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José Cid: 10 mil anos depois entre a Casa da Música e a História

Após um espetáculo na Aula Magna a 1 de maio, José Cid subiu ao palco da Sala Suggia da Casa da Música para uma nova revisitação do álbum 10. 000 anos depois entre Vénus e Marte.

Com sensivelmente 15 minutos de atraso, José Cid agradeceu prontamente a presença de uma plateia praticamente lotada, teceu rasgados elogios às condições técnicas de excelência da sala, que em muito beneficiaram a sua atuação, e desvendou parcialmente o alinhamento da noite.

Impaciente pelo emblemático disco de culto, editado em 1978, o público escutou, primeiramente, dois temas do futuro álbum de rock sinfónico, Vozes do Além, que será editado no próximo mês de outubro.

Abrindo com a faixa Vozes do Além, seguiu-se Na minha guitarra, tema dedicado a Rui Pipas, na sua opinião, o melhor guitarrista da sua geração em Portugal, que faleceu precocemente num acidente de mota. Todo o disco aborda poeticamente a ideia da reencarnação e, por isso, conta com letras de, entre outros autores, Sophia de Mello Breyner Andresen, Natália Correia e Garcia de Orta.

Simultaneamente, em Vozes do Além, José Cid debruça a sua atenção nos seres humanos que, na flor da idade, não cumprem os seus projetos de vida e, consequentemente, usufruirão posteriormente de uma vaga para reencarnar.

Recuando até ao ano de 1975, tocou Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas, o segundo registo em estúdio do Quarteto 1111, que contem poesia de José Jorge Letria. O trabalho Vida e Sons do Quotidiano, gravado na cidade do Porto um ano antes de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte, com selo da editora Orfeu, foi igualmente tocado na íntegra. Curiosamente, a família de Arnaldo Trindade, fundador da editora discográfica marcou presença no espetáculo e o músico solicitou uma forte salva de palmas para esta.

Antecedendo 10.000 anos depois entre Vénus e Marte, José Cid procedeu à narrativa que envolveu o processo criativo da obra de rock sinfónico. Em 1976, com uma supremacia militar da Rússia e dos Estados Unidos, surgiu a possibilidade de eclodir uma Terceira Guerra Mundial. Na verdade, esse evento não se concretizou – como já sabemos. No entanto, segundo José Cid, imaginar está livre do pagamento de impostos e, como tal, idealizou o final do planeta Terra, com seres humanos a programarem-se para ressuscitar 10000 anos depois.

“Então, estão prontos para a grande viagem?”, questionou momentos antes d’ O Último Dia na Terra, recebendo calorosamente um barulho ensurdecedor de uma plateia amplamente heterogénea, composta por miúdos e graúdos. Com um belíssimo acompanhamento de uma tela com projeção de ilustrações alusivas ao disco, depois d’O Caos, contou a história de um cosmonauta e da sua companheira, que fugiram para o Espaço, observando distantemente o holocausto final do planeta Terra.

Em Mellotron, o Planeta Fantástico, o casal consegue contactar com novas civilizações, galáxias, formas de viver, pensar, amar e agir. Apresentando individualmente os músicos que o acompanharam em palco, a viagem prosseguiu com a faixa homónima, cantada em uníssono pela plateia, e teve inclusivamente a colaboração de Mike Sergeant.

Dando continuidade à história musical de ficção, houve A Partir do Zero e, na reta final, sobrou tempo para versões intimistas d’O Caos e de 10.000 anos depois entre Vénus e Marte, garantindo que permaneceria na Casa da Música para cumprimentar o público terminado o seu grande espetáculo.

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