O por do sol do passado domingo, dia 14, foi o momento escolhido pela Louis Vuitton para apresentar a sua nova colecção ao mundo. Intitulada de Cruise 2018 collection, a linha foi pela primeira vez vista pelo publico no Museu Miho, situado nas montanhas de Kyoto, no Japão.

Tendo como mote para esta nova colecção conceitos como as paisagens urbanas, a natureza e a cultura chinesa, a escolha de um cenário que envolveu o desfile num ambiente florestal e de total conexão com o meio-ambiente pareceu o mais indicado para Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton.

O próprio declarou, em comunicado, que foi neste museu ,projectado por I.M. Pei e em funcionamento desde os anos 90, que encontrou inspiração para muitos dos seus projectos:

“Visitei o Museu Miho há já alguns anos e fiquei fascinado pelo conceito de harmonia entre Natureza e arquitetura. O Japão é um país que conheço bem. Foi um dos primeiros lugares para onde viajei quando procurava inspiração, foi há uns vinte anos, e desde essa altura tenho sido um visitante regular. Esta coleção é o culminar daquilo que o Japão me tem dado desde há muito tempo.”

No entanto, a inspiração da nova coleção da casa francesa não surge exclusivamente das indescritíveis paisagens e da cultura japonesa. Para a criação das novas peças, a Louis Vuitton contou ainda com o apoio do estilista japonês Kansaï Yamamoto e de Kristopher Haigh.

Apesar de ter passado os últimos anos longe das passarelas, Yamamoto não deixa de ser um dos grandes nomes da moda e arte contemporânea. O estilista e artista plástico japonês ficou internacionalmente reconhecido depois de ter introduzido o quimono ao mundo da moda por volta da década de 90 e também por, durante vários anos, ter trabalhado e assinado alguns dos figurinos utilizados por David Bowie. Em colaboração com a Louis Vuitton teve a oportunidade de desenhar personagens, símbolos e ícones para roupas e acessórios da colecção.

Por sua vez Kristopher Haigh , designer fundador da marca 1K, de Nova York, colaborou através da criação de chapéus.

Cruise 2018: Modernidade e tradição

Tradição, modernidade, poesia, mundo urbano, natureza. Todos estes conceitos se misturam com a cultura dos samurais, das artes marciais e dos trajes tradicionais japoneses para dar vida à nova colecção da Louis Vuitton.

Foi com as figuras de Rila Fukushima e Doona Bae que se iniciou o desfile, considerado por Ghesquière como um dos seus favoritos desde que iniciou o seu trabalho para a marca. “É um jogo de integração com a cultura do país que estamos a visitar sob o ponto de vista francês da Louis Vuitton”, disse o designer a um grupo de jornalistas após o desfile.

Os 55 looks apresentados no desfile são facilmente associados ao vestuário samurai e ao mundo tradicional japonês. As estampas de influência clássica japonesa aparecem em total contraste as botas de cowboy, as estampas de animais e os urbanos casacos de couro.

O simbolismo da terra do sol nascente está presente em acessórios, malas e várias peças de vestuário, não esquecendo a referencia às máscaras Kabuki do teatro japonês, observável principalmente na maquilhagem, uma marca que não passou despercebida durante o desfile.

A apresentação, que durou cerca de 17 minutos, já está disponível online e podes vê-la no vídeo abaixo: