Alexandre Pereira, jovem designer de moda, é natural de Folgosa do Douro e nasceu em 1991. Licenciou-se em Design de Moda e Têxtil na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco e estagiou no atelier do criador Jan-Jan Van Essche, em Antuérpia.

Estreou-se em 2014, com Felícia Macedo através da M HKA, na plataforma Sangue Novo da ModaLisboa. Enquanto dupla apresentou duas coleções Lemonade Svoboda e em 2017, apresentou em nome individual, a coleção Noise.

Espalha Factos –  Se pudesses definir a marca Alexandre Pereira numa palavra, qual seria?

Alexandre Pereira – Mutável

EF – É conhecido que com a Felícia Macedo partilhavas a M HKA, o que é que transferiste do ADN da M HKA para a tua marca pessoal?

AP – É difícil distinguir aquilo que eu fazia com a MHKA daquilo que faço agora porque sinto que não houve a saída de um projeto mas um salto maior como designer que está a apresentar no Moda Lisboa. Mas, claro que por outro lado, consigo reconhecer que algumas linhas usadas nas nossas coleções (como M HKA), também foram representadas em Noise, porque inevitavelmente o que está a ser exposto é a evolução do meu trabalho.

EF –  Conta-nos, o que procuraste que o teu primeiro desfile a título individual tivesse, que te diferenciasse dos restantes participantes no Sangue Novo?

AP – Eu não procuro distanciar-me de ninguém, gosto de perceber até que ponto a minha coleção pode alcançar os outros e acho que foi o que aconteceu nesta edição, fiz o que quis, sem a preocupação de ter de ser diferente ou com a expetativa de sobressair porque isso acaba por ser um bloqueio criativo.

EF – Qual foi a história que procuraste transmitir, a partir da tua colecção?

AP – O conceito da coleção está muito relacionado com as minhas ideias sobre o mundo. Neste caso foi uma forma de falar através das roupas sobre a geração perante a sociedade em que vivemos. Por exemplo: a etiqueta de composição, elemento que costuma estar no interior das peças e que de certa forma são a identidade da mesma, por conterem informações relevantes, na minha coleção estão no exterior, como uma metáfora sobre a nossa necessidade de tornar o privado, exposto.

EF – Alguns designers abdicam de criar em nome próprio, para criar para marcas mais “industriais”. O que achas que o retalho pode trazer à consciência de um jovem criador?

AP – Desafios, experiências, networking… Acaba por ser uma grande aprendizagem. O retalho e o trabalho de atelier são formas de trabalhar diferentes mas com bastantes pontos em comum. É sempre bom ter a oportunidade de poder fazer outras coisas, e em grande escala, e que depois acabam por contribuir para os meus projetos.

EF – Na última edição da ModaLisboa, ganhaste – a par com a Rita Afonso -, entrada directa para o próximo desfile do Sangue Novo. Consideras que são dadas as oportunidades certas, dentro de uma indústria tão competitiva como a indústria da moda?

AP – Se são dadas as suficientes duvido, mas acho que as que existem são boas. Esperemos que haja sempre mais e uma maior espaço para novos designers.

EF – Para onde pensas que caminha a moda e como esperas caminhar com ela?

AP – Espero que a indústria da moda caminhe para um modelo mais sustentável e gostaria de fazer parte disso tanto no meu trabalho em nome próprio, como para marcas mais “industriais”.

EF – Se pudesses destacar o trabalho de três jovens designers nacionais, que nomes apontarias?

AP – João Oliveira, Nycole, KLAR.