O artista britânico Jason Shulman fotografou filmes inteiros em longa exposição, criando aquilo que intitulou fotografias de filmes. Os resultados, que resumem numa única imagem os filmes retratados, assemelham-se a obras de arte impressionistas.

jason shulman

Dumbo (1941) | Fonte: Jason Shulman Studio

Apontando a câmara a um ecrã e disparando com longuíssimos tempos de exposição – foi assim que o artista inglês chegou ao que considera o “o ADN dos filmes”. À medida que o filme avança, cada cena é sobreposta à anterior, acabando todas elas por se dissolver numa só.

Em entrevista à Another Magazine, Shulman explicou: “Montei a minha câmara à frente do computador (…) à espera que uma exposição de hora e meia de filme resultasse no mesmo que uma mistura de plasticina – uma tonalidade monótona de castanho. Fiquei muito surpreendido quando estas interessantes traduções dos filmes começaram a aparecer.”

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The Texas Chainsaw Massacre | Fonte: Jason Shulman Studio

Shulman defende ainda que estas composições dizem algo sobre o estilo dos realizadores. Kubrick, por exemplo, preocupa-se com a composição das cenas. Com o filme Avatar, o resultado foi um plano azul, porque James Cameron corta os filmes muito repentinamente.

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Dr. Strangelove (1964) | Fonte: Jason Shulman Studio

Além de fotógrafo, Jason Shulman é escultor e chegou a trabalhar como designer gráfico para o The Sunday Telegraph. O seu trabalho é, em última análise, tudo menos convencional. Na sua primeira exposição fez uma homenagem ao analgésico Solpadeine. Uma das peças foi elaborada com as cinzas do seu próprio pai. Em 2015, apresentou-se (juntamente com cães, bebidas e pornografia vintage) na Door Gallery (Soho, Londres), enquanto parte da sua própria instalação.

Photographs of Films é o seu mais recente projeto. Foi exibido pela primeira vez na Cob Gallery, no ano passado. A coleção completa pode ser vista aqui.