Sexta-feira foi dia de regressar ao Parque das Nações, desta vez para um dia dedicado ao rap e hip-hop. Neste segundo dia de Super Bock Super Rock a felicidade veio em forma de “o que é nacional é bom” com uma mão cheia de artistas portugueses, a quem entregamos desde já as medalhas de ouro deste dia (Slow J, estamos a olhar para ti).

A segunda tarde do festival começou no Palco EDP, com Pusha T. O rapper norte-americano tem construído um percurso admirável com as suas rimas poderosas, mas também a prestar homenagem ao legado de outros grandes nomes da história do hip hop, a essência deste dia de festival.

Do hip-hop damos o salto para o R&B e para o feminino: é a vez de Jessie Reyez subir ao Palco EDP. A compositora canadiana de R&B chegou de sorriso rasgado para apresentar o seu mais recente trabalho, o EP Kiddo, lançado este ano. Carregado de músicas com uma forte componente emocional e batidas particulares, extraordinariamente articuladas com a sua voz singular e aliciante, fez render o público que ali estava. A sua energia e cumplicidade em palco fez-se transparecer ao tentar aprender português com quem percebe da coisa, como quem diz, connosco, os portugueses, ao saltar com o público da frontline e ainda a fazer crowdsurfing na multidão.

Keso foi o primeiro concerto português do dia e também o primeiro no Palco LG by SBSR.fm. Conquistou o público com um hip-hop cheio de groove, influênciado pelo jazz e pela música eletrónica. Uma música interventiva com um apelo geracional bem forte, que pega nas palavras certas para iluminar alguns dos problemas da atualidade.

E chega a vez de Slow J, o mais recente fenómeno do rap português. Iniciou o seu concerto num formato diferente, com os as canções Não Me Mintas de Rui Veloso e a Menina Estás à Janela de Vitorino, este ano que teve um upgrade mudando para o palco EDP do Super Bock Super Rock.  Depressa avançou para o seu célebre disco deste ano The Art Of Slowing Down, que o público acompanhou em êxtase, a cantar as letras do início ao fim, a saltando, gritando, assobiando e aplaudindo com vontade. Aqui as letras são pura poesia e o hip-hop funde-se com estilos diversos como o rock, o fado, o samba ou o jazz.

Mais tarde, no Palco LG by SBSR.fm, é a vez dos Octa Push. Estes dois irmãos portugueses decidiram fundir a música eletrónica com ritmos lusófonos, e o resultado em sonoridades energéticas, interessantes, contagiantes e dançantes. O pôr do sol deste dia não podia pedir melhor.

 

Entretanto, os The Gift abrem o Palco Super Bock. A banda portuguesa de ampla sonoridade oscila entre o pop rock e a eletrónica, com arranjos elegantes. Vieram com o intuito de apresentar o seu novo disco, Altar. Apesar da enorme capacidade de adaptação aos diferentes tipos de públicos, que nos têm vindo a demonstrar ao longo dos últimos anos, este foi sem dúvida um concerto no dia errado, e no palco errado.

Voltamos ao Palco EDP com Akua Naru. Esta é uma óptima representação daquilo que uma mulher pode ser no mundo do hip hop. Influenciada pelo jazz e pelo boom bap, a sua música é marcada por uma forte consciência social e política. A sua voz singular e cativante flui harmoniosamente com as batidas, o saxofone e a guitarra, proporcionando uma sonoridade marvilhosa. O público aderiu à suas demonstrações de amor pela música e pelo facto de estar ali a dar aquele concerto, dançado e gritando de satisfação.

 

E agora é a vez de os London Grammar subirem ao Palco Super Bock. Aguardados por muitos, entram em palco com um instrumental calmo e envolvente, que introduzia o famoso single Hey Now. A voz da Hannah Reid é, de facto, uma das vozes mais interessantes dos últimos tempos, e depressa fez com que o público se apaixonasse. Vieram apresentar o novo disco, Truth Is A Beautiful Thing, mas não esqueceram os grandes êxitos. As suas melodias encantadoras, com um ritmo muito próprio que apela ao pop e se aproxima do trip-hop, tornam a sua música completamente irresistível a qualquer um, e o público português não foi exceção.

 

A ginástica entre palcos é quase como ir ao ginásio. Voltámos, mais uma vez, ao Palco EDP, mas agora para o último concerto antes do cabeça de cartaz, Língua Franca. Este é o mais recente projeto dos rappers ValeteCapicuaEmicida Rael, e um dos mais aguardados do público português neste dia de festival. Sozinhos, em duetos ou todos juntos, apresentam-se ao público com temas deixam toda a gente a acompanhar as suas letras em voz alta.

Um dos momentos mais bonitos deste concerto é quando Valete chama Capicua a palco e apresenta sua música Medusa, na qual também participa. Elogia a música de Capicua e refere o cliché das músicas de amor rappers que, na realidade, só falam da mulher pela sua beleza. Valete revela que há possibilidade de ser pai este ano e que quer que todas as mulheres sejam valorizadas também pelas suas caraterísticas intelectuais e emocionais.

 

E passamos para o Palco Super Bock, onde o público já espera pelo concerto mais aguardado do segundo dia do festival, Future. O rapper norte-americano veio apresentar os dois álbuns que editou este ano, FUTURE HNDRXX. Com muita energia em palco e grande interação com o público, deixou os seus fãs ao rubro e tornou este espetáculo aprazível até para quem não é grande apreciador de hip-hop. Terminou o concerto com uma explosão de confetis ao som do grande single Mask Off, que ecoou frenéticamente nas vozes do público.

No fim da noite o Palco Carlsberg recebe os Beatbombers, os pioneiros do scratch em Portugal. DJ RideStereossauro têm os seus projetos a solo mas desde cedo que assumem esta parceria, tendo-se já consagrado campeões mundiais de scratch mais do que uma vez. Neste concerto surpreenderam ao convidar Slow J Razat para subirem ao mesmo palco.

Já estamos prontos para o último dia do festival, e vocês? Amanhã contamos tudo.

Podem ver a reportagem do primeiro dia do Super Bock Super Rock aqui.

Imagens de João Marcelino.