O álbum Ok Computer da banda britânica Radiohead comemora hoje o seu vigésimo aniversário… e isto é a única coisa que consigo dizer sobre ele. Também eu oriunda dos idos tempos de 1997, como o disco, tenho-me abstraído do hype que envolve a banda. Aliás, confesso que apenas ouvi a afamada Creep.

Antes de começarem a atirar pedras, decidi dar uma oportunidade neste ano de aniversário. O desafio é simples: sem qualquer contexto ou ideias pré-concebidas, vou ouvir Ok Computer pela primeiríssima vez. Partilharei as minhas impressões em relação ao álbum e às músicas, da forma mais honesta e menos influenciada possível. Quem sabe se não nascerá mais uma fã da banda…?

Ok Computer pela primeira vez

Ok Computer flui nos seus quase 55 minutos de forma tão natural, que nem me apercebi da sua passagem. As 12 músicas sucedem-se de forma coesa, mas, ao mesmo tempo, distinguem-se entre si como entidades individuais.

O álbum agarrou-me o ouvido logo aos primeiros segundos, com os fortes acordes de guitarra de Airbag a explodir sem aviso. A partir daí, foi toda uma viagem que me espantou por parecer tão intemporal e clássica e, ao mesmo tempo, tão atual e familiar. É talvez essa uma das características da qual me apercebi desde o início: o quanto veio influenciar toda a cena indie rock da década seguinte.

Achei as duas primeiras músicas como que um resumo do álbum. Airbag é o início que deixa antever tudo o que daí se segue, contudo sem revelar demasiado. Segue-se depois uma mistura de géneros em Paranoid Android, como se de um medley se tratasse.

Tenho que dar um destaque à Let Down, que foi a minha preferida de Ok Computer. Simples e encantadora na sua sonoridade, a voz e o instrumental complementam-se sem se sobreporem um ao outro.

Na minha opinião, pode fazer-se uma divisão do álbum em duas partes, sendo Fitter Happier o pseudo-interlúdio. Mais narrativa do que musical, a epítome daquela que achei como a temática discretamente presente em todo o álbum, a tecnologia. A seguir a esta, as faixas até ao final pareceram-me mais semelhantes entre si do que anteriormente.

O disco culmina em The Tourist, num final mais leve do que o seu início. Se Airbag chama logo a atenção com fortes acordes de guitarra, The Tourist conclui com um ténue toque de percussão.

E assim é, para mim, Ok Computer: grandioso e, ao mesmo tempo, intimista. Um paradoxo, que funciona tão deliciosamente e que me deixou a querer mais.

O veredito

Desde o início do álbum que fiquei entusiasmada, o álbum é consistentemente bom, sem pontos fracos demasiado notórios. Percebi de onde vem todo o alarido à volta de Radiohead. Ele é, sem dúvida, justificado.

Descobri que já conhecia a Karma Police, só que não sabia a origem, e a Exit Music (For A Film), mas na versão dos Vampire Weekend. Continuarei, assim, a minha aventura pela discografia de Radiohead. Acho que saí convencida.