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Suécia vai ter festival onde não podem entrar homens

Depois de no final de junho, a edição de 2018 do festival sueco Bravalla ter sido cancelada graças ao elevado número de crimes de assédio e violação registados, a Suécia vai agora albergar um festival women only.

Esta ideia surgiu na rede social Twitter, através de uma publicação da comediante e radialista sueca Emma Knychare de 29 anos. O tweet escrito em sueco sugere a criação de um festival onde os homens não são bem-vindos até que saibam comportar-se.

A resposta a esta ideia foi bastante positiva e já foi confirmada a organização e a primeira edição do festival, no Instagram de Emma. Em declarações ao jornal sueco Aftonbladet, Emma defendeu a sua posição depois de ter sido acusada de discriminação: “como parece normal a discriminação contra mulheres, talvez também seja razoável excluir os homens”.

Os festivais suecos têm-se revelado ao longo dos anos locais bastante perigosos para as mulheres. O elevado grau do flagelo dos abusos sexuais levou o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, a tornar mais rígidas as leis que condenam as agressões sexuais em 2016. Esta ação foi levada a cabo depois de 15 queixas de violações e 40 de assédios no festival Bravalla, que foi agora cancelado.

Este acontecimentos geraram reações dos artistas presentes no cartaz do Bravalla, nomeadamente dos Mumford and Sons. A banda britânica expressou publicamente o seu desagrado e afirmou que não voltaria a atuar no evento enquanto o problema não estivesse controlado.

We're appalled to hear what happened at the Bravalla Festival last weekend. Festivals are a celebration of music and…

Publicado por Mumford and Sons em Terça-feira, 5 de julho de 2016

Apesar deste ser um conceito completamente revolucionário, outros festivais já criaram espaços exclusivos para mulheres. Em 2016, o Glastonbury criou o espaço The Sisterhood, uma área para todos os que se identificavam como mulheres. No Michigan, o festival Electric Forest criou uma divisão de campismo exclusiva para mulheres.

A realidade portuguesa

A verdade é que o registo de ocorrências é nulo, apesar de terem existido suspeitas de uma violação no festival MEO Sudoeste, que foi posteriormente desmentida pela organização. As próprias forças de segurança e de vigilância dos festivais tendem a restringir o seu foco de ação sobre comportamentos adulterados e apreensão de substâncias ilícitas.

O presidente da Aporfest – Associação de Portuguesa de Festivais de Verão – afirma que a falta de informação sobre este problema advém da inexistência de debate sobre o tema e ação nos eventos. Apesar de não haver queixas, a APAV (Associação de Apoio à Vítima) e a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres já notaram que isso não significa que existam zero ocorrências, sendo necessário despertar a consciência para a causa.

 

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