Ministério do Tempo

Salários em atraso param gravações de ‘Ministério do Tempo’

A série Ministério do Tempo, uma das apostas da RTP na ficção nacional, está com as gravações paradas desde maio devido a salários em atraso para com os atores e equipas técnicas. A revelação foi feita esta noite através do Facebook oficial do ator António Capelo

Num comunicado que é assinado também pelos atores Luís Vicente, João Craveiro, Andreia Dinis, Mariana Monteiro, João Vicente, Samanta Castilho, Carla Andrino e Ângelo Rodrigues, são referidas duas situações em que os ordenados da equipa não foram pagos pela produtora Just Up, responsável pela produção desde a metade da primeira temporada.

O início de Ministério do Tempo, garantido pela Iniziomedia, já tinha contado com vários percalços financeiros. O jornal Correio da Manhã revelou, em abril passado, a existência de várias dívidas por parte da antiga produtora, algumas das quais terão mesmo sido resolvidas pela Just Up.

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Depois de, em abril, os pagamentos terem sido feitos com atraso, António Capelo revela que a produção está agora a dever os vencimentos de maio. “Voltámos a parar e, ao fim de um mês, a situação não está sequer em vias de resolução“, descreve.

Os atores alertam ainda “todos os companheiros de profissão” para o risco que correm “ao aceitar convites para trabalhar com algumas produtoras que, infelizmente, não merecem a dedicação dos profissionais que tudo fazem a bem do seu trabalho“.

Atores pedem mais exigência à direção da RTP

O elenco faz ainda um apelo à direção da RTP, “para que não nos deixe à mercê daqueles que, a coberto de uma maior oferta no mercado audiovisual, se apresentam a concurso sem as condições mínimas para exercerem dignamente esta actividade“.

A estação pública reagiu esta terça-feira (4) a este comunicado. Declara que a Just Up “tem vindo a informar a RTP das dificuldades da sua parte na produção“, mas que não foi comunicada de forma definitiva “a incapacidade de continuar a série“.

RTP manifesta solidariedade

Sublinhando “ser alheia” aos problemas de incumprimento por parte da produtora, a emissora estatal deixa “uma palavra de solidariedade às equipas de profissionais da série Ministério do Tempo, desejando uma rápida resolução do impasse“.

Destaca ainda que “esta oportunidade para a indústria de ficção portuguesa não é isenta de risco mas a paragem do Ministério do Tempo, a confirmar-se, será o primeiro caso em mais de uma dezena de projetos de ficção já exibidos pela RTP e outros tantos já lançados“.

Garante ainda que nenhuma das empresas contratadas “tinha, até hoje, quaisquer inibições contratuais ou antecedentes de incumprimento para com a RTP“, realçando que “a partir do momento em que surgem problemas, não haverá novos projetos contratados a estas produtoras, até toda a situação ser esclarecida“.

A estação pública afiança ainda que irá “manter a estratégia de lançar novas séries a partir das propostas apresentadas pelas produtoras. Isso significa novas oportunidades de trabalho para todas as categorias profissionais envolvidas na produção“.

Atualizado às 18h28, 4 de julho, com declarações RTP.
  1. Assisti a série espanhola, e achei o máximo. Quando soube que tinha a versão Portuguesa, logo tive interesse. Afinal, Brasil e Portugal são irmãos de muitos anos, e adoraria ver a história do Brasil também incluída neste seriado. Mas logo nos primeiros capítulos, vi a diferença enorme entre a versão espanhola e a versão portuguesa. A versão Original (espanhola) Não economizou em detalhe, já a versão portuguesa, enxugou onde pode as cenas. Eu só entendia o que estava realmente acontecendo, por já ter assistido a versão original. Claro, que teve muita coisa a adaptar, mas em devidas cenas já era nítido a pobreza de cenário etc. Mas o que salva a série, é a presença de espirito e talento de seus atores. No começo, eu estanhei, pois, havia acabado de ver a versão original, mas logo na sequência fui tomando gosto pelos personagens portugueses. Parabéns a todo o elenco, que soube de maneira digna dar continuidade em uma história tão envolvente.

  2. A sua noticia é interessante mas há mais sobre o assunto.

    Já a primeira série foi uma vergonha e grande parte da equipa técnica ainda hoje não recebeu, como são técnicos de efeitos especiais e pós-produção, não têm a visibilidade da Mariana Monteiro, bem que se podem queixar que não vai aparecer em noticias nenhumas.
    É uma vergonha que o canal do estado entregue produções desta dimensão e deste valor a produtoras sem qualquer tipo de escrúpulos, integridade e seriedade, A RTP conhece bem os donos destas duas produtoras e o seu modus operandi, de há muito tempo.
    Diga-se que esse senhor Marcelo já era co-produtor na primeira série ficou a dever dinheiro a toda a equipa de pós-produção, ele preferiu arrancar com a segunda série em vez de pagar aos profissionais da primeira. O pouco que ele pagou foi porque as pessoas iam abandonar a produção, e ele fez pagamentos mínimos e promessas de que as pessoas iam ser integradas na equipa da segunda série. Tanto a RTP como a Produtora espanhola sabiam da enorme divida aos profissionais da primeira temporada. Esse senhor e a sua produtora, que não passa de uma sala alugada num ermo qualquer para ninguém lá ir sem a minima capacidade de produzir o que quer que seja, contratou uma equipa completamente nova para não ter de pagar ás pessoas que trabalharam na primeira temporada.

    É um assunto muito grave que devia ser exposto, porque uma empresa do estado é conivente com isto tudo e pagou uma segunda série a uma produtora que eles sabiam que não iria pagar aos profissionais

    Cumprimentos

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