Mariana Gomes

Samba e Sampha no terceiro dia do NOS Primavera Sound

O terceiro dia do NOS Primavera Sound encerrou três dias de festa no Parque da Cidade. SamphaElza SoaresMetronomy foram os pontos altos.

A tarde do terceiro dia foi perfeita para os mais cansados. Entre Núria GrahamEvolsSonghoy Blues, o público aproveitou para descansar nas mantas amarelas enquanto a folk da espanhola ou o blues dos africanos se deixavam ficar pelo fundo.

Num dia menos cheio que o anterior, como era de notar nas filas bastante menores para comida e bebida, o último dia não se deixou ficar atrás naquilo que toca a espetáculos. Mais ao final da tarde, Elza Soares deu voz aos oprimidos. No seu trono, toda de preto (como quem está de luto pela democracia morta do seu país), a brasileira vocalizou aspetos negros da sociedade, em apelos constantes pela liberdade e integridade. Entoando os bem-sucedidos hits de A Mulher do Fim do Mundo, como Coração do Mar ou Maria da Vila Matilde, a octagenária dominava o público, numa das primeiras enchentes do dia.

O sol pôs-se ao som de The Growlers. Numa atitude descontraída, a roçar o não-querer-saber, o vocalista Brooks Nielsen passeou pelo palco vestido à baile disco dos anos 80. O público manteve-se morno à atuação, acordando em temas como City Club I’ll Be Around.

As decisões começaram a ser tomadas quando SamphaMitski tocavam ao mesmo tempo. Se uns preferiram a atitude power-woman da nipo-americana, outros preferiram o soul blakeano do recém-aclamado Sampha. Este último apresentou Process, álbum de estreia lançado este ano, numa das mais fortes atuações do festival. O britânico mostrou toda a emoção e sentimento das suas canções, alternando entre batidas soul e baladas ao estilo de (No One Know Me) Like The Piano.

As escolhas continuaram entre Weyes BloodMetronomy. Se o soundcheck da norte-americana mostrou a força presente no último disco, imagina-se em concerto. No entanto, a nossa atenção centrou-se em Metronomy.

O último disco dividiu opiniões, trazendo ao mundo um lado mais eletrónico e menos pop. E foi neste Summer 08 que os britânicos mostraram o seu potencial. O público gostou, eles gostaram e o concerto ficará na história como um dos que mais se dançou.

A noite terminou com mais divergências de opinião. Se por um lado a eletrónica de Aphex Twin era confusa e ensurdecedora, para outros foi neste que se encontrou o pináculo do festival. Para os primeiros, a opção era o concerto de Black Angels. A banda de Austin, Texas deu uma performance sólida, como sólidos sabem ser. Quanto a Aphex Twin, ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Para os que gostaram e ficam com a atuação gravada no coração, e para aqueles que não compreendem quem goste do que aconteceu, também.

NOS Primavera Sound regressa no próximo ano nos dias 7, 8 e 9 de junho de 2018.

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