NOS Alive The XX

NOS Alive dia 6: uma ode triunfal aos Alt-J e o amor eterno dos The XX

A 11.ª edição do NOS Alive arrancou com um dia muito preenchido e provavelmente o mais heterogéneo no que toca a estilos musicais: de Alt-J a The Weeknd, de Royal Blood a The XX.

O palco NOS foi inaugurado pela banda portuguesa You Can’t Win Charlie Brown, que nos trouxe a música alternativa de que necessitávamos neste fim de tarde. Os portugueses tiveram direito a pouco tempo de antena, contudo foi um dos melhor aproveitados do dia: a alternativa rock com influências mais psicadélicas provaram que os novatos de palcos grandes são capazes de aquecer bem um palco para os maiores da noite. Foi You Can’t Win Charlie Brown que arrancou os pés mais tímidos do chão e que impressionou o público estrangeiro que ia perguntando “are they Portuguese? No way!”.

Alt-J que sabe bem, mas a pouco

Há uma ideia que hoje, no primeiro dia de festival, foi ainda mais reforçada: o amor português aos Alt-J é mútuo. Os britânicos já são presença frequente em terras lusas, especialmente neste festival. Arrancaram com 3WW, um dos destaques do novo álbum Relaxer, que mostrou imediatamente que os Alt-J mais uma vez estavam neste concerto de corpo e alma. Rapidamente passaram para temas mais conhecidos e antigos da banda como a célebre Something Good e Tessellate. A mais recente e eletrizante Deadcrush apanhou de surpresa os que pouco exploraram a nova sonoridade dos Alt-J, no entanto o tema rock deu lugar à misteriosa Nara e à dançante Dissolve Me.

In Cold Blood, o rechonchudo single do álbum mais recente, arrancou os coros da plateia, mas foi Matilda a surpresa de um concerto que teve aquelas milhares de cordas vocais afinadas para fazer a serenata à famosa rapariga. Entretanto, chegava a vez da bem conhecida Taro e dos grandes êxitos para acabar em grande: Fitzpleasure, Left Hand Free e Breezeblocks. A flamejante Fitzpleasure recebeu logo o seal of approval do público, que cantou do início ao fim, incluindo o instrumental (que em Alt-J se torna importante) e a animada Left Hand Free, que se seguiu, recebeu do mesmo amor.

Breezeblocks foi a consagração e fechou o maravilhoso concerto com a ajuda do público e muitas vozes em uníssono que entoavam o famoso “I love you so”. E é verdade… o amor é recíproco, Alt-J. No entanto, a falha da organização consistiu em colocarem o trio britânico a tocar ainda durante a tarde, o que prejudicou imensamente o espetáculo visual da banda e o pouco tempo de concerto a que tiveram direito. Alt-J, voltem sempre que cá estaremos novamente para vos receber.

Phoenix: um interlúdio divertido entre Alt-J e The XX

Com a fasquia elevada tornava-se difícil, naquele momento, de conseguir superar. Era a vez dos Phoenix subirem ao palco e entreterem o público que dali não arredava pé para The XX e The Weeknd.

Os franceses chegaram com a maior descontração e um repertório que animou, deu para dançar e surpreendeu muitos que pensavam desconhecer a banda.

O indie rock e a eletrónica juntaram-se a um pop tímido e assim arrancaram do público uma também descontração e um início de noite enérgico. O vocalista Thomas Mars espalhava assim diversão pela plateia que, a certo momento, começou a reconhecer alguns temas como 1901 e Lisztomania. Phoenix foi assim o começo de uma noite que se mostrava memorável com a entrada do outro trio britânico em palco, os The XX.

 

Os The XX juraram amor eterno ao nosso país

São novinhos mas deram, provavelmente, um dos concertos mais sólidos desta época de festivais. Apenas três miúdos (que na verdade já são graúdos) ocuparam graciosamente aquele palco assustadoramente grande.

São presença assídua no nosso país e fizeram questão de demonstrar múltiplas vezes ao longo do concerto que estão gratos pelo amor que lhes damos. Jamie XX encontrava-se atrás da cabine de DJ com muita maquinaria à sua volta enquanto Romy e Oliver se aventuravam à frente unindo as vozes e instrumentos.

Este concerto tinha tudo para dar certo. E deu. Entraram da melhor maneira possível com Intro anunciando que algo de fantástico se avizinhava e depois da entrada melodramática seguiu-se a famosa Crystalised, mas imediatamente visitaram o novo álbum que editaram este ano, I See You, declarando-se a Lisboa com Say Something Loving.

