A multipremiada atriz francesa será o foco principal do festival, que este ano sai do Estoril para Sintra. O LEFFEST’17 contará com uma retrospetiva da sua carreira, e ainda da do encenador e realizador inglês Peter Brook, e dos realizadores portugueses João Mário Grilo e José Vieira.

O festival, que este ano terá lugar de 17 a 26 de novembro, contará com muitos atores e realizadores consagrados, incluindo “grandes nomes do cinema americano”, nas palavras do diretor do mesmo, o produtor Paulo Branco.

O maior nome confirmado até à data é o de Huppert, com quem Branco estará ainda a selecionar os filmes da sua retrospetiva, e a qual estará presente, para já, no primeiro fim-de-semana do festival.

A homenagem à atriz não se fica pelo cinema, sendo que no âmbito do festival será inaugurada no Museu das Artes de Sintra (MU.SA), a 18 de novembro, a exposição Isabelle Huppert: Woman of Many Faces. Apresentada no Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque, a exposição, que conta com mais de cem fotografias, retratos-vídeo e video-instalações centrados na atriz, já passou por vários países, e foi vista até à data por mais de um milhão de pessoas.

O LEFFEST perpetua-se enquanto cruzamento de artes, tendo Branco confirmado a presença do encenador e realizador britânico Peter Brook. Este terá direito a uma retrospetiva seleta da sua filmografia, e a sua peça, Battlefield, de 2015, estará em cena no Teatro Nacional D. Maria II a 24 e 25 de novembro. Brook estará também presente para uma masterclass durante o festival.

Os realizadores portugueses João Mário Grilo e José Vieira também terão retrospetivas do coletivo da sua obra durante o LEFFEST’17. Grilo terá uma retrospetiva integral, e Vieira terá já feito uma seleção da sua cinematografia, a qual é essencialmente centrada nos problemas da emigração portuguesa em França.

Entre outros avanços dados na programação do festival na sua primeira conferência de imprensa, foi revelado o tema do simpósio internacional – “Pode a Arte Ser Ainda Subersiva?” -, assim como reportado que outros “grandes nomes do cinema”, a aguardar confirmação de passagem por Lisboa, poderão dar também masterclasses.

 

Uma atriz ímparleffest 2017

Tantas vezes apelidada de a “Meryl Streep francesa”, Huppert é conhecida pela versatilidade das suas interpretações, com uma carreira que já foi do cómico ao dramático, nos ecrãs e nos palcos, na França e no estrangeiro.

É a mais nomeada atriz aos Prémios César, tendo-o sido em 16 instâncias, vencendo o César de Melhor Atriz duas vezes – em 1996, por A Cerimónia, de Claude Chabrol, e este ano, por Ela, de Paul Verhoeven. Foi com Ela que Huppert conseguiu, também este ano, a sua primeira nomeação aos Oscares, na mesma categoria.

Foi presidente do júri do Festival de Cinema de Cannes em 2009, certame no qual também já venceu duas palmas de Melhor Atriz, em 1978 (por Violette Nozière, de Claude Chabrol) e em 2001 (por A Pianista, de Michael Haneke, discutivelmente o seu papel mais célebre).

Aos 64 anos, Huppert não dá sinais de querer abrandar na sua prolífica carreira, tendo na calha para estrear três filmes em pós-produção, e o já completo Happy End, de Haneke, antestreado em Cannes este ano.