Salvador Martinha é o autor do podcast Ar Livre, que, segundo o próprio, é um espaço que foge ao politicamente correto, uma vez que os humoristas vivem muito em ‘Ar Condicionado’. A ideia não é original como podcast (há alguma que seja?), mas é inovadora em Portugal: trata-se de um formato pautado pela naturalidade e desprendimento de Martinha que surpreende o público mais vezes do que se possa estar à espera.

Ar Livre conta com três episódios até ao momento, sendo que em média cada um dura 30 minutos. O tempo deverá ser mesmo a única coisa pensada pelo humorista português, uma vez que de resto é tudo improvisado; não há dias de gravação, nem guião escrito nem convidados. É meia hora de Salvador Martinha, da sua vida, experiências, críticas, ideias e reflexões.
Em três programas a diversidade de assuntos já é considerável, o que augura bons pressentimentos. Para eles contribui também o “estou-me cagandismo” (penso que a expressão foi cunhada por Ricardo Araújo Pereira) de Martinha; até para ele está a ser difícil, por vezes, interiorizar que não está amarrado a linhas editoriais. Desta forma, a conversa com o público sai sem filtros, o que é de saudar. Exemplo disso foi quando quando abordou o tema dos Globos de Ouro ou quando falou sobre o curso de formação de atores que fez.
ar livre
Tecnicamente, o podcast evoluiu de um primeiro episódio algo atabalhoado, onde o som nos afastava de Martinha, para uma sensação de proximidade agora implementada. Para a meia hora de conversa seguida e sem guião fluir muito contribui – além do óbvio humor e estilo de comédia – a dicção e voz de Salvador.

Regresso às origens

O antigo apresentador de Nada de Especial regressa, assim, a um estilo que, como o próprio disse, marcou o início da carreira em televisão, quando liderava o dito programa no Canal Q. Apesar da falta de divulgação – propositada – Ar Livre tem tudo para desmistificar os bastidores da comédia em Portugal e ouvir sem amarras uma das mentes mais criativas do humor nacional.