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Guiné-Bissau vai deixar de ter RTP, RDP e agência Lusa

A RTP, a RDP e a agência Lusa vão deixar de operar na Guiné-Bissau a partir da meia-noite desta sexta-feira (01h00 de Sábado em Lisboa). O anúncio foi feito esta manhã pelo ministro da Comunicação Social da Guiné-Bissau, Vítor Pereira, que afirmou que os conteúdos não estiveram na base da decisão. Em comunicado, a RTP lamentou a opção do governo de Bissau.

Os três órgãos de comunicação portugueses vão deixar de emitir na Guiné-Bissau até que se chegue a um novo acordo entre o governo português e o de Bissau. O anterior acordo já tinha terminado em Outubro de 2016, disse o executivo do país africano.

Vítor Pereira explicou que é altura de “revisitar e renegociar” o acordo celebrado há 20 anos. O ministro justificou esta necessidade com as mudanças que ocorrem no panorama da sociedade e da comunicação social. Vítor Pereira referiu ainda que Guiné-Bissau está há 14 anos a tentar conversar com o governo português e que o país não se pode “dar ao luxo de ter rádios piratas e televisões piratas”.

“Perante o insistente silêncio que para nós se traduz em manifesta falta de vontade política da parte portuguesa, no dia 1 de junho de 2017, foi enviada com caráter de urgência, uma nova carta ao ministro da comunicação social de Portugal, onde não só se elencam os motivos da proposta de suspensão das atividades da RTP na Guiné-Bissau, como também se propõe a data limite de 30 de junho para esse efeito”, revelou Vítor Pereira.

Portugal ainda não respondeu à carta. Como consequência, a partir da meia-noite (01h00 em Lisboa), deixará de existir RTP, RDP e Lusa na Guiné-Bissau.

Reduzido poder de escolha

“A RTP lamenta profundamente a decisão de impedir os guineenses de acederem às emissões da RTP África e da RDP África. Estas emissões constituem há muito uma janela da Guiné-Bissau para o mundo; são também o lugar de encontro dos povos lusófonos onde, todos os dias, sabemos uns dos outros. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, têm feito destas emissões um espaço de liberdade, de desenvolvimento e de respeito mútuo”, afirma a televisão estatal portuguesa em comunicado, que refere ainda que “diminuir as opções disponíveis de informação, de entretenimento e de cultura só pode ser visto como um retrocesso”.

A RTP considera que a decisão do executivo de Bissau reduz o “poder de escolha” dos guineenses e “o seu acesso a uma informação e programação feita com rigor, com isenção e com pluralismo”. “Os guineenses que vivem fora do seu país terão maior dificuldade em saber o que se passa na sua terra de origem”, considera a empresa portuguesa.

“Ao longo de muitos anos a RTP tem mantido com a Guiné-Bissau, num espírito de entreajuda, uma relação de cooperação técnica e de formação, com vantagens mútuas. Procuraremos manter e, se possível, desenvolver essa relação com a Guiné-Bissau, ligada por fortes laços a toda a Comunidade Lusófona”, salientou a RTP, que espera que a decisão “decisão possa ser ultrapassada o mais brevemente possível”.

“Consolidação da ditadura”

Quem também não é a favor da decisão do governo de Guiné-Bissau é Sana Canté, ativista guineense e líder do Movimento dos Cidadãos Conscientes Informados. O ativista chega a falar em “ditadura”.

“Nós ouvimos com muita consternação esta decisão do Governo, o que condenamos com toda a veemência. Para nós constitui uma consolidação da ditadura na Guiné-Bissau, este ato passa por silenciar a voz do povo e esconder a verdade para o mundo”, afirmou Sana Canté à agência Lusa.