Parabéns, Neil e Buzz: um tributo musical dos confins do espaço

Este ano, marca-se o 48.º aniversário do dia em que Neil Armstrong disse pela primeira vez a icónica frase “Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”. Tudo isto enquanto se tornava no primeiro homem a pisar a superfície lunar.

No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin fizeram aquilo que muitos homens apenas poderiam sonhar e tornaram-se os primeiros homens a chegar à Lua. Contudo, este sonho tem outro significado para muitos artistas: transforma-se, até, em inspiração para iluminar os seus trabalhos.

Em honra aos feitos destes dois americanos, aqui fica uma seleção musical cuja única ligação é a temática espacial, onde os músicos claramente se deixaram influenciar pelos seus mistérios.

Spiritualized – Ladies and Gentleman We Are Floating in Space

O nome da música dito suavemente por uma voz feminina não só dá inicio a esta bela música, como introduz um dos mais importantes álbuns do ressurgimento do rock psicadélico nos anos 90.

Nesta simples frase, retirada do livro O Mundo de Sophia, de Jostein Gaarder, Jason Peirce, a principal força criativa da banda, relembra-nos da efemeridade da vida (a maneira como estamos simplesmente a flutuar no espaço) e utiliza a viagem espacial como metáfora não só para explicar como se sentia após o final da sua relação de longos anos com Kate Radley (teclista do grupo), mas também para descrever os seus hábitos de consumo de droga.

A orquestra que executa os arranjos magistrais criam uma forte sensação de estar a flutuar no espaço, dada a sua repetição e suavidade, enquanto Jason Peirce embala o ouvinte em versos hipnóticos.

“So please put your sweet hand in mine
And float in space and drift in time
All the time until I die
We’ll float in space, just you and I”

 

 

The Brian Jonestown Massacre – Spacegirl

You know the strangest thing happened to me on the way to outer space today

Uma bela maneira de introduzir uma música de amor com contornos de ficção cientifica. A melódica e doce introdução acústica, inspirada em bandas que estavam em voga quando Neil e Buzz estavam a caminho do espaço, acaba por se transformar numa jam psicadélica, tão longa quanto hipnótica, que mais depressa vai beber a bandas de culto dos anos 90, como os Sonic Youth ou os My Bloody Valentine.

 

Nicolas Jaar – Space Is Only Noise If You Can See It

Retirada do álbum de estreia (que partilha nome com esta música) do chileno-americano Nicolas Jaar, através da sua eletrónica tenta explicar os diferentes conceitos de espaço: espaço físico, não só como galáxia, mas também como o espaço que ocupamos; ou o espaço na música, o silêncio.

Esta satisfatória e estranha viagem pelos confins do espaço e do som é um dos pontos de partida mais interessantes para conhecer o trabalho do produtor antes deste partir para trabalhos mais objetivos e políticos, como é o caso do seu mais recente álbum, Sirens.

Yuri Gagarin – At The Center Of All Infinity

Porque às vezes uma boa contradição não faz mal nenhum, esta banda sueca, que rouba o nome do mais famoso cosmonauta russo e primeiro homem a viajar pelo espaço, é um dos melhores exemplos do que o stoner rock tem para oferecer. E apesar de contar apenas com dois álbuns de longa duração na sua discografia, o grupo já alcançou um estatuto de banda de culto com uma legião de fãs fiéis.

Apesar de estar longe de ser o estilo musical que encontrávamos nas playlists de Buzz e de Neil durante as suas expedições espaciais, esta faixa hipnótica é perfeita para nos sentarmos nos nossos sofás de olhos fechados a imaginar os segredos que o espaço guarda.

José Cid – Fuga Para O Espaço

Para acabar em nota alta, nada melhor do que usar o tesouro nacional que é o nosso grande José Albano Cid Ferreira Tavares, que dispensa qualquer tipo de introdução. Afinal, foi o primeiro português a viajar ao espaço até 10000 anos depois entre Vénus e Marte.

Neste álbum, de tom pós-apocalíptico, a música que vos deixo aqui é aquela em que os personagens principais fogem da Terra na sua nave espacial em direção ao espaço. Depois de todo o caos da incerteza, alcançam Mellotron onde, a partir do zero, recomeçam uma vida nova.

Apesar do conceito do álbum não ser o mais inovador, este assume-se como um marco na música portuguesa. Recentemente, José Cid decidiu ressuscitar este projeto, sendo que esporadicamente, apresenta o álbum na integra em palcos lisboetas ou portuenses, o que me leva a desejar que a sua visita ao espaço seja adiada por uns bons longos anos.

 

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