O segundo álbum é sempre um assunto delicado para uma banda. Principalmente em casos como os Royal Blood, que arrecadaram tanto sucesso e atenção antes sequer de qualquer álbum lançado. Tinham por trás a pressão de um primeiro álbum estrondoso. Ao mesmo tempo, a curiosidade em saber o que mais poderia trazer uma banda de dois instrumentos. Outras bandas, como os The White Stripes e os The Black Keys, deram provas que é possível encher-se canções desta forma, mas mesmo estes últimos começaram a juntar mais instrumentos ao alinhamento.

How Did We Get So Dark confirma que a banda veio para ficar. É um segundo álbum que dá um bom seguimento ao primeiro, mas sem uma alteração muito drástica no som. A fórmula está lá, não se pode dizer que haja muitos riscos tomados, o que é certo é que ela resulta. Há, contudo, menos medo de brincarem com os géneros musicais.

Em algumas canções nota-se um pequeno afastamento dos headbangers pesados para batidas mais catchy. Aliás, este álbum pede mais um bater de pé do que o abanar de cabeça que marcava o auto-intitulado. Ao contrário do título, a banda não ficou assim tão dark, o que até nem é negativo.

Royal Blood mantêm a consistência, mas dão-lhe uma volta arrojada

How Did We Get So Dark (a faixa que dá nome ao álbum) inicia num crescendo que rapidamente explode no refrão. Começa o álbum com força e sem deixar espaço para grandes suspenses. Já o primeiro single do álbum, Lights Out, tem das batidas mais pesadas da tracklist juntamente com outro dos singles, Hook, Line & Sinker, que se encontra mais para o final do disco.

I Only Lie When I Love You é o princípio do seguimento mais catchy do disco. Esta faixa tem a curiosa inclusão na ppercussão daquilo que parece ser um discreto chocalho. She’s Creeping, Look Like You Know e Where Are You Now? compõem o resto da sequência um pouco mais mexida de How Did We Get So Dark.

Somos levados para uma vibe que relembra um bocado os últimos trabalhos dos Arctic Monkeys em Don’t Tell, com um baixo mais sensual e vocais de acompanhamento muito ricos. De facto, os vocais de acompanhamento são muito mais proeminentes neste trabalho dos Royal Blood.

A questão “quantos instrumentos é que são mesmo?” que marcava as primeiras audições da banda regressa em Hole In Your Heart. A penúltima canção aparenta incluir teclado ou uma segunda guitarra, comprovando o talentoso engenho do baixo de Mike Kerr.

How Did We Get So Dark culmina em Sleep, a música com mais parecenças com o primeiro álbum da banda britânica. Esta finaliza com um longo reverb, como que a pedir um aplauso demorado.

How Did We Get So Dark fez a espera valer a pena

Três anos após o primeiro álbum, Royal Blood dão assim provas de que não são um one hit wonder, mas sem alienar os fãs do primeiro trabalho. O baixo de Mike Kerr deixa-nos um gostinho familiar, quase uma certa nostalgia que traz de volta a 2014. As batidas de Bem Thatcher são poderosas e exigem ser colocadas ao lado do ritmo do baixo e não numa posição secundária. Este How Did We Get So Dark é aquele amigo que voltamos a ver ao fim de alguns anos. Percebe-se que ele cresceu e amadureceu, mas, ao mesmo tempo, continua o mesmo que nós gostávamos. Agora, é esperar que a consistência se mantenha e, quem sabe, se reinvente com qualidade.

Para aqueles que vão ao NOS Alive, dia 6 de julho os rapazes de Brighton estarão à vossa espera no Palco Heineken. Para os mais pacientes, há encontro marcado no Campo Pequeno para o dia 28 de outubro.