A festa continuou com a banda britânica a presentear os fãs mais dedicados com temas do primeiro álbum XX com Islands, VCR, Infinity e Shelter, que foram o amor à primeira vista dos fãs por esta enorme banda. Pelo meio houve Dangerous, a faixa inaugural do último álbum, que puxou dos dotes eletrónicos de Jamie e I Dare You com o divertido Oliver Sim a assumir a voz e os passos de dança tímidos.

Romy estava muito mais expansiva e simpática desta vez e atirou-se a Performance e Brave For You, provavelmente as faixas mais íntimas de I See You, e saiu vitoriosa. Um dos pontos altos da noite foi A Violent Noise, que não tinha constado nas setlists anteriores e maravilhou os fãs mais atentos da banda. Tivemos direito a cover de Loud Places do álbum a solo de Jamie XX que pôs milhares de pessoas a dançar inclusive Romy.

Esta energia de Jamie XX não cessou e On Hold era a próxima vítima de cantoria da plateia: o fim avistava-se com o single mais conhecido dos britânicos. Romy e Oliver fizeram questão de demarcar mais uma vez o amor que têm ao público português e o quão ansiosos estavam por este espetáculo. Angels foi a escolhida para terminar o concerto em beleza com a dedicação do tema à noiva de Romy. Os astros alinharam-se, as vozes uniram-se e nós estávamos “as in love with you as I am”. Os The XX escolheram Portugal para o primeiro amor e nós escolhemo-los para o amor eterno.

O Starboy fez dançar, mas não surpreendeu

A estrela da noite, The Weeknd, fez com que muita gente chegasse a Algés cedo e se concentrasse no palco principal com a expectativa de um belo concerto pop. Quem foi com esse propósito e com as letras bem assentes na memória não se desiludiu, quem ia movido pela curiosidade pode ter caído na desilusão.

Não foi um concerto que necessitasse de introdução porque na verdade todos ouvimos rádio, mas para a grande fanbase do canadiano foi um sonho e teve o alinhamento perfeito. O Starboy começou exatamente com esse tema e explodiram vozes, passos de dança e energia que The Weeknd tinha para dar e oferecer. No repertório apresentado houve espaço para o intimismo de Six Feet Under e para os hits como I Can’t Feel My Face com muita celebração e festa à mistura. Um alinhamento recheado de radio songs e fan favorites culminou com I Feel It Coming e The Hills, fogo de artifício e muita excitação.

 

Para quem queria evitar o rapaz-estrela no palco NOS podia optar por passar no Heineken e ficar para o rock dos Royal Blood. Em 1h de concerto os britânicos do rock “pesado” não desapontaram e tocaram entre os temas do álbum editado no mês passado e os hits (que na verdade não o são). Garage rock, riffs pesados e baterias bem eletrizantes tornaram este concerto memorável.

Bonobo tocou, encantou e ficamos sedentos por mais

Um dos destaques do dia foi, sem dúvida, Bonobo. Que se estreou (live, não DJ set) em Portugal e não desapontou um bocadinho.

O génio por detrás do projeto é Simon Green e trouxe com ele uma comitiva de vários músicos: havia bateria, teclados, guitarras, baixos e instrumentos de sopro. Na bagagem trouxe Migration, editado em janeiro, e a máquina bem oleada.

Migration, tema do último álbum do músico, iniciou a nossa viagem pelas migrações de Bonobo que prometeu, desde que entrou em palco, um concerto recheado de muitas sonoridades e dança. Praticamente todas as faixas de Migration passaram pelo Heineken com destaque para Break Apart que contou com a voz de Szjerdene e também Kerala, um dos temas mais animados que Bonobo nos trouxe até hoje.

Cirrus foi também um dos momentos altos da noite que pôs toda a gente naquela tenda a bater o pezinho. O que tornou este concerto em Lisboa diferente? Silver, um tema primordial do britânico que foi tocado, mesmo não constando de setlists há já muitos anos. Atrás de Simon e de toda a sua maquinaria apresentavam-se imagens e animações perfeitamente em sintonia com as músicas representando o lado mais exótico da natureza, o lado que Bonobo explora na sua música. Da calmaria às percussões intensas, Bonobo presenteou-nos e bem nesta sua grande estreia em solos portugueses.

A noite continuou com Glass Animals no Palco Heineken e hoje há Savages, The Cult, The Kills e Foo Fighters. O Espalha-Factos continua pelo Passeio Marítimo de Algés.

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