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Iberanime Lx2017: caos, magia e mais uma homenagem à cultura japonesa

A 7.ª edição do Iberanime Lisboa decorreu de seis a sete de maio, no MEO Arena. Com menos afluência do que se estava à espera, mas mais desorganização, o entusiasmo dos participantes mais jovens e o carisma dos cosplayers voltou a encantar-nos.

Depois de se ter deixado de parte a Sala Tejo, para que fosse possível duplicar o número de visitantes e alargar a oferta de atividades, estreou-se o MEO Arena na 6.ª edição. O sucesso foi tanto que era difícil circular por onde quer que fosse. Este ano notou-se uma menor afluência, um pormenor importante e bastante positivo, até porque foi possível instalar uma esplanada perto da zona de merchandise.

Ao contrário do que aconteceu em 2016, os visitantes não receberam um Passaporte Oficial do evento, com o programa e espaço para personalização. Na verdade, no segundo dia fui obrigada a voltar à bilheteira para levantar a acreditação de imprensa e muitos problemas depois consegui encontrar um voluntário para me dar a pulseira que me devia ter sido presa ao pulso à entrada.

Felizmente, no Iberanime há sempre tanto a acontecer que perder o fio à meada é a prata da casa e tropeçar noutro acontecimento a que dar atenção é inevitável. Nem que sejam os chapéus de cogumelo do Mario Kart ou os do Totoro ou o ringue de wrestling na Arena. É verdade, um ringue de wrestling, um par de homens e um par de mulheres à porrada – elas bem mais agressivas que eles, devemos dizer.

4Gamers ou como duplicar o sucesso

O ano passado os videojogos estiveram presentes no Iberanime. Para além da presença de youtube gamers suficientemente famosos, havia stands da Nintendo, 3DS, Playstation e Wii U e até alguns espaços de retrogaming. Na verdade, até se realizou a 1.ª edição de E-Sports com a final da IA!LOL Cup.

Esta edição decidiu-se que o gaming e os e-sports mereciam um único evento, por isso reservou-se a Sala Tejo, o Centro de Negócios e o MOCHE Room para o efeito, duplicando o lucro.

4gamers

Tentámos assistir ao workshop sobre o estado da indústria portuguesa de videojogos, com Ivan Barroso, da Universidade Lusófona, mas quando perguntámos onde encontrar o Centro de Negócios, disseram que não sabiam quando, afinal, era mesmo do outro lado do corredor. Conseguimos assistir a apenas 20 minutos, infelizmente. Mas aproveitámos para espreitar as outras salas: a Universidade Lusófona estava presente com informação sobre a sua Licenciatura em Aplicações Multimédia e Videojogos e três computadores com jogos feitos por alunos, que o público podia experimentar.

Como priorizámos a cobertura do Iberanime, podemos apenas aplaudir a ausência de congestionamento e os vários stands de retrogaming (ainda perdi uma corrida de carros num GAME BOY e me deslumbrei com ecrãs de computador muito antigos). Destaca-se, contudo, as várias apresentações, palestras e workshops sobre videojogos (concept art, game design, concepção de personagens, música 8bit).

Cultura Japonesa

A Embaixada do Japão voltou a estar presente, não só com a exposição de kimonos (e a oportunidade dos participantes os experimentarem), como com as peças de sushi de plástico e as bonecas japonesas.

No sábado, realizou-se, à semelhança do ano passado, a conferência “Viver e Estudar no Japão: Oportunidades e Desafios”, com a colaboração da JPAG, que apresentou possíveis bolsas de estudo. Feliz ou infelizmente, a fila para entrar no auditório era demasiado longa.

Os Origamigos de Lisboa  repetiram o workshop de origami, a arte tradicional e secular japonesa de dobrar papel, criando representações geométricas de seres ou objetos, sem cortar ou colar.

origamigos

A Language Craft dinamizou, como já é costume, diversas apresentações (de caligrafia japonesa, de iniciação ao japonês, da dança tradicional japonesa), substituindo a do Chadô, a cerimónia do chá, pelo workshop de confeção de Oniguiris, bolinhos de arroz japonês envoltos em folha de nori (feita a partir de algas marinhas).

Os Noodles Monster foram, provavelmente, a comida mais japonesa que encontrámos. Sem contar com os produtos alimentares, entre figuras, peluches e livros, à venda nos stands de merchandise. Para refrescar, o famoso Bobalicious, chá gelado com pérolas de tapioca, em versão Milk Tea ou Fruit Tea.

Centro Português de Investigação e Formação em Terapias não faltou para promover os seus cursos e consultas de Reiki, que prometem equilibrar o corpo e a mente. Neste sentido, a Associação de Reiki para Crianças e Jovens chegou a fazer uma apresentação sobre “O poder da Energia”.

As artes marciais não podiam obviamente ser esquecidas. O Clube de Kendo de Lisboa e a União Portuguesa de Aikido realizaram várias apresentações no Palco Cultural. Kendo é uma arte japonesa moderna, desenvolvida a partir de técnicas tradicionais de combate com espadas, enquanto Aikido tem como objetivo a defesa dos participantes através não do ataque, mas do redirecionamento dos movimentos do adversário. Ocorreram ainda apresentações de Karaté e Jodo, uma arte marcial que utiliza um tipo de bastão chamado jõ, e um workshop de Sumo.

O Para Para Dance, dança sincronizada japonesa, foi novamente um (mais do que um até) dos momentos altos de todo o evento. Assim como, sobretudo para a camada feminina mais jovem, o K-pop, música pop sul-coreana, género que surgiu em 1992 com o grupo Seo Taiji and Boys.

