Na semana em que completa 70 anos de vida, Paulo de Carvalho celebra 55 anos de carreira e lança um novo disco de duetos inéditos, produzido pelo filho, Agir. O Espalha-Factos esteve à conversa com o músico para saber tudo sobre este marco da sua vida e da sua carreira.

Iniciou a sua carreira há 55 anos, como baterista dos Sheiks, uma banda de rock’n’roll português típico dos anos 60 – “não sabíamos nada, só queríamos fazer música”, disse acrescentando que “foi um começo, e quer se queira quer não, ainda hoje cá ando”.

Não sabe ao certo em que altura da sua vida decidiu tornar-se no artista que é hoje. Refere que “há uma enorme coerência na incoerência de mudar de estilo musical diversas vezes” e que na verdade foi isso que lhe permitiu fazer este disco. “Este disco passa por diversas fases da minha vida musical” – de entre essas fases, a canção ligeira, o pop, o rock, o blues, o jazz e o fado – “há de tudo neste disco, porque eu próprio por aí passei”.

Duetos é um disco composto por 17 canções e conta com 18 artistas convidados, de diversas gerações e universos musicais. “Eu acho que o disco é muito bom, mas a culpa não é só minha – a culpa é do Agir, que foi quem pensou nisto tudo e quem permitiu concretizar isto tudo”, desde o convite e contratação dos músicos, a escolha das músicas e arranjos.

“A partir do momento em que ele me expôs a ideia achei que valia a pena, que era bonito e que fazia sentido, então trabalhámos”, afirmando que houve sempre “um trabalho perfeitamente entendível entre um produtor [Agir] e um produzido [Paulo de Carvalho]“.

O artista admite que, dada a sua natureza, a produção deste disco foi de facto bastante trabalhosa e dá créditos a Agir, acrescentando que “ele como produtor sabia o que queria fazer e fez”.

Relativamente ao leque de artistas convidados, declara que estes “são a junção de três gerações de cantores, cantando as canções da vida de um músico que passou por todas essas gerações”.

Confessa que, embora muitos destes artistas estejam associados a outro tipo de sonoridades e culturas musicais diferentes, não deixa de apreciar o seu trabalho, e por isso, não deixam de cantar consigo – “são músicos que aparentemente são de outro tempo, mas não, o meu tempo também é este, tenho é mais idade”. Concluindo que “são eles as grandes vedetas do disco, pois eu limito-me a cantar as canções como já as cantava”.

Capa do disco Duetos (2017), de Paulo de Carvalho.

ALINHAMENTO

1. Flor Sem Tempo (feat. Diogo Piçarra)
2. Maria Vida Fria (feat. Rita Guerra)
3. 10 Anos (feat. Rui Veloso)
4. Abracadabra (feat. Aurea)
5. Executivo (feat. Tatanka)
6. Os Putos (feat. Camané)
7. O Homem Das Castanhas (feat. Raquel Tavares)
8. Lisboa Menina E Moça (feat. Carlos do Carmo)
9. Olá, Então Como Vais? (feat. TóZé Brito)
10. Um Beijo À Lua (feat. Mafalda Sacchetti)
11. O Meu Mundo Inteiro (feat. Agir)
12. Mãe Negra (feat. Matias Damásio)
13. Balada Para Uma Boneca De Capelista (feat. Miguel Araujo)
14. Os Meninos De Huambo (feat. António Zambujo)
15. Gostava De Vos Ver Aqui (feat. Ivan Lins & Nuno Markl)
16. Nini Dos Meus Quinze Anos (feat. José Cid)
17. E Depois Do Adeus (feat. Marisa Liz)

O disco Duetos encontra-se à venda a partir do dia 19 de maio de 2017, estando já disponível em pré-venda na FnacWorten e iTunes.

Fotografias de João Marcelino, Espalha-Factos.