Para muitos, o Sumol Summer Fest marca a estreia no mundo dos festivais de verão. O primeiro dia do festival da Ericeira ficou marcado pela viagem por vinte anos de hip hop em Portugal.

Mas já vamos à noite e à retrospetiva do hip hop em terras lusas, que contaria com nomes como Valete, Capicua ou os mais ‘novinhos’ GROGNation. Antes disso, a tarde começaria com Digital Farm Animals. Ou melhor, um porco cor-de-rosa, que despertou a atenção do público do Sumol Summer Fest.

A História do Hip Hop tuga foi o ponto alto da noite, ao juntar mais de 15 nomes da cena nacional em palco, com uma viagem organizada por anos. É importante recordar que nem sempre o hip hop esteve nas boas graças da crítica musical – e há que agradecer aos MC, produtores, rappers e muito mais que, ao longo de 20 anos, pavimentaram caminho para que, em 2017, haja quem bata recordes de vendas e visualizações no YouTube.

A ideia era homenagear estes vinte anos do género em Portugal, que, ainda antes dos anos 2000, foi marcado por nomes como General D ou pelos Black Company – e pensar que parte da plateia presente na Ericeira ainda não era nascida na altura do mítico Não Sabe Nadar, de 1994…

Mesmo quem não estava presente, como foi o caso dos Mind da Gap, era homenageado no festival, através de vídeos de retrospetiva. Passando para a época de 2005, aquela que teve maior representação, era tempo de ouvir Sam the Kid, que entoou Poetas de Karaoke, do marcante Pratica(mente), que completou o ano passado dez anos.

Capicua, a única mulher em palco (ou devemos dizer a comandante da guerrilha cor-de-rosa?), recordou-nos que não é só ela a fazer história no hip hop português no feminino: há também outras mulheres que o fizeram e que não estavam ali, mas que não deveriam ser esquecidas. Afinal, MC também pode ser sinónimo de Maria Capaz – tema essa que a rapper do Porto trouxe ao palco da Ericeira.

Capicua - Sumol Summer Fest 201

Entramos na era de 2015 e a atitude do público altera-se: afinal, é esta a geração que já consome músicas de Dillaz, Bispo ou Holly Hood nas plataformas de streaming – e está muito mais familiarizada com estes nomes.

GROGNation, que lançaram o disco Nada é Por Acaso em abril deste ano, interpretaram Na Via e Voodoo, retirados do EP Na Via, de 2015. Em agosto, o grupo de Mem Martins ruma ao MEO Sudoeste.

Dillaz interpretou Não Sejas Agressiva e Holly Hood convoca a si as Cobras e Ratazanas. No fim, todos os artistas em palco, antes de Gabriel o Pensador dar umas palavras e cantar.

A terminar a noite, Fat Joe – ou Joseph Antonio Cartagena, nascido em Nova Iorque, em 1970, com ascendência porto-riquenha. Como não poderia deixar de ser, o artista teve em All The Way Up o ponto alto do seu concerto.