Amor em Berlim é um regresso a uma Alemanha dividida por um muro. A nova série das noites da RTP2 conta a história de um amor improvável entre um polícia comunista e uma dissidente contra o regime. Estreia esta quinta-feira (13) às 22h12 e será emitida de segunda a sexta-feira.

Descrita como a primeira série a conseguir descrever de forma realista a vida na antiga República Democrática Alemã (RDA), Amor em Berlim mostra a história de Martin, um recém-formado polícia da Stasi, pertencente a uma família leal ao Partido Comunista, e de Julia, uma jovem rebelde cuja família está contra o regime.

Duas realidades em confronto

São os Kupfers e os Hausmanns, duas famílias em locais diametralmente opostos, num tempo de mudança, os anos 80.

Os Kupfers são parte do funcionamento do sistema comunista e querem manter-se a todo o custo como parte do status quo. O pai Hans e o filho mais velho, Falk, pertencem à Stasi. Martin, o mais novo, é polícia. Os Hausmanns, por outro lado, estão contra o regime. Dunja é cantora folk e está sob vigilância, a filha Julia já tem um cadastro “politicamente pouco confiável” na escola.

Quando Martin se apaixona por Julia, estes dois mundos separados parecem destinados a encontrarem-se. E o choque não vai ser fácil.

Uma viagem aos anos 80 na RDA

Lançada em 2010, teve um total de 18 episódios produzidos, divididos em três diferentes temporadas. Amor em Berlim foi considerada pelo Süddeutsche Zeitungum drama bem feito, que ganha em ter um firme arco narrativo, um elenco soberbo e um excelente design cenográfico.”

O semanário Die Ziet defendeu que “20 anos depois da reunificação alemã, finalmente chega uma série que devolve a alguns Ossis [termo popular para alemães do Leste] a sua dignidade.”

De acordo com o The Guardian, os autores do enredo são da Alemanha Ocidental, mas os atores nasceram na zona Oriental, tendo sido eles próprios vítimas da repressão do Estado. Katrin Sass, que representa a matriarca Dunja e ficou conhecida pela participação em Goodbye Lenin!, foi espiada pela Stasi na vida real, inclusivamente por um dos seus melhores amigos, que trabalhava como informador.

Outros dos membros do elenco chegaram a estar presos ou fugiram para a Alemanha Ocidental. Esta caraterística, de acordo com os críticos, acaba por contribuir para autenticidade da série. A revista Superillu, que surgiu na antiga RDA, diz que se trata de “uma viagem no tempo à RDA dos anos 80“, apesar de alguns traços caricaturais que podem ser identificados “por quem experienciou na pele o que foi a ditadura da RDA e da Stasi“.