Fotografias: Catarina Abrantes Alves

Juntos Por Todos: Um aplauso em uníssono… aconteça o que acontecer

1 milhão e 153 mil euros foi a quantia conseguida numa noite em que Juntos por Todos reuniu, mais que 25 dos maiores nomes da música portuguesa, milhões de portugueses em torno de uma causa – o apoio às vítimas do incêndio em Pedrógão Grande. Unânimes e mobilizados, os cidadãos quiseram contribuir para superar uma das maiores tragédias nacionais das últimas décadas.

Um espetáculo de grande dimensão montado em apenas uma semana. Juntou os três canais generalistas e mais de 100 rádios, numa noite que provou que a união faz a força e que é preciso ajudar os que mais precisam: Bombeiros, vítimas e sobreviventes.

Muito antes do concerto Juntos por Todos se iniciar, o MEO Arena já estava cheio – e completamente esgotado. 14 000 pessoas reunidos para poderem contribuir simbolicamente e monetariamente, através do valor do bilhete, para a causa.

Além dos milhares presentes, foi possível ainda que muitos outros milhares de pessoas contribuíssem adquirindo um bilhete donativo. Numa noite de grandes emoções, a multidão aguardou efusivamente o início do espetáculo. O que se fez notar logo quando Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, se dirigiu ao lugar onde assistiria ao concerto.

‘Um abraço que, sempre que é preciso, Portugal não se esquece de dar’

Por ordem alfabética, os músicos foram subindo a palco ao longo de, aproximadamente, quatro horas. Estava na altura de Agir e foi ele mesmo o primeiro a estrear o palco nesta noite com a sua música “Como ela é bela“, que arrebatou o primeiro momento emocionante da noite, quando o público ligou as lanternas dos telemóveis para acompanhar o cantor. Referindo-se à solidariedade das pessoas, Agir descreveu “um abraço que, sempre que é preciso, Portugal não se esquece de dar“.

Amor Electro ecoaram pelo MEO Arena e tornaram claro que “Juntos Somos Mais Fortes“. Dedicaram a música às pessoas que não puderam estar presentes. Ana Moura, com o seu “Desfado” e de vestido rosa, também deixou a sua palavra dizendo que “Seja em que área for, os portugueses para tudo o que seja solidariedade disponibilizam-se na hora“. E o público reagiu.

Foi a vez de Aurea subir a palco, recebida com um enorme aplauso para um momento áureo, fazendo jus ao seu nome, com “I Didn’t Mean It“, aproveitando para agradecer a todos a presença e descrevendo a união das pessoas pela causa e o momento como “arrebatador”. O espectáculo ainda ia no início e a quantia angariada já era de 600 mil euros.

Nomes bem conhecidos do Fado, como a dupla Carlos do Carmo e Camané com “Por morrer uma andorinha“, ou até mesmo Carminho com a sua voz imponente e que valeu uns bons arrepios a quem a ouviu cantar “Meu amor marinheiro” (que teve direito a uma ovação de pé do público) também quiseram contribuir com as suas vozes. Logo a seguir, o ambiente mudou para ritmos pop. Vieram os D.A.M.A com o seu hit “Não dá“.

David Fonseca, natural de Leiria, subiu a palco com “Someone That Cannot Love” e no fim lembrou que “Somos um país pequeno mas temos uma ideia de comunidade muito forte“. Também o cantor de “Tu e Eu“, Diogo Piçarra, surgiu para encantar a MEO Arena, mas com “História”.

Mais de um milhão de vozes

Seguiram-se tantos outros nomes da música portuguesa como Gisela João, que prometeu pôr toda a gente a dançar com o seu “Senhor Extraterrestre“, Hélder Moutinho com “O que sobrou do amor“, e as duplas João Gil e Luís Represas com “Memórias de um beijo” e os icónicos Jorge Palma e Sérgio Godinho num medley que juntou “Portugal, Portugal” e “Primeiro Dia“.

Mesmo sabendo que não devia falar antes de cantar, Luísa Sobral quis deixar palavras de agradecimento a todas as pessoas que organizaram um espectáculo daquela dimensão numa semana e depois conquistou o público com o “Cupido”. Matias Damásio pôs toda a gente a cantar “Loucos” e a quantia continuou a subir até chegar aos 987 mil euros, tudo acompanhado pelo momento bonito em que foi pedido um aplauso para os habitantes de Pedrógão que estavam presentes no concerto.

Fomos ver os aviões com Miguel Araújo e ouviu-se o público a cantar “Portugal! Portugal!” para mostrar que estava lá em peso. Paulo Gonzo interpretou o seu famoso tema “Sei-te de cor” e Pedro Abrunhosa trouxe-nos “Toma Conta de Mim”, que teve direito a uns versos cantados integralmente pela multidão.

Aproximando-se do fim, Raquel Tavares subiu a palco com uma t-shirt que dizia “Juntos Por Todos” e dançou em cima de palco ao som de “Meu Amor de Longe“. Rita Redshoes encantou-nos com “Mulher” e Rui Veloso encheu-nos de nostalgia com “Primeiro Beijo“.

A noite já ia longa, quando foi chamado a palco o último cantor da noite: o vencedor do Festival da Eurovisão, Salvador Sobral. Nos ecrãs passava “Amar pelos Dois, mas o artista optou por avançar com “A case of you“, de Joni Mitchell. Só mais tarde, a canção que levou Portugal à vitória. Aplaudido. Mesmo quando o discurso se gaseificou.

Sólida foi a participação dos portugueses. Mais de um milhão de euros, numa onda de solidariedade poucas vezes vista. É tempo para começar de novo. Juntos por todos.

 

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