Foram dois os concertos esgotados por Salvador Sobral, vencedor do Festival da Eurovisão, no Centro Cultural de Belém, nos dias 2 e 3 de julho. O músico intepretou músicas de Excuse Me, mas revelou um pouco do novo disco que está para vir.

A primeira coisa que Salvador fez antes de começar o espetáculo foi pedir aos presentes que desligassem os telemóveis e que os metessem bem longe, de modo a que apreciassem o concerto e que retirassem dali alguma emoção forte, fosse positiva ou negativa.

“No fim tiramos 20 segundos para fotografias e vídeos!”

Feito o pedido, foi altura de o jazz invadir o palco em que o principal condutor foi o álbum do artista, Excuse Me, lançado em março de 2016. É certo que ter vencido o festival da Eurovisão levou muitas pessoas ao CCB – algumas que provavelmente nem apreciam este estilo de música.  Ainda assim, foram muitos aqueles que estavam curiosos de o ouvir noutro registo.

É inegável a energia e o sentimento que Salvador deixa em palco, acompanhado pela sua banda, que ajuda a proporcionar os seus gritos, saltos, sussurros, entre tantos gestos que o artista faz. Sempre que há uma melodia improvisada no piano de Júlio Resende, notas a ecoar ferozmente do contrabaixo de André Rosinha e um solo entusiástico de bateria de Bruno Pedroso (ou dos três juntos), Salvador senta-se e dá destaque aos seus companheiros e amigos de longa data, como refere a meio do concerto.

Entre puxar o público para cantar alguns temas como Presságio – composto por Júlio Resende e inspirado no poema de Fernando Pessoa, o amor, quando se revela– ou até Amar pelos Dois, o concerto contou com músicas do primeiro álbum e com tantas outras que poderão vir no novo disco. Sobral disse ainda na brincadeira ao público: “Se não gostarem de alguma música digam ‘estás louco, não metas isso no disco!’ e eu vou reconsiderar!”.

Houve ainda referência à nova banda do cantor e do pianista, intitulada Alexander Search, o novo projecto de rock eletrónico inspirado em poemas de Pessoa.

 

O encore foi algo de muito especial e assustador por outro lado, no bom sentido: cantou só com um holofote a apontar-lhe para a cara, revoltado, um tema que falava de uma história que tinha escrito sobre um rapaz em coma que não queria acordar porque tinha morto alguém e estava no limbo de voltar a acordar ou ficar naquele estado “vegetal”, palavra que usa ao longo da canção.

“Sinto que vos devo uma explicação”, diz logo Salvador, sentado ao piano, explicando que queria preparar algo especial. Após isso, interpretou sozinho ao piano, à semelhança do concerto “Juntos Por Todos”, a melodia A Case of You, de Joni Mitchell. Chamou os companheiros de palco para agradecer ao público e deu por terminado uma noite surpreendente para alguns, desgostosa para outros. Mas com emoções fortes, como ele pediu.