RADIOHEAD

Radiohead, estamos OKNOTOK, obrigada por perguntarem

Eles prometeram e voltaram. Os mais ávidos fãs de Radiohead esperaram anos pelo momento em que veriam algumas das suas canções preferidas editadas.

Por motivo de celebração dos vinte anos de Ok Computer, os Radiohead finalmente nos fizeram a vontade e trouxeram-nos Lift, I Promise e Man of War (antiga Big Boots) editadas. OK Computer OKNOTOK 1997-2017 não é nenhuma novidade para os fãs, mas traz um sentimento de disco novo de volta.

Nesta reedição temos direito às faixas normais remasterizadas, às três faixas inéditas acima referidas e ainda às faixas que foram incluídas na versão deluxe do álbum, nos anos 90.

Ok Computer é o disco mais marcante da história da banda, aquele que os fez mostrar a resiliência do grupo e também  o disco que os fez lutar contra os vícios da fama. Após esta fase, os Radiohead tornaram-se a banda de uma geração, a banda que daqui a uns anos será descoberta por outros jovens igualmente inspirados, contudo todos os fãs têm algo em comum: foram apreendidos pela magia de Thom Yorke e companhia.

Airbag, Paranoid Android, Subterranean Homesick Alien, Exit Music (For a Film), Let Down, Karma Police, Fitter Happier, Electioneering, Climbing Up The Walls, No Surprises, Lucky e The Tourist são as faixas regulares que compõem Ok Computer: não é o onze, mas sim o doze ideal que venceu o Mundial de melhor álbum rock dos últimos anos.

I Promise cai-nos subitamente aos pés com a sua simplicidade que lhe confere a sonoridade amigável ainda a roçar The Bends. Com arranjos de guitarra simples e alguma complexidade instrumental, Thom Yorke promete a Rachel, a sua ex-companheira, que promete ficar ao lado dela não importando o que possa acontecer.

Quem conhece bem a banda sabe que Yorke costuma fazer mais statements políticos do que românticos, mas esta faixa prova que consegue ser vulnerável e devoto ao amor. Um raio de sol sorridente como I Promise é nunca teria espaço num Ok Computer sombrio e misterioso.

Segue-se Man of War, outra “fan favorite” previamente conhecida como Big Boots, com várias semelhanças a Karma Police e Paranoid Android. Depois de tantos anos de espera, os fãs podem finalmente apreciar a versão editada de um dos clássicos da banda ao invés de uma gravação de 1995 de má qualidade.

É mais frenética e eletrizante com a guitarra de Jonny Greenwood em destaque e a paranóia de Yorke com “the worms will come for you”. Man of War já se encontra mais afeiçoada a Ok Computer relembrando-nos os riffs flamejantes de Paranoid Android, a letra crua de Climbing Up The Walls e o vídeo paralelo ao de Karma Police.

Os Radiohead seguem o raciocínio distópico e ansioso com Man of War e até Lift não destoa da sonoridade que a banda impôs nos anos 90.

E agora o momento que todos mais esperavam: o lançamento (em condições) de Lift. Lift sempre foi uma das faixas clássicas da banda que nunca tinha editado em estúdio, tal como True Love Waits ou Big Boots.

É Lift que faz a conexão entre a era The Bends e a era Ok Computer: dois álbuns próximos entre si, embora muito distintos. O que seria dos Radiohead se tivessem continuado com as canções rock robustas de The Bends? E se Lift tivesse sido incluída no disco? São muitas questões e a resposta é única: não seriam quem são hoje e toda a sua musicalidade seria diferente. Lift é a passagem definitiva de uma High and Dry para uma Let Down. E nós agradecemos, Radiohead.

Vale a pena frisar que estas faixas (finalmente editadas) são músicas “deitadas para o lixo” pela banda nas sessões de gravação de certos álbuns. Os Radiohead são, portanto, aquela banda cujas canções que não servem tanto para eles são igualmente boas e surpreendentes como as que conseguem figurar nos álbuns.

E assim, 30 anos depois do começo da banda e 20 anos depois de marcarem o seu estatuto universal, os Radiohead continuam a arrebatar os nossos corações.

Esta reedição do álbum mais aclamado da banda não é apenas de celebração ou como forma de aumentar as vendas do disco, eles já não precisam disso. OKNOTOK é um presente em formato de agradecimento aos fãs que sempre acompanharam a banda e é ainda dedicado à ex-companheira de Thom Yorke, Rachel Owen, que faleceu em dezembro do ano passado.

São estas pequenas coisas que nos fazem aplaudir ainda mais esta tão peculiar banda. Obrigada, Radiohead. Por vezes estamos NOTOK, mas depois disto estamos muito OK.

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