A 34.ª edição do Festival de Teatro de Almada realiza-se de 4 a 18 de julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite. Vão ser apresentados 27 espetáculos no festival, dos quais 13 são portugueses e cinco são estreias. Apesar disto, o diretor do festival revela que existem entraves monetários ao comprimento do programa talhado para o ano.

Arrancou hoje a 34.ª edição do Festival de Teatro de Almada. Em relação ao ano anterior, que contou com sete produções nacionais, de entre as 29 apresentadas, este ano 13 das 27 escolhas do diretor são também produções nacionais. Há ainda uma opção por espetáculos de formato ‘mais intimista’.

No ano anterior, já alguns aspetos da programação deste ano tinham sido escolhidos, quando o público votou no espetáculo Hedda Gabler para ser o espetáculo de honra desta edição. Este faz parte de um teatro quase desprovido de meio técnicos; aquilo que o caracteriza são os atores, o âmago do teatro, como defende o diretor. Assim, Rodrigo Francisco, diretor do festival de teatro, decidiu ir ao encontro desse desejo do público e acabou por programar 11 espetáculos nesse formato “íntimo”, baseado em “bons textos e bons atores”.

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Foto: divulgação

Relativamente às produções nacionais, parte delas fazem parte de um ciclo intitulado Novíssimos. Este ciclo mostrou já em anos anteriores o trabalho que criadores mais jovens andam a fazer na Argentina, Espanha e Itália, dando-lhes a oportunidade de se apresentarem ao lado de grandes companhias estrangeiras.

Entre as cinco novas criações nacionais, destaque para a nova produção da Companhia de Teatro de Almada (CTA), intitulada História do Cerco de Lisboa, e para uma produção do Teatro Elétrico, encenada por Ricardo Neves-Neves, Karl Valentin Kabarett. Ambas vão ser apresentadas no festival dia 10 de julho.

O homenageado deste ano é o cenógrafo António Lagarto, que vai ter uma exposição de cenários e figurinos na Escola D. António Costa. A norueguesa Juni Dahr, coautora da dramaturgia do espetáculo Hedda Gabler, dará lições no ciclo O sentido dos Mestres. Aldina Duarte, Waldemar Bastos, Irmãos Catita, Bruno Pernadas e Samuel Úria são alguns dos artistas que vão dar Música na Esplanada.

A lutar contra a crise

Dia 23 do mês passado, na Casa da Cerca, em Almada, foi apresentada a programação do festival. Rodrigo Francisco revelou que já foram vendidas mais de metade das assinaturas, ou seja, os bilhetes que custam 75€ e que dão acesso a todos os espetáculos do festival já foram vendidos. O diretor mostrou-se satisfeito, afirmando que significa que as pessoas têm confiado na programação do festival, uma vez que a maior parte dos bilhetes foram vendidos sem que o público soubesse a programação e o que iam ver.
Apesar disto, Rodrigo Francisco mencionou ainda que as limitações orçamentais se refletiram aquando de planear o futuro e os programas. Fez as contas e percebeu que o apoio estatal dado à companhia em 2017 é equivalente ao que era atribuído em 1997.

“Há uma contradição: os responsáveis políticos veem este festival como um evento nacional mas depois não é financiado como tal”.

O responsável pelo festival referiu ainda que o festival tem este ano um orçamento de 820 mil euros, dos quais 257 mil provêm da Câmara Municipal de Almada, 363 mil euros surgem de parcerias e receitas próprias do festival, e 200 mil euros são retirados do apoio do Ministério da Cultura/DG Artes à estrutura organizadora, a CTA (que recebe 400 mil euros no total, para o festival e para as suas criações).

O programa

Apre – Melodrama Burlesco é o espetáculo de abertura do festival, a 4 de julho. A produção é da Compagnie Le Fils du Grand Réseau, de França, com encenação de Pierre Guillois. Este espetáculo ganhou, com o seu humor negro, o Prémio Molière para Melhor Comédia.

A História do Cerco de Lisboa é uma colaboração entre a CTA, a ACTA – Companhia de Teatro do Algarve, a Companhia de Teatro de Braga e o Teatro dos Aloés. O espetáculo é baseado na obra homónima de José Saramago, a encenação é do espanhol Ignacio García. Estreia no festival, com sessões dias 5 e 6 de julho, e segue depois em digressão.

No dia 11 de julho, a companhia belga Peeping Tom traz a Almada o espetáculo Mãe, com encenação de Gabriela Carrizo. O espetáculo cruza teatro, dança e cinema. A figura da mãe está também na origem de Vangelo, um espetáculo de Pippo Delbono, com sessões no festival dias 15 e 16 de julho.

O espetáculo Golem parte do mito de um homem que cria um ser de barro para trabalhar para si. Suzanne Andrade, responsável pelo texto e pela encenação, e a companhia inglesa 1927 imaginam o que aconteceria a alguém que tivesse um ‘golem’ e se debatesse com o ‘vazio’ de uma vida sem trabalhar. Esta peça estará em cena dias 12 e 13 de julho.

Mais informações sobre a programação e sobre outros espetáculos que vão decorrer disponíveis no site da Companhia de Teatro de Almada.