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As melhores séries de 2017 (até agora)

Que a idade de ouro das séries televisivas (mesmo que não sejam transmitidas na televisão, e muito à boleia da Netflix e Hulu) está para ficar não há muitas dúvidas disso. Até porque são vários os grandes nomes do cinema que procuram projetos mais duradouros, onde podem criar um vínculo mais forte com o público.

Ainda assim, 2017 não se tem superado a outros anos, pelo menos em termos de qualidade de produção ou de guião. Não sendo estas as escolhas absolutas daquelas que foram as melhores séries/temporadas nos primeiros seis meses de 2016, arriscamos avançar com cinco séries que marcaram o panorama televisivo até ao mês de junho.

Antes de apresentar o ranking, torna-se imperativo frisar que não há histórias novas (ou são raras), portanto o que define a qualidade de uma série não é tanto a sua temática, mas como a mesma é contada.

5. Master of None

O carismático Aziz Ansari mostrou que não é só de humor que se faz uma série de comédia. Pela estética do plano acima apresentado, é fácil perceber que houve muitas preocupações visuais e técnicas por parte do ator da Carolina do Sul e de Alan Yang. O duo, que já tinha trabalhado em Parks and Recreation, aumentou (e de que maneira!) a tarimba no que à realização de comédias diz respeito.

Na segunda temporada, a produção de Master of None arrisca duplamente, tentando montar uma história numa pequena cidade italiana com um primeiro episódio em escala de cinzentos. Este tipo de inovação acaba por pautar toda a série, que conta com um guião extremamente atual. Além dos clássicos problemas de primeiro mundo (onde comer, como falar com uma mulher), a série aborda as relações interpessoais de forma incrivelmente verosímil, com Tinder à mistura e tudo.

4. House of Cards

2017 não nos apresentou a temporada mais brilhante de House of Cards. Para isso contribuíram várias opções de guião, como avançar no tempo em momentos cruciais da história. Além de serem omitidos importantes partes da trama, depois explicados implicitamente, pareceu também haver alguma indecisão sobre a relevância de personagens secundárias, aparecendo e desaparecendo nomes relevantes de forma quase errática.

Ainda assim, o nível de qualidade House of Cards, garantido tanto por Spacey e Wright como pelos diálogos (apesar das críticas já apontadas ao argumento), continua muito elevado. De resto, e sem pretender spoilar demasiado, esta é a temporada que confirma Robin Wright como o elemento de destaque da produção da Netflix, muitas vezes – até na própria storyline – ofuscada por Kevin Spacey.

3. The Handmaid’s Tale

Na maioria das séries aqui apresentadas existe um certo padrão de forma sobre o conteúdo. Isto é, é muito mais importante uma série bem feita do que uma ideia brilhante. Contudo, o guião é sempre um dos factores que atestam a qualidade das produções audiovisuais. A estreante The Handmaid’s Tale vai um pouco contra corrente, no sentido que apresenta aquele que é o plot mais inovador, mesmo sendo baseado no livro homónimo.

Sem grandes estrelas no elenco, a primeira temporada da trama pós-apocalíptica acaba por marcar o ano de 2017 no que melhor tem sido feito a nível de séries. Aquilo que à primeira vista parece uma mistura de Children of a Men e V for Vendetta, com um toque de Mr. Robot, é muito mais do que isso pelas características próprias de realização, guião e interpretação. A beleza pouco óbvia de Elisabeth Moss, a atriz principal, é um trunfo que encaixa perfeitamente na história de The Handmaid’s Tale.

2. Fargo

Neste patamar entramos no limiar da genialidade da produção audiovisual. Depois de uma temporada de estreia de qualidade impar, fica difícil a Noah Hawley escrever algo melhor do que a história que contou com Billy Bob Thornton; contudo, continua a haver espaço para criatividade para mais um conto épico no Minnesota. O primeiro episódio é absolutamente cativante, que poderia valer como um filme por si mesmo.

Com Ewan McGregor em duplicado, a série recupera o papel do vilão sui generis, desta vez com David Thewlis a fazer de V. M. Varga. As iniciais por descobrir espelham o mistério da personagem, que acaba por marcar a série um pouco à imagem do que Lorne Malvo (Thornton) fez na primeira temporada.

Tecnicamente a série apresenta-se como das melhores produções do ano. Para isso contribui a paleta de cor (um frame de Fargo é facilmente reconhecível no meio de outros), a simetria de planos e o recurso inteligente a top shots. O plano em evidência é de uma genialidade superior, em que a cor, a profundidade, e o enquadramento são absolutamente únicos.

1. Better Call Saul

Costuma acontecer começarmos a ver um episódio mas esquecermo-nos de alguma coisa e, por isso, levantamo-nos para a ir buscar. Há que meta na pausa, há quem não ache necessário fazê-lo pois são apenas dois segundos. Em Better Call Saul, falhar dois segundos da série é perder uma satisfação perante a arte equivalente a uma hora de episódio.

O ritmo da série, muito ao estilo das obras de Vince Gilligan, é lento mas a perseverança compensa sempre os audazes. Recordo um dos episódios da mais recente temporada que acompanha Mike (Jonathan Banks) durante quase 10 minutos em que nenhuma palavra é dita e, mesmo assim, o espetador não consegue desviar os olhos do ecrã. À da magistral execução técnica junta-se o carismático e maleável Bob Odenkirk e surpreendente Rhea Seehorn.

 

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