colocar mais próximo do plano emocional do amor.

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Este afastamento daquilo que é tradicional tem vindo a resultar e, quando não resultou, enganou – e enganou bem. No entanto, todos estes anos sob disfarce tiveram uma consequência nefasta em Nolan: a presunção. E foi assim, com esta vaidade adquirida ao longo dos anos, que este se aventurou em Dunkirk, um filme de guerra que, na sua cabeça, tinha de ser um épico íntimo. Mas de épico pouco tem e de íntimo nada existe: o disfarce caiu e, agora, só é enganado quem quer.

É difícil colocar um filme perto do coração quando temos de seguir três planos de acção diferentes ao mesmo tempo e, com eles, um mínimo de sete personagens. Este apelo à emoção funciona, de certa forma, em Interstellar exactamente porque o espectador está preso com Cooper (Matthew McConaughey) desde o início do filme e durante toda a sua viagem. Mas, como tal disco riscado que Nolan se revela ser, este truque tinha de voltar a ser repetido. Obviamente falhou, até porque o realizador não tem a paciência para dar a cada plano (terra, mar e ar, tal Avatar – The Last Airbender) o seu devido tempo. Prefere antes saltitar de elemento em elemento para mostrar, de modo pretensioso, toda a qualidade que uma poderosa câmara IMAX tem, esquecendo-se que o conteúdo também possui (grande) importância. Esquecendo-se que para transmitir o sentimento de guerra é, obviamente, necessário sentir algo.

Com o dito acima, torna-se então numa tarefa quase milagrosa o público conseguir relacionar-se com aquelas personagens quando nos apercebemos que o diálogo é quase inexistente (aqui está, novamente, aquela veia de “Olhem para mim!” cada vez mais evidente no cinema do realizador britânico). Se não fosse o aglomerado de imagens que existem só por existir, tal decisão poderia resultar: até somos enganados no início do filme ao pensar que será mesmo isto que irá acontecer. Mas rapidamente a máscara cai e o silêncio é substituído por um tik-tik incessante (e irritante), por um constante “bong” à la Origem e todo um outro conjunto de sons exagerados que almejam criar uma antecipação para algo que nunca chega a acontecer.

Dunkirk é assim a queda do disfarce de Christopher Nolan em frente ao mundo inteiro. A tentativa de mostrar a guerra (ou anti-guerra) que foi a Evacuação de Dunkirk é apenas isso: uma tentativa, e uma má. É apenas ruído, são apenas imagens, é apenas mais um filme de Nolan: a diferença é que neste o disfarce não existe.

3/10

Ficha Técnica

Título: Dunkirk
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan
Com: Fionn Whitehead, Harry Styles, Tom Hardy e Mark Rylance
Género: Ação, Drama.
Duração: 110 minutos

  1. Vim comentar mesmo meses depois, porque achei injusto os comentários dos leitores. na verdade o filme é uma merda , 400 mil homens foram representados porcamente naquelas filas , realmente os sons exagerados anunciam algo que nunca acontece , a guerra urbana foi TOTALMENTE ignorada , milhares foram deixados pra trás , o piloto que brigava com o vidro … a filmagem ? excelente . o diretor ? famoso . mas o filme ? bosta… pra quem assistiu “O pianista” ; “Corações de ferro” ; “até o último homem” ; é piada dizer quem dunkirk foi bom ,e ganhar um oscar ou não não quer dizer nada , existem dezenas de filmes e atores que mereciam um oscar (ou mais ) … um filme que “baseado em fatos reais” deixou muito a desejar , ignorando pontos cruciais da batalha e errando na remontagem do cenário , além de agrupar três histórias dentro do filme onde quem assiste não tem tempo para se aprofundar nelas , não sou critico , não entendo nada de cinema , mas se eu como leigo e todos os que conheço acharam o filme fraco ; me pergunto o que esses criticos estão fazendo pra ganharem tanto se colocam este filme num patamar onde não deveria.

  2. Não sou conhecedor de cinema, mas sou profundo leitor e conhecedor do tema SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. (Meu pai lutou na 2ª Guerra, na Italia, com a FEB)
    Assisti o filme hoje e existem ERROS HISTÓRICOS, passagens “estranhas” e sem sentido além de falta de investimento em efeitos especiais, como por exemplo; Quatrocentos Mil Homens são 5 Maracanãs lotados e não aquelas “filas pra entrar na Arena Condá”, que colocaram no filme, na praia de Dunquerque.

