João Polónio e Filipa Bento são as mentes por detrás do The Outside Crowd, um projeto sobre surf, mas que se foca no que é feito fora de água e que se espera que seja lançado muito em breve em formato de revista digital.

João passa férias no Baleal desde que se lembra e, um dia, num momento de epifania, apercebeu-se que não fazia sentido nunca ter experimentado surfar. Desde 2012 que o surf é, para si, não um desporto, mas uma forma de estabilidade emocional. “Fico tranquilo, foco-me nas soluções e não nos problemas.”

Três anos mais tarde, quando estava a elaborar um documentário para a faculdade, onde conheceu Filipa, procurou saber como se constroem as pranchas, se para praticar é realmente necessário ter-se aulas e que papel desempenham as escolas na formação de um surfista.

O processo não foi fácil, mas o projeto foi ganhando uma identidade muito própria e o objetivo tornou-se claro: dar a conhecer o que é feito fora de água e contribuir para o desenvolvimento da cultura do surf em Portugal. Por isso, se a um grupo de surfistas em acção se dá o nome de «crowd», a quem está cá fora, a construir o surf com tanta paixão com que se cavalgam ondas, chama-se The Outside Crowd.

Essa crowd, que existe nos bastidores, encontra agora a sua voz expressa através de vídeos biográficos, partilhados nas redes sociais, que as pretendem mostrar para além das marcas que representam. Como aconteceu com o shaper Dan Costa, fundador da Retro Movement.

Filipa confessa que, em todas as filmagens, se começa como uma equipa e se acaba como uma espécie de irmandade. “Há uma relação que se cria com os protagonistas. De repente, eles já fazem, de alguma forma, parte da nossa vida e nós da deles.” Para ela é tudo, talvez, um bocadinho mais intenso porque mais fora da sua zona de conforto. Afinal de contas, sempre foi “uma pessoa muito terrestre” e ainda está em fase de aprendizagem no que toca a surfar.

Por outro lado, ele é mais aventureiro e às vezes lá acontecem peripécias. Faz parte do trabalho. Quando filmaram a Lisa no Baleal, por exemplo, João decidiu, carregado com a câmara e um slider, subir umas arribas para conseguir um ângulo melhor. Como estava de ténis, escorregou e esteve “a momentos de dar uma valente queda, uns bons metros até à areia”.

Nota-se a paixão na forma como nos confidenciam as aventuras que não vemos, mas que são parte da dedicação com que dão à luz imagens em movimento, histórias comoventes que partilham sem pudor. É fácil reconhecer o que os une e essa genuína admiração pelo surf, e um pelo outro também, é o verdadeiro trunfo da revista que está para ser lançada em breve.

A ideia é que, para além dos vídeos que já produzem, possam partilhar, de forma mais estruturada, galerias de fotografias, artigos de opinião e análises a filmes e livros relacionados com a temática. Pretende-se, sobretudo, relembrar que o surf é, muito mais que um desporto, um estilo de vida.

Por enquanto, contam  mais de 2500 seguidores no Facebook, mas esperam chegar a cada vez mais pessoas e continuar a sentir que estão a prestar homenagem à comunidade do surf, mas também a ajudar ao seu crescimento.