Numa discussão com Billie Jean King, a tenista que interpreta no biopic Battle of the Sexes, e com a colega de elenco Andrea Riseborough (de Birdman) para a revista Out, Emma Stone revelou cedências que os seus colegas já fizeram no passado, para que pudesse haver paridade nos seus salários.

A vencedora de um Oscar para Melhor Atriz referiu que atualmente, na melhor das hipóteses, as mulheres recebem 20% menos que os seus co-protagonistas do sexo masculino. O sistema injusto prende-se com “o tipo de filmes em que [as artistas] participam, a extensão do papel, e o quanto os filmes fazem em bilheteira“. No decorrer da discussão, King alertou que as mulheres de minorias étnicas e raciais ainda sofrem mais com a disparidade.

Riseborough lembrou então que Hollywood funciona à base de quotas, e foi aí que Emma Stone revelou que já precisou que os seus coprotagonistas homens aceitassem receber um corte no salário para que pudesse haver igualdade.

É algo que fazem por mim por sentirem que é justo e correto“, contou, sendo que o assunto “não é necessariamente discutido, que a paridade de salário exija altruísmo para reconhecer o que é justo“. “Se o meu colega homem, que tem uma quota maior que a minha, acredita que temos igualdade [em papéis], aceita um corte no salário para que possamos ficar em igualdade, e isso muda a minha quota no futuro e muda a minha vida.

Riseborough acabou por assumir que em todos os filmes em que já participou, nunca nenhum colega aceitou receber um corte salarial por igualdade, mesmo em filmes que em que fosse a protagonista. “Eu pedi [aumentos], mas há esta sensação constante de que devíamos estar somente gratas“, confessou, sendo que considera ser mais difícil negociar nos Estados Unidos que no Reino Unido.

Uma disputa que já não é nova

O debate sobre a igualdade salarial em Hollywood já tem décadas, mas ganhou maior projeção com o ataque informático à Sony em 2014, vindo à tona a disparidade salarial entre Amy Adams e Jennifer Lawrence e os seus colegas do sexo masculino em Golpada Americana (2013). Desde então, muitas têm sido as vozes do cinema a favor da igualdade no pagamento.

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O momento mais proeminente ter-se-á dado em 2015, quando Patricia Arquette usou o seu discurso de agradecimento pelo Oscar de Melhor Atriz Secundária, em Boyhood – Momentos de uma Vida, para apelar à igualdade de salário em todas as profissões.

Em abril deste ano, Jessica Chastain revelou à Variety que desde 2014 que não aceita projetos em que não esteja definida à partida a igualdade salarial entre si e os colegas do sexo oposto. “Não determinem o meu valor pelo que sobra [do orçamento do filme]“, pediu.

Na televisão, o problema também persiste. Robin Wright, este ano, confessou ter tomado medidas após descobrir que, contrário ao que lhe tinha sido reportado, não estava a receber o mesmo que o seu coprotagonista em House of Cards, Kevin Spacey. Já Emmy Rossum, no ano passado, levou inclusive à suspensão do início de produção da oitava temporada de Shameless até lhe ser garantida igualdade salarial relativamente a William H. Macy.