Chegámos ao fim de mais uma edição do Super Bock Super Rock. O último dia de festival foi marcado pela fusão perfeita do indie e do jazz contemporâneo, com o rock oldschool e com a música eletrónica.

Foster The People, Deftones Fatboy Slim foram os artistas mais esperados pelo público português, neste último dia. Mas mais uma vez é de distinguir as performances de grupos portugueses como Bruno PernadasSensible Soccers Stone Dead. Como dizia alguém, “há boa e nova música em Portugal”, e o Super Bock Super Rock é sem dúvida um festival que aposta cada vez mais no que é nacional (e bom!).

Bruno Pernadas foi o primeiro concerto do último dia de festival. Esta “odisseia”, como disse o próprio guitarrista e compositor português, deu-se no Palco EDP com a apresentação de temas do disco Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them, lançado no ano passado, em 2016.

Claro que não deixou de haver tempo para temas mais antigos e tão acarinhados pelo público, como Premiére e Ahhhhh do primeiro disco How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge?, de 2014. Uma leveza pop e melodiosamente viciante que nos transporta para o soul, jazz, lounge oriental, krautrock e freak-folk.

Fez-se acompanhar em palco por alguns dos mais reconhecidos músicos na nova geração de pop-folk lusófono: João Correia (Tape Junk, Julie & The Carjackers), Afonso Cabral (You Can’t Win Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout, They’re HeadingWest), Margarida Campelo (Julie & The Carjackers, Minta & The Brook Trout).

Bruno Pernadas subiu também ao Palco LG by SBSR.fm com alguns destes músicos no primeiro dia do festival, para o concerto de Minta & The Brook Trout.

A poucos dias do lançamento do seu terceiro álbum, Foster The People sobem ao Palco Super Bock com as letras Sacred Hearts Club marcadas no cenário, nome do novo álbum.

Começam o espetáculo com SHC, novo single, e depressa avançam para Helena Beat, um dos grandes êxitos do primeiro álbum, que não consegue deixar ninguém indiferente. Apresentam mais alguns temas do novo álbum mas é com temas do primeiro álbum como Don’t Stop (Color on the Walls), Coming of Age ou Call It What You Want que criam empatia com o público, que responde a cantar alto e em bom som.

Mas a verdade é que foi com Pumped Up Kicks que tudo começou, em 2010, e foi também este o ponto alto do concerto, em que tudo se uniu numa emoção e harmonia perfeita.

Revelaram ainda que Sacred Hearts Club é um disco de resposta ao que se passa atualmente no mundo e aproveitaram para espalhar uma mensagem de otimismo e paz “Love is bigger than polytics. We can change the world”.

No fim da noite ouvia-se numa conversa entre amigos “este dia de festival resume-se a um concerto: Stone Dead. Ora bem, para quem ainda não os conhece, os Stone Dead são quatro amigos de Alcobaça e o essencial para eles  é fazer rock’n’roll. Mas rock’n’roll a sério, do bom, do mais puro e daquele que nos desafia os tímpanos, num bom sentido.

Good Boys é o primeiro disco de longa duração da banda e consiste numa viagem pelo rock onde o protagonista é Tony Blue, uma personagem fictícia criada pela banda que ganha vida ao longo das dez canções do disco.

Os Stone Dead subiram ao Palco LG by SBSR.fm com toda a energia para nos fazer libertar o espírito, transpirar muito e até mesmo ceder ao mosh. O palco mais pequeno do festival, mais cheio do que em qualquer outro dos dias, atrevo-me a dizer. De facto, é impossível ficar indiferente à música destes quatro.

Depois de subir ao Palco LG by SBSR.fm o trio português Black Bombaim, de rock psicadélico, suado e musculado, cheio de experimentalismos e um com enorme apelo corporal, é a vez de  James Vincent McMorrow subir ao Palco EDP. O músico irlandês atuou pela primeira vez em Portugal e conquistou o público português com o R&B e hip-hop harmonizado perfeitamente com o seu folk irrestistível.

Chega a vez de um dos concertos mais aguardados da noite, os cabeça de cartaz deste último dia, Deftones. Já cá andam há quase trinta anos e depressa chegaram ao topo do rock e do metal alternativo. Lançaram o seu último disco intitulado Gore no ano passado, mas atiraram-se de cabeça para o Palco Super Bock com o tema Headup, seguido de My Own Summer (Shove It), temas que já contam com vinte anos de existência.

Sempre inovadores e desafiantes, levaram os fãs ao delírio e fizeram a multidão estremecer com um jogo de luzes impressionante. Temas como Digital Bath Diamond Eyes também ecoaram nas vozes do público, com braços no ar, moshcrowdsurfing. Ninguém ficou indiferente aos primeiros acordes de Back To School, onde se soltaram muitos gritos, saltos e assobios. Chino Moreno, o vocalista, desceu ainda do palco para abraçar e cantar junto dos fãs em Knife Prty.

Apesar do concerto de Deftones no palco principal, o grupo português de rock alternativo Sensible Soccers encerrou o Palco LG by SBSR.fm, com muita adesão por parte do público. Apresentaram-se em palco pela hilariante voz do Google Translate, que nos introduziu o álbum e o tema Villa Soledade.

Com guitarras, sintetizadores e outros instrumentos que entram nas nossas cabeças e nos fazem alucinar, desde cedo conquistaram o público português. Uma mescla de sons digitais e acústicos que se completam uns aos outros com uma intensidade controlada e estranhamente intimista que nos leva a uma viagem no espaço, no tempo e nas nossas mentes.

Em 2005, Seu Jorge lançou o disco The Life Aquatic Studio Sessions, uma coletânea de canções únicas de David Bowie numa versão em português. Sempre com a sua simpatia e simplicidade, subiu ao Palco EDP de guitarra e chávena de chá na mão para nos trazer o seu espetáculo especial, inédito e intimista de tributo a David Bowie ao Palco EDP.

Fatboy Slim tinha a importante tarefa de encerrar o palco principal desta edição. O músico britânico tem a capacidade de combinar o house, o acid funk, o hip-hop e a eletrónica como ninguém, resultando num dos projetos mais originais e cativantes dos últimos anos.

Arrancou com Praise You Eat Sleep Rave Repeat, que rapidamente conquistaram o público. Apresentou-se com um set brutal e cheio de diversidade, que teve remixes dos Gorillaz aos Ramones, passando ainda pelos seus grandes êxitos como The Rockafeller Skank que não deixaram ninguém indiferente.

Um excelente conjunto de músicas incrivelmente combinado com um intenso espetáculo visual de luzes frenéticas e alucinantes, com imagens de outros músicos e excertos de cinema. Nunca parou de arriscar trouxe-nos vitalidade com um concerto explosivo e eletrizante, à maneira de Fatboy Slim.

Encerrámos o último dia de festival no Palco Calsberg, onde eletrónica irresistível de MagazinoMarquis Hawkes Monki nos convidou a dançar.

A próxima edição já tem datas para 2018 e um artista confirmado, podes ler tudo aqui.

Lê também as reportagens do primeiro e segundo dia de festival.

Imagens de João Marcelino.