Anime, manga, comics e merchandise

Sentiu-se a falta do visionamento de animações japonesas, como aconteceu o ano passado (em que passaram Paprika e Túmulo dos Pirilampos, por exemplo). Por outro lado, é impossível não destacar os workshops de ilustração da ETIC, sobretudo o de Mosi Simão, que decorreu no primeiro dia, no Palco Iberanime Maggi Fusian.

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A Mosi é a autora de Altemente, uma série de três comics, publicada pela Comic Heart, que são o resultado de um projeto artístico sobre os 15 dias que passou numa residência artística na aldeia algarvia de Alte, perto de Loulé.

No workshop, mostrou-nos alguns dos seus desenhos e explicou o quão importante é investigarmos quando estamos a desenvolver uma determinada personagem, termos referências (como é que os artistas que admiramos desenham/pintam?).

Conversou-se ainda sobre como devemos pensar na linguagem corporal. Como é que alguém confiante entra numa sala? E se não for confiante, como será a sua postura? Como termos conhecimentos de antropologia, sociologia ou psicologia nos pode ajudar. Salientou, sobretudo, a importância de se ir ‘beber’ um pouco a outros interesses.

Para quem gosta mais de ou tem mais jeito para desenhar do que para escrever argumentos, contou que prefere deixar que as imagens falem por si e exemplificou como é possível, através de determinados pormenores, mostrar em que ano a história ocorre sem o escrever.

No domingo, ocorreu outro workshop de ilustração da ETIC, dessa vez no auditório, com Sara Feio e a sua aluna Leonor Lopes. Sara esteve, sobretudo, a falar sobre o processo criativo de criar a capa do álbum GOLDEN CAP e de produzir o videoclipe de Molly dos Them Flying Monkeys.

https://www.instagram.com/p/BQOVBubBLMF/?taken-by=sarafeio&hl=pt

Leonor mostrou alguns dos seus trabalhos, destacando o de final de curso sobre um personagem que, ao ler livros, vislumbra as histórias como se fossem reais.

A equipa do JanKenPon, que ofereceu durante todo o evento uma edição do seu jornal, esteve presente com a apresentação das novidades e dos autores e com os workshops “Da ideia à página de banda desenhada” e introdução ao desenho manga.

Lamentamos a ausência do Ponto das Artes, que foi compensada com o regresso dos stands da KingPin Books e da Devir, destacando-se a apresentação de Platinum End e One-Punch Man, pela Devir.

As bancas de merchandise estiveram, sem surpresa, à pinha. Desde porta-chaves, canecas, peluches e figuras até acessórios para cosplay. Já para não falar das bancas com ilustrações em postais, marcadores, posters, autocolantes e cadernos.

Cosplay

cosplay trata-se da atividade de se fantasiar de um personagem de animemanga, comics e videojogos, procurando interpretá-lo o melhor possível com engenho e criatividade. O fenómeno chegou ao Japão por volta da década de 80, tendo-se tornado comum durante as Comic Markets, que se celebram em Tóquio.

Raul Batista, da KingPin Books, deu provavelmente um dos melhores workshops e encantou o público com dicas sobre como aplicar materiais reciclados e eletrónica aplicados ao cosplay. Explicou como quitou um capacete com 28 efeitos de luz, programados com Arduíno, uma plataforma de prototipagem eletrónica de hardware livre e placa única, e ainda levou material para que o público pudesse experimentar fazer soldaduras com fio elétrico.

Este ano, Leonor Grácias esteve presente com a mais recente Associação de Cosplay, cuja banca disponibilizou material para recuperar fatos que se tivessem estragado durante o evento. Grácias subiu ainda ao Palco do Iberanime Maggi Fusion para falar com Mário Freitas sobre “Cosplay em Portugal: a evolução da comunidade ao longo da última década”.

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Destaca-se ainda a competição do Final Cosplay World Masters, que o ano passado foi ganha pelo Brasil, que se fez representar por Samui San com um cosplay de Pulsefire Ezreal, de League of Legends. Este ano a vitória foi para a Finlândia, representada por Hapsu.

Os visitantes cosplayers é que foram, contudo (e como sempre), a alma da festa. Desde personagens de séries japonesas, como Attack on Titan ou Naruto, até às americanices da DC e da Marvel.

Espreite a galeria completa de cosplay na página de Facebook do Espalha-Factos

Concertos

Infelizmente só conseguimos assistir a um concerto, mas o programa também não contemplava nada tão imponente como os Blasted Mechanism, que encerraram o evento do ano passado. Ainda assim, Joe Inoue encantou os fãs (e até os que assistiram só pela curiosidade) com o à-vontade, o português mais afinado do que se estava à espera (é verdade, falou em português com o público!) e o seu popular single Closer, que faz parte da série Naruto.

Caos, magia e mais uma homenagem à cultura japonesa

Este ano não se sentiu tanto a magia. Não queremos ser categóricos e enumerar razões. Talvez tenha sido mau timing de espírito. Confessamos que a desorganização ajudou. Que a ausência de congestionamento nos permitiu pensar demasiado sobre o que estávamos a sentir – o que passou muito por nos perguntarmos porque é que alguém compra um bilhete para ir comprar merchandise?

Vamos arriscar e responder à nossa própria pergunta com a cabeça fora da caixa: porque o Iberanime é um evento para apaixonados pela cultura japonesa, que sim, aproveitam para esbanjar uns trocos em peluches das suas personagens favoritas, mas vão sobretudo pela união. Pela excitação que se sente quando se forma uma massa de corpos sincronizados a dançar ao som de Para Para Dance. Para gritar com entusiasmo, como todas as fãs adolescentes que se prezem, quando ouvem Kpop a sair das colunas. Para se deslumbrarem com os fatos uns dos outros e trocarem dicas e experiências. Pura e simplesmente pela magia.

fotografias de Inês Lopes da Costa e Margarida Ribeiro

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