    Além disso, Houve um intenso Combate Urbano em Dunquerque, até os Alemães resolverem recuar a 2ª Divisão Panzer para “Não gastar Munição e vidas à toa”; ainda assim, 60 mil alemães morreram. Totalmente ignorado no filme.
    Mais de 2 mil civis morreram, a orla e o Pier de Dunquerque foram completamente destruídos pela Artilharia de Campanha Alemã. O filme mostra fumacinha ao longe e prédios coloridos e lindos. (Lembrei do meu pai contando que “A Guerra tinha uma cor acinzentada na Itália, no porto de Nápoles”)
    Mais de 100 Mil Homens ficaram para trás. Não só em Dunquerque, mas tentando ”segurar” a linha de frente perto do Somme. Os Alemães esmagaram todo mundo.
    Cristopher Nolan preferiu mostrar um piloto brigando contra o vidro do avião.

    E por aí a fora…

    Gostei da tua crítica.
    O Filme é “bom” para quem não conhece história.

  3. A crítica parece um ataque pessoal ao realizador. Concordo que a alternância entre os três planos não foi a melhor mas ainda assim foi uma tentativa interessante. Quanto à apatia das personagens apenas demonstra o estado real de quem já está há muito tempo em guerra. Muito melhor do que entrar em tons melodramáticos forçados para impressionar o espectador.
    A crítica essa sim é péssima cheia de pressuposições (“saltitar entre planos para mostrar a camara IMAX”; “diálogo é quase inexistente a mostrar a veia olhem para mim!”)

  4. Mais uma vez temos aqui o pensamento multicultural do brasileiro, que aceita todas as opiniões, que seguirem o raciocinio deste, pois qualquer opniao contraria, vai ser ridicularizada e excluida, sem ser debatida ou ao mesmo pensada em ser compreendida. Belos cinefilos voces sao…mas enfim, como diz o comentario acima, é o que temos.

  5. Mais uma vez temos aqui o pensamento multicultural do brasileiro, que aceita todas as opiniões, que seguirem o raciocinio deste, pois qualquer opniao contraria, vai ser ridicularizada e excluida, sem ser debatida ou ao mesmo pensada em ser compreendida. Belos cinefilos voces sao…mas enfim, como diz o comentario acima, é o que temos.

  6. Eu sendo deste site tiraria este texto do ar. Até porque há outro muito mais bem escrito e sensato publicado sobre o mesmo filme. Ao manter no ar este texto caça-cliques, o site desaponta leitores, perde público e consequentemente dinheiro.

  7. Sempre tem um zé ninguém pra detonar um filme bom e famoso se achando o fodão pra tentar ganhar audiência no site. Sério mesmo: Que análise horrível e desnecessária. Christopher Nolan é um gênio, se você não entende a dinâmica que ele faz no filme só porque pensa que sabe alguma coisa por estudar em uma escolinha de cinema, não espalhe sua burrice por aí. Todos agradecemos de coração.

  8. Análise péssima!
    Detonar um filme bom(para não dizer ótimo, excelente) para ter visibilidade é uma manobra no mínimo fraca e desnecessária.
    Essa crítica se adequa bem ao gênero comédia. Ou melhor, nem a isso. Olha, meu amigo, já li análise ruins, mas está está realmente horrível, parabéns (desculpem-me pelo português brasileiro)

  9. Caro Rui Pereira, vi o filme no dia de estreia, e gostei. Não se trata de um filme “pipoca” com socos, bombas e murros nas trombas! Não tem sangue, tripas e miolos espalhados por todo o lado, não! Não tem a tipica típica história de amor, não tem piadas em situações improváveis, não tem o típico heroi, o inatingível, indestrutível … Mas tem qualidade, é diferente, arrojado, bom filme!! quer você goste do relizador ou não.

    Cumprimentos

    Álvaro Outeiro

  10. Não disse uma única coisa boa sobre o filme mas depois dá 3/10? E depois nós é que somos cegos por gostar dos filmes do Nolan? Vai te lavar, nem crítico sabes ser

  11. 3/10 é sacanagem amigo. Diretor influente que já se mostrou sendo uma revolução no cinema americano. Já viu as críticas lá fora? IMDB está com 95% de aprovação. Indico para que saiba da história real de Dunkirk e veja o filme novamente !

  12. Parece que para ti um filme de guerra deve estar cheio de balas e sangue e estrondosos efeitos sonoros que nada têm a ver com a realidade, para ser um bom filme. Nolan não tenta afastar-se do resto mas fá-lo com diferência sendo fiel à sua identidade. Se estavas a espera de disparos, sangue, camara a mexer-se feita louca e focada nos buraco de balas nas pessoas e não nos seus rosto ou emoções, então mal-gastaste o teu bilhete de cimena….

  13. Infelizmente você é parcial, um crítico deve ser o contrário, francamente, você chamou o Nolan de presunçoso, és o que ao julga-lo?!

  14. “…um filme de guerra que, na sua cabeça, tinha de ser um épico íntimo.”
    Ele disse exactamente o contrário. Nem te deste ao trabalho de fazer pesquisa. Limitas-te a debitar parvoíces e a basear a tua análise na opinião negativa que tens do realizador.
    Caiu a máscara sim, mas foi a este “crítico de cinema”. Tens futuro miúdo

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